terça-feira, outubro 06, 2009

E eu que achava...

E eu achava que nessa cidade não tinha cafés, e eu que achava que nessa língua não tinha o nome daquele lugar pra onde a gente vai quando acha que o mundo é grande demais.
Hoje eu queria fazer o papel daquele que espera. Tinha até o café como cenário. Mas ao invés de maldizer atraso que não existia eu fiquei pensativo com vontade de me calar e escrever bobagens. Recriminei a minha vontade tímida de chorar e a chamei de burguesa. O meu coração, partidão racional deu pra fazer auto-crítica e querer botar altos pingos nos is.
Na dureza do dia a dia pressinto que o Éden vislumbrado talvez seja a imagem que perseguirá a minha existência. Sua busca talvez será um dos grandes sentidos para aquilo que chamam existir. É que as vezes a gente toma consciência das coisas e fica escrevendo essas receitas lúcidas. Serão estes os momentos anti-poéticos por excelência? Talvez sim. Talvez a tímida certeza de pensar estar repetindo-se nas dores, nas lamúrias, nos gemidos e nas palavras. Até nas pequeninas tentativas de absurdo. Esse estágio talvez seja o mais cético, o mais duro de dar a volta. Num repente nos vemos frente a esse desejo tão sincero de esquecer, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Será a volta por cima a superação de tal estágio? Ou será a volta por cima justamente o manter-se nele? Um correr assustado da porta que temos a nossa frente?
Isso soa por demais chato e pesado. E aquele que escreve um texto chato tenta sempre encontrar desculpas para sua chatice. Tentar encontrar desculpas? Talvez. Talvez as tenha espalhadas por aí, na certeza de que escrever é a auto-ajuda primordial esperada. Talvez não.
O quão perversa é a palavra talvez, o quão cara ela é para mim nesse momento. Me acompanhando, sorrindo a minha frente de tomara que caia, lábios provocantes e mãos adoráveis. Mãos adoráveis que pego, beijo e faço carinho. Faço promessa, reclamo do tempo e da vida. Ela, ela sempre tão fugaz, sempre tão etérea, fantasiada as vezes de certeza me vem grave e solene a pedir desculpas por ter feito algo que desconheço. E me diz verdades, segredos e mistérios ao pé do ouvido, me tira a caneta da mão e me pisca o olho.
Hoje eu queria lamentar-me da minha dureza, da minha sorte. Mas ao meu redor eu vejo a grandeza, espalhadinha e escondidinha. E o sorriso da garçonete é uma muleta, uma bóia que me é oferecida nesse meu naufrágio em minhas falsas lágrimas. Ó cinismo, ó verdade, ó escrita! Quando provar-me-ão vocês que aquele que muito se cobre, aquele que muito enfeita e escreve, muito se desnuda, muito se cala frente a tantas palavras?


Rio.


Alto.

sábado, outubro 03, 2009

duas.

Primavera


Você pára de fazer frio
E eu paro de fazer poesia ruim

Você me dá 30 graus
E eu te faço um soneto individual

Você me dá tango sincero
E eu te vomito um bolero.

(Primavera 2008)


************************************

Põe ópera também, com exterior de dia gelado
Me liga no telefone que eu amoleço na tua voz
Teu sotaque é um espetáculo a parte

O resto, meu bem, o resto é tarde egoísta e fria

Teu silêncio berrou tanto no meu ouvido que me deixou surdo

Não te escuto. Quanto menos a mim.
Versos escuros e desconcentrados
Tateiam a sua poética

Mas não há sinal nenhum

(2008)

sexta-feira, outubro 02, 2009

Manuscrito Sincero

Já tenho a consciência da inspiração. (Ainda que fugidia ela as vezes aparece oferecendo-me entendimento com cara de beata resignada.)
Hoje, por exemplo, ela não veio. Eu estava só, estava em minha carruagem, cruzando as paisagens de Misiones, ansiando pelo exagero paranaense para aí sim sentir-me mais perto dos morros e dos mares que me foram assegurados quando decidiram existir este YO que te escreve.
Tal YO, valendo-se das crônicas imemoriais escrita por alguém de nome sombrio, encontra-se neste exato momento sonhando com realidades óbvias que obedecem também a compassos e melodias fáceis.
Pela escrita que me invade eu peço paz. Eu peço publicação! Que se publiquem os manuscritos escondidos! Que se ofereçam aos olhos do meu amor, que se ofereçam aos olhos mais lindos e desconhecidos, pois meu ego eu já o quero prostituído, prostrado no templo do ridículo, débil fiel cumprindo penitência pagando o preço de se jogar no vazio sorrindo, pagando o preço de pegar a leveza no colo e batiza-la de pesado fardo.
Se ao menos me sobra fazer da minha dor um textinho vagabundo assim eu farei, farei questão de fazer arte bonitinha, brilhantina, sorriso, passagem de ida e volta, batismo, primeira comunhão e crisma. Pendurarei assim na parede no almoço de domingo para chorar a minha dor religiosamente e com ela atravessar a dureza dos dias até o outro definitivo e incerto outro lado, terceiro outro lado margem impossível da minha teimosia.

(A partir de este momento o poeta não se vale de subterfúgios pseudo-intelectuais e escreve diretamente ao par de olhos que lhe tirou a calma)

É tu. Tu. E que alegria escrever tu. Ainda que falsa e passageira é um tu verdadeiro. A sua filosofia eu quero comprar pelo preço que for, fazer dela não só o playground do Satã mas também o laboratório do teu acaso. Mentira. Reescrevo o que não disse: eu só queria contigo dar-me o luxo sincero e limpinho de cozinhar-te meu macarrão ao molho de espinafre com uma garrafa de Vasco Viejo. O vinho também é barato, também é vão e me traz a memória a sua feição mais jovem, cada vez mais jovem a medida que o tempo passa, parece que a música do Chico depois do adeus te faz muito bem.
Faltam-me forças,coragem e pudor para seguir a empreitada. Cruzarei a fronteira em minutos. Lá talvez os planos e os bons sensos me farão confessar as tolas razões e dores desse texto que se escreveu.



Enríque
manuscritos perdidos
fim de setembro de um ano perdido

Projeto de Primavera

Torno a repetir queridas pastagens
Torno a repetir queridas paisagens

Que farei assim de Otamendi que farei assim de Avellaneda a minha mais linda e perfeita danação

Que farei assim das árvores tão violentadas pelo outono
O sabor mais forte do meu sono

É que ainda sobra tanto lirismo
E só de saber que a primavera praqueles cantos existe mais linda

Minha Senhora,

Invento a felicidade

Torno a repetir a minha morada lá bem atrás daquele morro, lá bem atrás daquela serra

Lá de longe, lá bem de longe, do deserto, das montanhas, e das dunas e das areias mais belas

Ainda vive o que restou do lirismo
Escondidinho e ressabiado
Derradeira inocência

Tantas vezes intocada.

Tantas vezes violentada.

domingo, setembro 27, 2009

falei.

bicho
posso escrever a porta aberta?
posso mesmo?
posso?

aí vai:

=========== Porta Aberta. ============

Porque do lado de cá o vento também é frio
e a saudade é a mesma

E eu sou o mais feliz dos homens
Ao beijar a tristeza de olho aberto

Cantando teimoso que ainda te amo.

sexta-feira, setembro 25, 2009

eu queria tanto descansar

até porque minha bela fonte nenhuma equivale a nossa destreza a nossa forma pior de transformar aquele tédio em nosso alimento cotidiano, escalando assim na miséria alheia nossos sentimentos mais mesquinhos, dando-nos enfim o direito e o dever de prostar-nos diante do horroroso mar e render glórias e ele. e a nossa viagem poderia ser ruim, voce poderia nao estar feliz e eu poderia desencadear toda uma torrente de pensamentos tristes e velhos que mostravam arrependimentos novinhos boiando ainda na consciencia alheia boiando ainda no sinal daquele mesmo pedàgio com você já arrependendo de ter tomado a estrada a Márica, até a tua Ponta Negra onde vestias o mesmo uniforme de um biquini, um maço de cigarro na mao, livrinho vagabundo na outra, besuntada de óleio indo assim gastar o tempo no lado de fora da casajá na beira do mar o dia inteiro indo com o seu mesmo radinho ligado cantando os teus sambas de bêbados, apaixonados, macumbas e paixoes torrentes.... Indecente! Indecente você que sabia chegar de Maricà como quem chega de um monastério com armas assim para enfrentar aquela perigosa estrada chamada rotina, chamada consciência mais pura e bela dela.

Eu nao quero me arrepender de você.

(Por onde andarà essa a quem escrevemos?)

Fragmento de dia e de ano, numa vez numa tarde numa bela cidade cheia de sol de um lugar daí alguém largou a cantar versos lindos e perversos e amorosos e chorosos e esse largar verso deu origem a um sorriso purinho desses perdidos aí numa dessas janelas desse meu ser tao agradàvel e solene, e esse alguém que aí se perdeu e esse alguém que é táo belo eu sei que está aqui dentro, eu sei que está aqui dizendo me procurando me encontrando, pois entao, esse alguém tao belo disse que hoje eu tinha que me enfeitar direitinho, água de cheiro, perfume, sabonete pois ele viria me buscar para uma festinha, surpresinha íntima, festinha de criança em que eu ia chegar assim ostentando a minha verdade tao protegida e os convidados da altivez de seus copinhos de plastico iam se questionar a existencia alheia de tantas criaturas continuadoras daquela loucura.

Aí voce tirou as sandalhas, fico descalça assim no paralelepipedo da velha cidade e largou a sambar no compasso de um surdo atrevido que já se anunciava no final da rua... é você, tao indecente, reivindicando o tempo das suas escapadas e sacanagens, OH SER! OR VIDA! NAO É O AMOR QUE MOVE TUDO ISSO? DEIXAI-ME ESCREVER A VERDADE... aí vinha a bichinha toda preparadinha, toda arrumadinha entoando cânticos afro-brasileiros-baianos já batendo palma e indo pegar o peixe e a felicidade que diziam que a baia tinha. (Eu particularmente lá chorei de amor e fiquei feliz por chorar de amor na Baía que tanto admiro, a minha oferenda pra tanta verdade tentada).
E ela aqui ainda ressoa dentro de mim pois os meus sonhos que estavam congeladinhos dentro de mim lá derreteram e se fizeram homem forte, verdade, carinho e luz. luz dura. POIS É CHEGADO O TEMPO DA ANUNCIAÇAO. Nao me fale daquela transiçao de uma da tarde para quatro da tarde quando o sol já era outro amante, talvez décadas mais velhos, mais experiente, sereno e intenso a te beijar a pele de outra maneira e de outra cor.

Talvez eu desista! Talvez eu desista de ser brasileiro assim tao de repente. Talvez eu desista um dia e cante a letra de pra dizer adeus rindo de verdade. Eu senti que fantasiar-me na cidade essa tao grande, em tarde de carnaval e pensar ainda em voce com cachaça nao me deu a vontade suficiente de desesperar-me. talvez seja lindo assim quando os pensamentos e as paixoes intensas entrem nesse estágio de vida artificial de estrela distante ana e cheia de grandiosidade. e essa saudade era tao terna mas tao domesticada já que pensar em voce me provocava nada menos que uma pura e sincera felicidade. era talvez aquele o sentido final do tanto amor, do amor demais, o do senhor estou desesperado, o senhor tudo é pesado. E subia a ladeira da cidade pensando assim e já sorrindo registrando a minha felicidade na latinha que tinha brilhando o sol das dua tarde na minha mao, um amigo do lado e um sorriso jovial na minha frente a me dizer bastantes coisas que eu quero escutar. ah, meus tempos, meus tempos em que nao se desistia e todos os livros vinham escritinhos certinho com ponto e vírgula e um tempo também outro em que as verdades indecentes me eram escondidas e eu acreditava piamente na imagem serena da cidade a noite.

Um terreno qualquer de Maria Paula lá praquela década, lá praquele mesmo lugar se batia tampor e se comia pipoca e refrigerante apostando felicidade....


Quando Oxum proclamou a sua independência de condiçao baiana ela foi viver um tempo na fronteira do Brasil com Uruguai pra poder acertar algumas coisas que ficaram pendentes.
E todo domingo de manha sua prima maior acordava cedo e ia conferir se a felicidade sim tinha se anunciado na janela e tinha se feito gente pra ela poder tocar.
A prima maior que acordava cedo somos eu e você e todos os seres deste lindo velho mundo.


Ela vinha na praia. Ela ficava na praia. Deixando assim o copo da cerveja meio enterrado na areia, abrindo o isopor, pegando gelo e refrescando o corpo sambando para os olhares gringos e alheios e mostrando e medindo o desejo nos rapazes ao seu redor. Ela tinha a lua ao seu lado e também controlava o vento de sua saia e de seus clichês escondidos no caderninho da sua bolsinha roxa deixada também perto do isopor de gelo.
Ela ficava até mais tarde e sambava mesmo, ria e no final mesmo com o sono repetia a frase, ajudava na bronca da mae, limpava peixe cantando a sua condiçao tao triste e tao ideal e sorrindo no fim mesmo sorrindo.
ela vinha me proclamar exorcismo de tantos pensamentos, acordava cedo, estendia assim na beira cada pensamento, cada fantasia mais íntima cada momento masi seu
e assim em séria ia proclamando o suicídio, coagindo sucicídio nos pensamentos inseguros na beira do pensado e do feito.
eu também me atrevo, eu também e porque nao ainda me dói a ma, ainda dói a minha verdade vacilante que foge para a sua aldeia deixando nada atrás nao, nem mulher bonita pra me receber nos braços, abrindo-me os caminhos no seu ritual todo dia tao egoista e vem vem devagarinho pois Deus já tinha dado bençao demais e ficava me cantando Pontos de Caboclo, coisa light, sem medo algum, canta-me pois eu quero a minha Jurema nua também e nem um pouco arrependido de ter mordido a maça dos cristaos tao insossa tao verdadeira louvada seja as minhas letras, pois eu sentia medo daquela voz dela cantando e advogando tanta coisa pois linha branca linha branquissima ela ia saltando de coisa em coisa.

Lágrima serve pra quê entao, mulher se a nossa luta ainda nao tinha sido feita e voce se atrevia em dançar buscando refugio nesse monstro da sua voz da sua postura tao forte e o que a gente faz com isso a gente escreve ou deixa secando lá fora, a gente já tem a mao um pouco cansada e a gente vai ficar agora olhando deixando o sonho levar a gente sem saber de nada sem saber de tudo

lá na minha casa do meu interior eu to fazendo coisa ruim e to ficando calado podendo falar, vamos cantar a fome? VAMOS CANTAR A FOME?

E se a gente falasse de FOME hoje?

Vamos bordar a palavra fome em cada palavra em cada letra em cada pensamento ainda temos a frente a fase em que a gente se converte pra essa forma de gente tao bela e tao sincera...

Mais um flash de pensamento em que você nao queria sair de casa, queria ficar em casa dançando sozinha nao sei porque dizendo que as suas primeiras leituras lhe eram poder demais intensas e ela tinha que ter mais tempo pra ela mesmo.

Meu amor foi no vapor. Foi com a luz apagada de Sao Jorge. E eu dei as costas antes. Porque fazia um pouco de frio.

Eramos NAIF

Minha querida

Posso te contar uma verdade que agora me incomoda o peito?
Temo esta verdade não ter nome, nem palavras nem endereço. É talvez lembrança. Lembrança fajuta, repetitiva, linda e por demais bela.

Lembra daquele verão em especial em que você se arriscou demais?

Tudo tinha começado mais ou menos assim:

Você meio de longe tinha me prometido a vida na sua mais pura essência. Tinha muito peixe e muito coentro no nosso amor.
Coentro demais.


Um pedaço de lembrança se oferece a caneta

Coentro, coentro, coentro,
tinha muito coentro no nosso amor
no nosso tempo
na nossa vida

você vinha da praia tão desligada do absurdo da vida
tão sincera
tão sem saber nada

que eu me apaixonava por cada sorriso teu
e eu era homem tolo e achava que o tempo ficava atrás na coxia

eu mal pensava que um dia teria a minha mesa vazia
uma caneta indecente
e um papel obsceno

e o seu rosto doendo nos meus olhos
e as suas metàforas ardendo em meu làpis
e a tua poesia sincera batendo a minha porta

(eu então tinha decidido comprar aquele disco com as músicas do Agepê que você mais gostava. atè aquela em especial que você cantava fechando os olhos jogando os cabelos pra trás repousando assim seu corpo no meu dizendo que te faltava ar.)

ter vergonha ao teu lado era o que mais me fazia bem
eu poderia de novo me oferecer pra te levar a rua do Mercado e te comprar aquela saia que tanto querias
ou então rir pela vigèsima vez da sua mesma linda piada

ah, por que você?
me diz por que você?

Me ajuda a pagar a conta de tanto repetir a mesma canção no rádio, a tua, a tua mesma
cada palavra daquela música tantas vezes cantada por ti
me são raras e íntimas filhas pródigas que alimento no inverno de hoje

fonte
ser
pureza
cabelos
orvalho
sutileza


ah, deixa eu te escrever um pouquinho mais antes que o próprio mundo resolva ir embora também sem dar as caras sem telegrama e sem email
deixa eu te escrever minha querida enquanto minhas palavras ainda ressoam no teu mesmo ser no teu mesmo perfume

posso dizer o teu nome todinho assim da silva? posso de uma vez por todas dar nome ao teu fogo?
posso de uma vez por todas escrever como você é, trazer para os meus versos teu olhar tão normal tão sincero?

e assim talvez ter a coragem de escrever a sua calcinha esquecida na perfeição da minha àrea dos serviços mais ignóbeis?

e terminar assim o ùltimo espasmo solitàrio deste verso sem tua presença

não. não quero e nem posso.

quinta-feira, setembro 24, 2009

A primavera chegou

A primavera chegou


A primavera chegou
Mas as flores que trazia
Houve alguém que m'as levou
À minha campa vazia

A primavera chegou
E com ela seus perfumes
E porque te acompanhou
Vieram os meus ciúmes

A primavera chegou
E entrou nas minhas veias
Com sua seiva criou
Amor nas minhas ideias

A primavera chegou
Raios partam a primavera
Que fez de mim o que sou
Que deixei de ser quem era

(Amália Rodrigues)

esboço

"Todo junho tem um veranico esperando por você."
Roteiro e Direção : Henrique Campos Monnerat


Personagens:

Sara - A menina-mulher. ("Era verdade que Sara era doente")
O Poeta - Ser etéreo etílico estilístico (as vezes assume identidades dos outros personagens)
José Carlo - Arquétipo típico do bom sujeito
Maysa - Cantante do tempo
Narrador - Aquele quem vos escreve
Henrique - Personagem alter-ego
Condessa de Marília Paula - Personalidade ilustre do século XIX - presente em flahes backs e carne e osso.

Trilha Sonora :

"Fica comigo esta noite" - Samba canção de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves - (Versão que tem um quê de tango)
"Pela Rua" - De Dolores Duran e José Ribamar - Cantada pela Maysa
"Por Enquanto" - Renato Russo - Cantada por ele mesmo
"Vamos Fazer um Filme" - Idem
"Depois É Só Chorar" - Geraldo Vandré - (Música pseudo-incidental ouvida ainda na cama antes da partida do poeta no amanhecer)
"Canção do Mar" - Cantada pela Dulce Pontes - No início do filme, antes da chegada do veranico.
"Chão de Estrelas" - De Silvio Caldas e Orestes Barbosa - Cantada pela Maysa e interrompida pelo narrador pseudo-diretor.
"Tristeza de Amar" - de Geraldo Vandré e Luiz Roberto - Cantada pelo primeiro.
"Rosa Flor" - Geraldo Vandré. - Cantada por ele mesmo.
"Senhor" - Opereta em Português cantada pela Condessa nos anos 1870 e pelo poeta nos anos 2000 - De composição indisponível.


Espaço e Tempo

Objetivamente: primeira década do século XXI com incursões em outros tempos. Locações: Estado do Rio, na capital e no grande Rio. Niterói - Tomadas extensas. Saída do Poeta de manhã cedo decorando canções como "Depois é só chorar". Para cenas da Condessa, lugares como Maricá (Estrada Velha), Araruama e o restante da região dos lagos. Cenas na capital paulista. (para tomadas da cantante do tempo) Passagens em Strasbourg, França. (tomadas sonoras feitas de saudade e tempo). Tempo específico: Junho (junho arquétipo pré e pós anos 2000, antes ou depois do aquecimento global)



"Todo junho tem um veranico esperando por você"



"Sempre torci o nariz pro sub surrealismo"

"No ar parado passou um lamento, riscou a noite e desapareceu"

Entre brumas e trevas tudo é silêncio que podemos tocar. Espreitamos a meia noite de longe. Esperando aquele que vai chegar silencioso. Num som de uma música, num eterno crescendo.
Tum, Tum, Tum...
E já nasce da manhã um tempo que é o veranico. Aquele que só nasce nessa época do ano.


Era verdade que José Carlo era doente.
Naquele tempo todos trazíamos no peito algo maior que o mundo. Uma vontade de vida que não tinha nada a ver com o que fazíamos ou escrevíamos.
Ou falarei eu, ou José Carlo.
Chega um momento em que somente um deve falar. Um confessar a falta do outro. Ou enumerar as aventuras de vida, escondidas em pequenos meses - quase um balanço da poética:

José Carlo troça troçando a frase de Henrique "Talvez eu tenha encontrado a abstração maior. Foi bom ter te encontrado. Vim contigo na cabeça o tempo todo, o tempo todo.”.
O pior de tudo confessam os dois, foi ter encontrado na rua um homem que trabalhava e que disse ser poeta. Era um segurança de um restaurante chique na avenida atlântica. E era um poeta que nunca tinha mostrado a ninguém o que escrevera. E guardava todas as poesias na gaveta e dizia com uma autoridade quase divina: "Eu sou poeta".
Pensei quantas gavetas ele poderia ter e o que poderia escrever.
O tempo em que fomos artistas. Trazíamos todos algo no peito. Algo que não sentíamos e não suspeitávamos. Ou falarei eu.
Ou Zé Carlo.
Confundir é a única regra que existe.
Segundo o entendimento que tiverdes.
Até esse livro, tão misterioso que atraso a leitura.
Para outra explosão poética que ainda não experimento. Mas fico com suas frases e seus plágios. "Frente a ti meu carinho é pouco. Meu amor é ralo frente ao teu olhar e a tua proteção que me faziam ter vergonha de existir"
Rio de Janeiro. Tempo de pedrada. Avenida Atlântica. Embalo não 71. E sim 07.
Século XX is dead e você vai ficar aí parado?
Vais jogar xadrez na penumbra vendendo sua arte vendida e seus sabonetes que mais serviriam para perfurmar tua podridão.
Não há banho todo dia.

- Pausa para o aquecimento global.

Aquecimento global impera. E meu novo século já começa com vontade de terminar. O mundo está entrando em greve, ninguém sente isso? O mundo vai entrar em greve. Não é essa ignorância desses religiosos imbecis que falam de fim de mundo toda hora e nesse papo escroto de juízo final com palhaçada de estrela cair e toda essa macaquice enfeitada da bíblia. Falo sim em mundo acabar por razões humanas, por estupidez e ganância.


Enquanto isso José Carlo ama.
E me repreende por atacar o messianismo dos religiosos.
Tudo bem cara, desculpe. Desculpem-me.
Ela voltará. Aquela que roubou teus versos na praça escura. A Sara. (Era verdade que Sara era doente)
A minha praça.
A minha mesma praça idealizada no fim do verão de 2005 quando o mundo entrava em assembléia final.
E os pepinos brotavam tão férteis quanto o falo primordial. Da minha terra que fiz questão de conhecer seu cio antes de começar a desandar.
Fiz questão de conhecer o inverno também.
De ver o que é tempo e terra.
Porque tá acabando tudo.

Foi o último verão normal.
Aquele de 2005.
Depois tudo começou a ficar estranho.

- Renato Russo cantando "Por enquanto"

-Nas ruas de Strasbourg ecoa a canção "Vamos fazer um filme", depois do almoço de domingo típico da Alsácia.

Adoeço na voz daquela mulher que é feita só de embriaguez de amor, mas de amor, cara, compreende, ela tá ligadona, apaixonada na dele e ele nem liga. Mas a culpa é de quem? De ninguém, por isso! isso é absurdo, mas se liga cara, o que ela faz, ela transforma aquilo que ela sente, numa coisa linda demais, puxa cara, como é que pode, é de arrepiar, que porra é aquela, como que ela consegue, mas assim nem eu, nem eu, eu também vou chorar junto com ela, vou chegar lá, amigo, dizendo e beber com ela, e compreender e falar e rir, pois assim é, escuta, ninguém canta como ela, ela é o próprio sofrimento personificado, pois acho que estamos juntos e não vou desperdiçar essa pira sem dizer isso pra ela, acho sim que nascemos carimbados com qualquer coisa que não sabemos, e cara, olha só isso, olha o que ela tá fazendo, cara, ela tá ainda no final dos anos 50 e o mundo pra ela é toda uma promessa bonita, pode deixar não vou estragar nada, só quero me aproximar e bater um papo com ela.

- Naquele tempo todos trazíamos no peito uma máquina de escrever sofrimento -

Ou tomarei eu a fala.
Ou Maysa
Confundir é a única regra que existe. Segundo o entendimento que tiverdes.

Então vamo lá, no ar parado ficou um lamento. Tá tudo bem. Imagino um frio. No ar parado PASSOU um lamento. E pra onde foi? Sumiu, tá eu entendi, mas o que vem depois? Vem chão de estrelas ou zinco furado. Ou lua cheia que já tá triste, não não dá pra botar a porra da atriz pisando nos astros. Muda essa cena. Na minha vida, tem uma saudade grande que soluça as vezes. Isso!!! já que não temos lua cheia faremos tristeza com escuridão total. E na escuridão total tanto faz o beijo ou o lamento ou o choro, tanto faz o corpo tanto faz. Tanto faz isso Tanto faz aquilo tanto faz dez minutos atrás. Tanto faz teia de aranha.


- Naquele tempo todos trazíamos no peito um livro do Augusto dos Anjos -
Ou tomarei eu a fala.
Ou a Condessa de Marília Paula.

- Altiva, com seus vestidos da década de 1870 chega a Condessa já com seus quarenta anos se aproxima e começa a cantar uma opereta em português.

"Senhor, senhor, meu coração eu te dei
Senhor, senhor, todo meu corpo te dei
Senhor, senhor, contigo me deitei
Para uma noite apenas
Para uma noite apenas
Senhor, senhor, depois não voltaste a mim
Senhor, senhor, e hoje eu choro
Senhor, senhor, quero te acordar o povo
Senhor, senhor para deitar contigo de novo"

Não bastasse o absurdo da letra cantada pela Condessa em época tão remota, lembremos da cena que vem depois do fim do filme quando o poeta sai de manhãzinha de uma casa qualquer após uma noite de esbórnia. Ele vem, caminhando, já com tudo decorado. A mesma canção que cantava a Condessa há mais de cento e cinqüenta anos.

E eu fui andando pela rua escura para poder chorar. Depois de ter sido beijado por alguém que eu não gostava. E chorava por não compreender que nada podia fazer. E eu lavei minha boca na boca do meu poeta. Cheguei e pedi um beijo escuro e triste e continuei andando pela rua escura agora com um coração dentro do trem interior esperando o ônibus e contando e decorando os minutos depois da frase que fiz para o poeta.

Ou tomarei eu a fala.
Ou o poeta.
Confundir é a única regra que existe.
Segundo o entendimento de merda.

Novamente vamos para a segunda cena. O poeta está ouvindo "Fica comigo esta noite" e tem um quê de tango. Escuridão. Lua crescente ou minguante tanto faz. Não, existe, tem diferença, mas não interessa. Depois do beijo forçado ele procura o outro poeta. Antes de esperar o ônibus após o beijo decorando a noite passada.
Um ninho de tristeza veio se aninhar.

Ou tomarei eu a fala.
Ou a fala me tomará em goles profundos.

E eu me deglutirei num êxtase louco.
Serei engolido por mim mesmo. Como aquela figura da cobra que morde o rabo, assim mesmo.

Poeta solene declama texto solene em noite solene em vida solene em situação solene em viadagem solene:

Das tuas costas fiz o mapa da minha perdição
Me guiei por teus olhos para me perder na tua mão
Para me viciar em teu corpo
I would like to kiss
Você todo.
All of you.


Naquele tempo todos trazíamos no peito uma vergonha imensa de ser jovem.
Eu odeio a minha juventude.
Eu tenho horror a minha juventude.
Asco.
Ojeriza.
Nojo.
Pavor
Então a carga de ódio, ódio superior.
José Carlo posando de constante, tentando apasiguar a situação. de amigo boa pinta diz:

"vá procurar algum trabalho. É só pararem de abandonar poesias lá."

Ou tomarei eu a fala. Ou ou narrador.

A Condessa de Marília Paula morreu. Todos sabemos que morreu. Ela morreu em 1924.
Com 97 anos.

"No ar parado passou um lamento. Riscou a noite. E desapareceu.
Depois a lua ficou mais sozinha. Foi ficando triste e também se escondeu"

Nããããooooooooooo! Pára isso.
Stop. Isso aperta o stop, o símbolo quadrado. O símbolo universal do stop.
Como assim. Como ela vai pisar nos astros, nas estrelas salpicadas. Meu filho, meu filho, aquele nível de poesia ninguém consegue, agora você só sente cheiro mas não provarás de cabrocha nenhuma salpicada com pequenas estrelinhas. Já já te digo onde vai estar uma das estrelas. Qual classificados oferecendo putas em nossos dias.

Continua:

"Na minha vida uma saudade meiga soluçou baixinho
No meu olhar um mundo de tristezas veio se aninhar
Minha canção ficou assim sem jeito
Cheio de desejo.
E eu fui andando. Pela rua escura pra poder chorar"

É aí que entra o poeta triste ouvindo o fica comigo esta noite com um quê de tango esperando lavar a boca na boca do outro poeta na noite ou no escuro da noite. Na praça que já não é mais de Zé Carlo em seus últimos dias antes de fechar.

Ou tomarei eu a fala.
Ou Henrique.

Confundir é o único produto que existe.
Segundo a promoção que tiverdes.

E a cena termina no começo. Quando ele começa a decorar o poeta. Para encontrá-lo no dia seguinte. E no outro dia consumar a paixão. Os créditos chegam botando banca incomodando a todos que esperavam ansiosos o que poderia acontecer dali. E atropelando os créditos entra a música da Maysa que por sua vez é atropelada pelo silêncio atordoador que é muito alto, alto demais. Tão alto que todos saem tapando os ouvidos. E são muitos os que entram em coma de choro profundo. De êxtase orgiático, em comunhão com qualquer coisa que nos é estranha. E depois, está consumado o qualquer coisa que se pensou.

Estou cansado

Estou cansado

Estou cansado

Estou cansado

Porém cansado

Contudo cansado

Todavia cansado

Enquanto cansado

Sempre cansado



Cultivo a minha cultura de buteco



Bebendo-te aos goles arrependidos e amargos.



Te tenho em cartao postal que admiro



O amor é um monstro que criamos em nossos coraçoes



Eu nao quero saber de nada.

Já nao preciso de til

Para nasalar minha vida



Eu, eu, eu, eu, mira

Estou enamorado

(25 de Julho de 2008 - septiembre 2009)

segunda-feira, setembro 07, 2009

Araketu en Esmeralda al 900

E como vivia já há mais de trinta anos naquela terra, as suas referências não se prendiam a muitos preconceitos bobos que ainda existem em matéria de música popular. E eu me deliciava nessa idéia, no seu gostar de ensinar, no seu português com a mesma malandragem de sempre. Ela, ela que viveu lá pros cantos da zona sul há mais de 35 anos e quando lá voltou não se reconheceu viu que a sua dor não tinha nome, cidade, país nem endereço.
E dispunha assim na mesa o repertório das canções que todos iam executar. Passava de Lígia de Tom Jobim a Caçamba do molejão num lindo piscar de olhos.
E eu estava lá, forasteiro do forasteiro, fingindo-me mais brasileiro exercendo brasilidade ao contrário, sentado na minha poltrona assistindo a apresentação do grupo mais avançado que já não mais beliscava o pandeiro.
Os primeiros acordes, o ritmo, o primeiro verso me coçaram na cabeça canção que conhecia de longe, talvez outro achado, talvez outra música livre dos preconceitos, sendo executada assim em toda a sua beleza. E a identificação maior na letra, mordendo o lábio para não chorar, vontade de sair e ter os pés nas ruas que tanto me abençoaram. E de novo, a recaída fatal, o apelo insensato aos vinhos de dez pesos e aos ouvidos alheios, je suis trés melancolique, brincando de melancolia saía cantando tal linda canção arrependendo-me de nada, consciente do absurdo da vida e da beleza maior adivinhando caminho, adivinhando penas, adivinhando reencontros, adivinhando futuras felicidades, tomando altas pílulas do já passou, agora eu sou sentimental ao extremo e não me comedirei antes do ridículo, quero o ridículo com tudo dentro, quero assim, zen, na calma adivinhar em apartamento alheio, em conversinha íntima escutar que o adeus é uma mentirinha e que tudo foi uma linda pausa na maravilhosa idéia do existir ao teu lado, no maravilhoso verso da coisa que mete medo pela sua grandeza pelo seu absurdo pela sua grandeza, ah se eu pudesse, mais forte que pretérito imperfeito é esse pretérito que termina com esse, cruel, magnânimo, irônico e extremamente traidor da poesia mais linda, da mirada mais linda do "eu queria ser bem mais..."

quinta-feira, setembro 03, 2009

Meu Setembro Querido

Meu Setembro Querido


Eu tinha te prometido muitas coisas. Tinha te cantado em muitas músicas. Tinha te relembrado e te vivido em muitos lugares. Já não quero questionar mais limite algum. E nem crise de hábito de exposição. Ser filho de seu tempo demanda paciência e não sei o que mais.

Ser franco para contigo não sei se basta. O que fazer quando a caneta antes mesmo de escrever já busca mentir a minha mão, a minha cabeça fervilhando?

Eu tinha te prometido mudez. Resolução íntima! Não mais escrever. Tinha pensado em forçar silêncio, em retocar a maquiagem da Tieta, em demorar-me muito praqueles cantos. Inventando os mais lindos caminhos, as mais lindas trilhas. Mas oh! - Pobres e felizes daqueles que descobrem tais momentos de desencantamento... – Quanto esforço desprendido em vão. Quanta verdade ainda me resta em escutar Simone no youtube, quanta verdade ainda existe em lavar na pia os discos que o cupim quis levar. Que ternura bela, que coisa de menino, de gente assim.

Querido Setembro, hoje foi o dia mais quente do inverno. E eu chorei antes. Nas duas da tarde. Chorei o tamanho da intenção, o meu gesto que levaria a chorar minha tristeza numa Bulgária fria e solitária. Chorei o meu desmomento. Tudo isso eu chorei.

Mas para quê? Se a minha dor nem consegue bancar silêncio, fazer fita, pra dar o charme do tempo passado? Seria infame de minha parte proclamar-me um herói vencido. Caro Setembro, a intenção é longa mas o texto tem que ser curto. É que tem gente me ensinando a rir alto. Ela, que vem de gente tão bonita, ela que botou a mesa, estendeu a toalha em toda a baía para eu me sentir em casa. Logo eu, filho pródigo, buscando o novo, reconheci o quanto a novidade pode ser também vazia.

Setembro, antes de eu conhece-la, antes mesmo de conhecer também o lindo par de olhos que tanto penso, antes mesmo de conhecer a própria beleza, eu andava nas ruas do Rio com a minha timidez niteroiense. Contava tempo e dinheiro para sonhar com céu estrelado, com tangos sinceros. Assim tão avaro, assim tão severo não vi a beleza por ser ela tão grande a ocupar o mundo inteiro. Quando ela veio, veio tão linda que me marcou com um beijo sincero. Quando ela foi embora pensei saber lidar com a cartilha do desapego, com a tabuada dos sentimentos. Ledo, vivo, e belo engano.

Setembro, pense comigo como são as coisas. No meu embaralhamento, na minha confusão, no meu gaguejar encontrei quem desafinasse comigo o tal coro dos contentes. Não te ponhas amuado e comemora comigo a minha sorte. Prometi que quando você entrasse uma coisa bela aconteceria. E já tinha gente bela já desperta pra botar a mesa da primavera antes mesmo de você chegar. Mulher com sua dor, tão mulher a me consolar a face, a esquentar o café.

Rio alto Setembro. Posso dizer que sim. Rio tolamente amando, a minha caneta aberta, a vontade, parindo o filho do meu tempo. A Boa Nova que a canção diz atende pelo nome daquela que olha pela música todo o tempo, daquela que de tão conhecedora da dor faz do coro dos contentes linda exceção. E eu quero subir no ônibus com ela. Sonhar toda a vida da janela parando em qualquer ponto.

Hoje já é bem noite Setembro. E eu estou tão vivo, tão menino e tão conciliador. Deixo-te então minha resignação final: não calarei caneta, não calarei cabeça, não calarei coração. O preço é alto. Não pense que disso eu não saiba. Parcelo e pago em quantas prestações que for preciso. Juro pra mim é palavra fina. Pouco ligo e me alegro até. Até me alegro Setembro porque nesse ano a primavera veio mais cedo, com echarpe francesa e um sorriso desses de refazer o mundo.

quarta-feira, setembro 02, 2009

"Porque ninguém vai dormir nosso sonho"

Tá chegando o tempo final. O tempo final para eu parar de escutar no youtube a Simone cantando Muito Estranho. O meu rosto no espelho, a canção pela metade.

Eu só não queria assim. Eu só não queria tanta tristeza estragando coisa bela e bonita.

Eu vou pensar em dias, em dias belos, pode apostar, ficarei pensando assim nos luares mais belos e nos sóis que nos cobriram de luz quando éramos um só.

O tempo não passou e nem eu fiquei olhando na janela
Meu mundo eu quero muito hoje não ontem

Eu te amo porra.

Vou pra não voltar arrependido de tanta beleza
Vou porque por mais cafona que possa soar escolhi o caminho da Horripielândia Patrícia

Vou para quando o dia nublar violentamente
o poema que diz no man is an island me contradizendo
Estando com a certeza da solidão eterna agarrada no colo
mas nem por isso mais triste nem por isso mais desesperado
estarei cantarolando uma canção, a sua, a nossa, a deles
e do outro lado olharei eternamente a outra margem que não é outra senão a minha
no branco mais branco mais branco de todos
no novo mais novo mais novo de tudo
quando a floresta da tijuca se derreter completamente
e o cinza do mar for cínico por demais
acreditarei na nossa coragem de ter sorrido palmeiras e levezas e céus azuis e sentimentos sinceros

com muito amor

a vida.

Estava Escrito

Encontro-me em Agreste trazido pelo clima de sanatório mas não sou daqui, sou de Niterói, como se diz. Não faço minhas as desvairadas paixões a abalar o burgo, a açoitar os habitantes. Não me envolvo, apenas relato.
(Jorge Amado ; Tieta do Agreste pastora de cabras)

terça-feira, setembro 01, 2009

Spomsored by anacê singing sambachanson
&
Dalto singing Muito Estranho

Noite tão cheia de estrelas. Caio Fernando uma vez escreveu texto acompanhado de canções da Ângela Ro Ro. E hoje a noite eu quero muito Dalto na minha escrita. Estou tocado pelo fogo, sim, de uma melodia em especial. Tocado porque sincero me ponho. Tocado porque melancólico me ponho. Toda vez que bebo demais eu dou pra repetir a frase “je suis très melancolique”. Vi num filme francês. Coisa fina. Quero que a canção do Dalto ressoe. A minha segunda pessoa está tão vazia e tão sem sentido essa noite.
Já procurei exorcizar a minha escrita auto-ajuda. Absolutely Blind.
Já procurei sim. Sinto falta da tua serenidade em especial. Será a tua serenidade apenas um eco transfigurado que chegou a essa margem tão distante onde me encontro? Será a tua serenidade a tua franqueza, a tua fala vacilante? Será eu nesse margem?
Lindo o encontro e lindo o texto. Lindo as novelas mexicanas que se escrevem. Não nasci pra não achar graça. Sempre odiei Noite na Taverna. E sempre admirei a coleção vagalume.
Eu também não resisto. Aqui na minha ilhazinha, envelheço a dor da recordação mais insensata. Glória aos Insensatos porque deles é o Reino dos Céus.
Deixe-me ir Candeias, deixe-me ir, pois todavia no estoy curado.
Minha poética também está seca, e essa agora é dedicada a brasilienses, deste ar seco do mundo real.
Hoje sou aquele que está me livrando do sonho.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Dos Latifúndios das Poucas Glórias I

Ah, mas de pessoa para pessoa eu acho que convém a gente conversar agora nesse ponto que a gente chegou.


As coisas funcionam da seguinte maneira: você vai na frente arriscando versinho e eu vou atrás contabilizando as suas lágrimas e a gente vê no que dá.


A primeira das poesias eu vou assim esticando na ponte os dois lados do seu coração, fiscalizando de uma ilha qualquer o seu atrevimento.


A segunda diz de um futuro não tão distante onde você apressada nos dias nublados de inverno passava com o coração aparentemente sossegado pela janela que dava para o lado da rua.


A terceira dizia talvez o que nunca foi dito.


Ah, mas é que ouvir nessa noite aquela cantora tem um preço que eu não estou disposto a pagar.


Dá-me um navio para zarpar


Um navio para ficar.

Cedo ou tarde.

sábado, agosto 29, 2009

Os versinhos militares

Façamos valer a palavra que a direita gosta. Sua nova xodó recém-esquentada-seqüestrada. Façamos depois de 200 anos ela aproveitar seus últimos momentos com a vovó antes de ser emancipada.

E como comemoração a essa despedida avant-lettre da democracia do jugo da direita publicarei aqui versos militares recolhidos por mim em pesquisas anteriores.

Afinal devemos honrar os versinhos militares.

Honremos a pátria escrevendo poesia para o Brasil. Edificando um país grandioso unificado pela cidade de Deus. Santo Agostinho delicia-se na poesia fácil que lê lá do alto.

Os militares fazem a pátria e também fazem poesia.

Hesito ao dizer que repudio em muito a poética aqui aprensentada. As vezes a espontaneidade me aparece num sorriso natural que até esconde um sentido macabro. Preciso dizer que todos têm direito a exposição de suas idéias e poéticas.
O único local em que impera a liberdade
É talvez a poesia antes de virar poesia


"Deixar-te-ei levar a Minha Cruz;
a Minha Cruz implora a Paz e o Amor"
Vassula Ryden

Um Preâmbulo interessante:

“Jacira, menina de 11 anos de idade, acaba de fazer a sua primeira comunhão em Cristo! A pequena indiazinha de pai desconhecido, vive com sua mãe Jandira, que por sua vez, leva uma vida desregrada, dividindo seu corpo de rapariga entre os homens da cidade de Deus, estendendo a todos o que lhe resta ainda aos 23 anos de idade...
(...)
A menina Jacira segue os conselhos da freirinha Lorena, de origem portuguesa e inicia o aprendizado em costurar pequenas peças do seu vestuário! A velha máquina de costurar “Singer”, vai servindo à comunidade indígena dentro do conceito de solidariedade iniciado pelo Jesuíta Hans MULLER, ainda pronunciando vogais trocadas do vocabulário da língua portuguesa!
O momento é de preocupação para a menina que cresce dentro dos padrões de moral e respeito em virtude dos ensinamentos recebidos de pessoas, como: o Jesuíta Hans MULLER, a freirinha Lorena e o médico Paulo Roberto de Alentejo, este último, filho de portugueses. A volta de Jacira ao final de cada tarde à casa de sua mãe Jandira, - de má reputação no núcleo de assoladores da selva amazônica denominada cidade de DEUS – só lhe tem trazido desconforto moral!(Luiz e Dilma Faggioni ; in: Vestígios da Liberdade)



E agora, manuelcarlocizando a parada, mais um trecho interessante:

“O parque da cidade acolhe as crianças, acompanhadas de suas babás, na parte da manhã, sob o sol brilhante da primavera recém-chegada!O sol desce sobre árvores frondosas, atingindo em cheio as pequeninas amendoeiras ao desprender suas folhas mortas, fustigadas pela estação de inverno, agora mais distante das crianças, adultos e idosos; visitantes assíduos e freqüentadores eventuais do notável reduto que a natureza proporciona aos moradores da região sudeste, deste país da América do sul” (Luiz e Dilma Faggioni ; in: Vestígios da Liberdade)


E agora, os poetas e os versinhos militares:


“Ó pátria iluminada
Teu breve calor me esquenta
Na imensidão da Amazônia
Eu encontro tua grandeza
Que me cura da insônia”
(Coronel Emiliano Marcelino Cunha P. – Na reserva desde 09 de Julho de 1983)


“Pátria amada
Idolatrada
Salve
Selva”
(Coronel Moderno Gentil de Almeida – Na ativa e com pretensões modernísticas)

“Poderá um dia a vida
A moral
A família
A religião
E tudo que é bom
Fazer o país?
E salvar os nossos índios do inferno?”
(Cabo com pretensões pós-jesuíticas, sem data de nascimento)


"O Bispo Sardinha
Ressuscitarei
Junto com o Padre Perereca
E juntos marcharemos
Com Deus
Para a honra e a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo"
(Padre ex-militar dos rincões do Mato Grosso)


"Viva a índiazinha
Que altiva anda
Vestidinha
A pregar a história de sua mãe
Maria
A abafar os gentios
A dar hóstia em vez de carne
A dar luz em vez de trevas
Salvem minha indiazinha
Freirinha do meu coração
Pois é a ela quem dedico
O frescor de meu coração"

(General Jacob de Assunção – Fevereiro de 1978)



Ponto de vista

Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.

(Generala Leila Miccolis, na ativa desde tempos imemoriais...)

01:26 A.M.

Diário de bordo navegante atrevido

Escutei no rádio que a promessa da águaneve em fim de inverno era mera especulação.
Tive vontade de te ligar e saber novidades pernambucanas. Não tinha dinheiro.
Acordei com uma música na cabeça. Uma música que tem a ver com o Rio de Janeiro. Cantei a música mesmo sem ritmo para mim mesmo e me imaginei mais perto daquele lugar. A música não cita explicitamente o Rio, mas é completamente Rio de Janeiro, da cabeça aos pés, bem mais que Cidade Maravilhosa. Fiz uma coisa muito feia. Menti sobre uma poesia e abusei da imagem da Ana Cristina C. Falsifiquei uma poesia minha e dei o seu nome. Brinquei de ser ela. Nem perceberam.

Não quero mais fazer considerações a respeito do plágio. Quero lembrar do jeito em que comias arroz nas noites angustiantes de domingo. Tudo bem, planos a parte sua vida a minha vida, nossa vida, a gente tem que sair, que fazer, deixa pra depois, a gente faz promessa, vai fazer calor.

E seu elevador sempre elemento estrangeiro me levando para o térreo já madrugada de segunda-feira tenho que dormir mais pois assim não dá, começar a semana assim, namorinho de portão, domingo a noite é demais para uma semana só.
Segunda embaçada de primavera carioca, clima abafado, promessa de vida no metrô, e quando faz duas horas eu quase me arrebento de tanta poesia que meu nariz sangra. Êta primavera seca. Mas não faz mal, não faz mal que a semana tem cinco dias e eu cinco dedos, cinco sentidos para te traduzir.

A música sonhada foi a saudade congelada do Rio. Domesticada para dizer a verdade:

“Dia após dia
Começo a encontrar
Mais de mil maneiras
De amar”

E dois dos meus dedos se atreverão a tocar os seus. Nós somos filhos do nosso tempo. Falo pelos cotovelos pra você, me excedo, mas faço tempo para você falar e se expor e eu A-D-O-R-O as suas respiradas lentas, os seus silêncios repentinos. E depois o seu falar completamente sincronizado, alto, claro, projetado, dicção perfeita.

Hoje vai chover. Deu no jornal. Parece que já chegou o verão.

P.S. – Da próxima vez prometo-te prostituição. De uma vez só. Sem dor e com muito sabor.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Dos mini-apaixonamentos

Mini-Apaixonamento diário

Receita para um bom viver:

Deslumbramento. Pela mão alheia.
Perguntinhas básicas.

Comidinha sincera.

Pequenos caquinhos de cumplicidade.

O sorriso que não para de rir.

Um pouco de tempo, segundinhos a toa.

E quando da sinceridade e quando do amor
Confessar o objeto da perda confessar o objeto da dor

Embalar ao som da canção mais linda o amor que chega afoito na rodoviária no aeroporto na esquina. E trazer assim com cuidado todo bordadinho de clichês apresentando-te aqui eis a minha cidade e quando do amor

Reivindicar para si o caráter de mini-apaixonamento e confessar lá no fim o estar atrapado em sua linha estar atrapado em seus olhos estar atrapado em sua língua estar atrapado em seu sotaque estar atrapado em sua ausência

O cheiro da tua colônia. Aditivo para a desconfiguração de mini-apaixonamentos

Dosagem de sal e de lugares bonitos. Intocáveis. Preservar ou não as paisagens mais belas? Preservar ou não as canções ou os discos ainda intocados?

Toque de mestre, sambinha de roda espontâneo, eternas musicas lindas do Legião, linda voz de linda gente, o amor que já ousa dizer que é Doriana All Happy Day, doriana all happy day enquanto durar a noite enquanto durar o dia enquanto durar a semana enquanto durar uma vida

O último pedaço da torta
A esquina, Novo Rio banhada em lágrimas, um Galeão de desespero, uma barca afundada

A digestão
cautela cautela ao extremo nunca é muito

Render glórias ao meu Santo, ao meu Padroeiro na minha cidade
ofertar flores
poesias
e ligações caras

Espancar o trocadilho que diz a bela flor da poesia

E recomeçar enxugando os pontos, vestindo as lágrimas e inventando sorrisos.

quarta-feira, agosto 26, 2009

C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie

(GUANABARA LOVE ; A PRATA QUE LEVO NO PULSO)

Proibido pisar na grama
legal, legal, legal, legal, legal, legal, legal, legal,

você gosta de sonhar?
você gostaria de sonhar comigo?

você + comigo = sambinha intimista.

(A CASA DO AMOR ; CIUDAD SIN FIN)

C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie
C'est une belle maladie que tu as là, la nostalgie

segunda-feira, agosto 24, 2009

pour Elise

As vezes o verão se pintava de forma rara, se punha melancólico, cabisbaixo, sereno e escondia para si a alegria que tinha e todo aquele brilho no olhar que muitos reconheciam. Nesses momentos o que a gente fazia era sacar a tristeza para passear um pouquinho pelo ar sereno e fresco da madrugada e de mãos dadas a gente brincava de maldizer a nossa sorte, aumentando a nossa angústia para mais apertado ser o abraço.

Aquela vaca um dia resolvera chegar cedo bancando a putona trazendo coisas escondidas e promovendo altas coisas que nos deixavam atônitos e com uma puta vontade de mandá-la para o quinto dos infernos.

Mas cadê que fazíamos isso? Era uma vaca apaixonante, diante dela perdíamos todos os nossos julgamentos, juízos, razões, e tudo o mais e ficávamos a escutar a sua voz ou então nos escravizávamos em pequenas ações como providenciar-lhe cigarros ou agrados pequenos.

Pois então um dia a piranha extrapolou e ficou trancada no banheiro da sete da manha até as duas da tarde confabulando algo que os nossos ouvidos atentos não podiam pescar. Ouvíamos susurros e gestos e uma série de coisas que nos mostravam o tamanho da loucura que ela levava na cabeça. Não adiantaram a tentativa de arrombar a porta e os berros incessantes.

- Pois tu não sabes bem que aquela mulher não sabe o que faz?

E eu mandava pro caralho aquelas palavras de razão e reflexão que Antonio me propunha. Ficava assim enfiando palitinho na fechadura chamando ela de escrota vadia filha de uma puta mal parida e tudo o mais. Cheguei até a cozinhar e deixar o prato perto da porta e talvez passar o cheiro da comida pelo buraco da fechadura mas eu nada conseguia ver e ela continuava susurrando um texto famoso e eu sabia que ela estava fazendo aquilo para algum experimento dela e eu não queria bancar o ratinho a cobaia.

Foi então que resolvi barbarizar e promovi o que encarei como uma das coisas mais subversivas da minha existência.

Fui até a cozinha e comecei a cozinhar o mais lindo dos almoços e botei o rádio no máximo volume encerrando-me na minha própria redoma, fazendo o que tinha que realmente fazer, cheguei a tentar alguns passos de dança e picando o alho lhe disse a verdade que fez com que ela saísse do banheiro, olhares atônitos e tristes e desabasse num choro convulsivo na minha frente.

Era tanta lágrimas que a nossa comida pareceu salgada e o bom que depois do choro dava para gente se tocar de forma nova e descobrir novas zonas de carinho e tensão nunca mais descobertas. Meus xingamentos para com ela mudavam de cor e viravam a mais bela das poesias, a mais bela das declarações para a mais bela das mulheres.
Era verdade que Sara era doente.

Pois bem, tudo isto eu estava a saber desde que cheguei por estas terras estranhas. Pois tu bem vês que o tempo está a mudar e as coisas vão terminar.

Ela gostava de ficar lendo Saramago em voz alta e forçando um sotaque que não tinha. Mas saía sim a rabiscar depois alguns poemas que chamava de poema instantâneo, escritos, lidos e jogados na privada.
"A perfeição e a merda escondem as duas uma semelhança e uma relação profundamente intensa que as nossas faculdades humanas não raro poderão saber." dizia ela.

Pedido

Meu amor
Abro meu livro e penso que tudo escrito tá tão bonito
Tenho vontade de fechá-lo e guardá-lo
Longe da poeira e do tempo

Do tempo! Nem do tempo eu me atreveria a zombar
É que tem feito tanto frio que meu nariz arde toda vez que respiro fundo
E a minha poesia auto-ajuda tá perdendo a validade

E tem me saído tão difícil descolar um verso da prosa que fica me puxando

Acho que são as conjunções novas que aprendi
Chiquérrimas que só elas

A sustentável leveza da minha caneta
Golpeia o papel virgem e mudo
Minha alma tá vomitada no breu
Das palavras que não entendo

De resto é livro complicado
É gente que não entendo

A minha poesia brigou feio com os outros mundos
E saiu sozinha, colar forte, vestido rasgado
A caminhar na rua, rejeitando ajuda

O que te peço é que não te preocupes
Se por acaso encontrares com ela, loucamente insana
Diaba revoltada, fúria arrombada

Finja calma e lhe mostre o caminho da salvação
Imponha-lhe sessão de descarrego em dose tripla

Abrindo-lhe as portas do seu coração.

domingo, agosto 23, 2009

Enchantée

Para ser lido ao som de "Coração do Agreste" (Moacyr Luz e Aldir Blanc) interpretada por Fafá de Belém.

http://www.youtube.com/watch?v=k33E1C5YqW8



Eu, Tieta do Agreste, certifico, lavro e dou fé na minha decência.

A minha Santana do Agreste já não respira mais o mesmo ar. De novo, toda novinha, toda velhinha, toda santinha me quer receber com o mesmo olhar com o mesmo carinho.


E meu cajado, meus cabelos grandes e o meu desejo são grandes demais pra ficarem assim juntinho, quietinho na Igrejinha de Maria Paula.


É que me mostraram tantos paraísos...


E foi mais ou menos assim.

Eu vi a foto que dizia berço esplêndido onde dormia morto o meu Brasil.


Mas como boa devota que sou


Insisto nas minhas rezas até o dia do amanhã.

E ganho de presente a quase tijucana

Dos seios perdidos.


A dor irás mensurála nas letrinhas que te escrevem

Assim calmamente, pois por aqui também já passou sexta feira

E Santana do Agreste se arruma pra 2º festa de Maria Paula

Com roda gigante, barraquinha e labamba


As desculpas a Tieta aqui joga atrevida lá na baía

Pois lá não mora o amor a dor a flor nem nada


Quanto a dançar.

Eu também não.

Nem Marina

Nem Vanessão.


E sobre o carro vermelho

Aposto tudo e encho o tanque

Cheque especial

Bolsa do cnpq


Dá pra chegar até lá pros cantos de Sonora

Ou Terra do Fogo

Que tal?


Eu, Tieta do Agreste

Exagerada

Descomedida

Não sei fazer verso pequeno

Nem poesia torpe

Nem haikai


Eu, Tieta do Agreste

Quero você antes do almoço

Quero o paraíso com tudo dentro

Quero o juízo final sem juros

A volta do Messias

O reino dos Céus

O seu decote


Era uma vez um moço bonito


Assim tão moço assim tão bonito

Era uma vez ele todos os dias


O cigarro que ele fumou

E jogou no chão do meu quarto

Denuncia a sua presença


Sim, menina


Copiar e colar figura de linguagem

Minha primeira metáfora

Para dizer meu desejo

Fumando-se assim


Sem cobra

Nem paraíso

Nem inferno.

Águas de Março

Esta carta tem trilha sonora de fim de verão. Por que não? Eu sempre fui muito alheia à frieza dos emails e de seus excessos de informalidade. Não que eu seja a formalidade em pessoa – isso tu bem sabes- é que me faz falta sentar, pegar a caneta e escrever-te longas cartas, observar o traçado da letra nos distintos momentos da folha, os erros, as belezas intrínsecas de cada letrinha, enfim, estas coisas...

Pois então, os dias aqui tem sido úteis para mim. Tenho me fechado algumas horas por dia e pela noite ando cultivando uma vida social fenomenal. Estou irreconhecível. Dias desses lembrei-me do dia em que te encontrei naquele bar no seu aniversário. Você tava assim tão solene, tão arrumada para a sua festa que eu achei aquilo tão terno, tão sincero que enchia a ocasião da mais alta importância. Os olhares que a gente havia trocado até aquele dia não passavam de pequenas brincadeiras, um meio que gostar de longe. Mas a partir do momento em que me sentei, meio forasteira, naquela mesa de bar ao redor de teus amigos, me senti como que iniciada. Lembro que se ouvia Cartola e você me dizia sobre a genialidade do cara como se ninguém já tivesse dito antes. Lembro também que você falou um dia que a Aline Barros ia se revoltar cortar o cabelo e ia cantar aquilo que você chamava sem nenhum pudor de Sapa Music. E eu ria, e eu ouvia, me encantando assim pouco a pouco. Não sei se você já reparou, mas nesses momentos a gente se prende em coisas como copo de cerveja, o tempo, o garçom. Essas coisas. Experimente só. Aí no Rio mesmo. Tente prestar atenção nesses atozinhos aos quais nos entregamos. Você estava fazendo 25 anos. Isso de 25, fechadinho, talvez tenha contribuído para o tom solene da ocasião. Talvez o fato de se tratar de seu primeiro aniversário nessa terra que você tinha escolhido para viver. Te confesso agora que sempre adorei esse seu sotaque de fora, meio amineirado sei lá. Me deliciava com as suas vogais e o seu sorrir depois de algumas palavras, meio que cúmplice das coisas ao meu redor. Baixar os olhos era fatal para mim, a essa altura já embriagada de tanta beleza. Como se não bastasse você levava o cabelo solto – coisa rara naquele tempo. O seu vestido mesmo, naquela altura estranho pra mim, já começava a me conquistar.

Não te peço aborrecimento nestas linhas, nem tom apocalíptico, saudosista ou boêmio. Estou fazendo justiça ao nosso desencontro e meio que me sustentando aqui nesse lugar onde estou. Já te adivinho talvez um pouco impaciente, confirmando previsibilidades. E no sofá da sua sala sentada não largando as folhas da carta, conferindo remetente, fazendo buf com a boca. Mas eu digo que essa carta é antes de tudo uma celebração.

Celebração essa que me inspira a lembrar-me daquela noite do seu aniversário. Era no dia em que começava o inverno. O mais estranho era que a noite estava agradabilíssima. E eu estava perdidíssima naqueles tempos. E te via assim como uma ilha, um refúgio. E foi justamente naquela noite que você como ilha me fez continente e me permitiu assim adentrar em território alheio. “Pedimos a conta e vamos” disse você que era o verso mais lindo da literatura brasileira. Sei que vais agora estar rindo de minha metáfora incompleta. Desgraçada! Mas era mais ou menos isso, aquele papo de dizer que no man is na island, essas coisas aí.

Ah, Letícia, porque o futuro foi tão escroto com a gente? Eu tô um pouco puta, sabia? Nos dois sentidos dessa tão rica palavra. Sou uma puta ao quadrado. Estou ficando meio católica – medo! – nos últimos dias. Sei lá, tô ficando cheia das viadagens, admitindo até a palavra promiscuidade no meu dicionário. Palavrinha essa que sempre tinha mandado pro inferno.

Dias desses, pegamos aqui um barco pro Delta, eu, duas amigas e a turma do Francisco. Fomos para uma casa um pouco longe da cidade. Churrasqueira, cerveja, céu lindo, calorzinho gringo aguado. Chegando no lugar já fui ficando de ovo virado, meio totalitária me arrependendo de tudo. Tava tudo uma merda, a cerveja, o pessoal, a comida, a música – a música! Oh, que horror, não agüentava mais aquelas músicas. A própria língua foi me dando nos nervos. Fiquei lá mais de uma hora tentando catar uma bendita música da Aline Barros pra mostrar pro pessoal e a merda do computador emperrava. Aquilo foi me dando nos nervos e eu fui tomando um pileque brabo. E saí gritando pra todo mundo ir tomar no cú, fui falando mermo, no português mais sujo que possa existir. Dei barraco, mostrei a bunda e falei verdades inconvenientes. Caí num porre moral filho da puta. Na volta não consegui olhar pra cara de ninguém. Tava toda fedida, molhada, queria tomar banho e dormir de lençol novo. Lá pra Retiro começou a chover e o ônibus demorou horrores. Foi mais ou menos depois desse dia que tive umas recaídas meio católicas. Comecei a admirar freiras. Como são especiais as freiras né? Cheguei a pensar em ser freira, só pra vestir aquela roupa e preservar a pornografia do meu corpo a sete chaves. Comecei a pensar nisso depois que conheci aquela estatua que você me mostrou no google imagens do êxtase de Santa Teresa. Achei tudo tão lindo. Sabe, acho a fé uma coisa belíssima e há algo de brocha naquele que não tem fé. Acho que a fé existe e a gente tem que direcioná-la para o lugar que a gente quer. Seja pra Deus, pra alguma causa, ginástica, sei lá.

Depois desse episódio infame fui me recompondo. Telefonando, escrevendo mensagenzinhas, mandando beijinho. E fui me ajeitando. E você me era um pensamento distante. Até o dia de hoje em que acordei com o seu nome na boca. E resolvi te escrever, assim fisicamente, com folha, caneta e esforço da minha mão que observo agora, com suas unhas roídas a segurar a caneta. Engraçado que a caneta parece ter vida própria, parece dançar para o meu olhar, que atônito vê as palavras se escreverem assim tão rapidinho.

Letícia, filha minha, meu coração ta inchado de saudade. Saudade boa, saudade ruim, saudade. Odeio esse papo de falar que saudade só tem no português. Acho uma breguice que só vendo. Tô com nostalgia, sentindo sua falta e também te desejando. De longe, na espreita. Não sei quando nos veremos nem como estaremos quando nos encontrarmos. É que hoje fiquei ouvindo Miles Davis com whisky Hiram Walker 9 pesos, bancando a intelectual lendo Daniele Steel. Achei tão linda a imagem que tive vontade de tirar foto. Daí acabou o Miles Davis e eu botei o Cartola pra cantar. E justamente na quarta música deu o click e lembrei de ti e do sonho que havia tido. Tudo ficou tão claro que me senti cúmplice de alguma coisa que precisava dividir contigo. E tô fazendo isso. Te amo um bocado, sabia? E tô deixando a saudade em banho-maria. O tempo cura tudo, mas tem sido um médico meio sacana pra mim. Tá de greve. Não sei como essa carta vai te encontrar. Espero que bem, feliz e radiante. Deixo aqui os mais sinceros beijos e abraços. Espero a sua resposta.

Com carinho, demasiado carinho,

Maria.

sábado, agosto 22, 2009

A outra do outro do outro lado.

E se eu escrevesse que lá no fundo mais belo a recíproca sempre foi verdadeira? E se eu confessasse a emoção da surpresa, da verdade mais linda que as palavras ainda reservam às pessoas? E que me reservaram aqui nesse agosto um pouco perdido, um pouco pesado, sempre irreal. E a incerteza me responde que ainda é possível ser feliz em agosto, ainda é possível recomeçar a mesma linda canção que diz tantos nomes. Ainda são possíveis os boleros mais insuspeitos, ainda são possíveis Las Cumparsitas.
Mas como são visíveis, mas como são claros aqueles que no fundo ainda cantam a mesma linda canção! Nas tantas lindas outras margens, nos tantos lindos outros portos... Mas como ainda é possível repetir os mais lindos momentos e inventar reconhecimentos nas paisagens mais belas, nas chaves mais secretas. De abandono macio levo no peito a paixão fulminante. Levo sim fantasiação de um dia vir a ter contigo assim em outro porto ou em outra barra e perguntar sua opinião sobre a fórmula "rêver tout la vie".
Mas, minha menina, não pense em derrota não, não pense em chuva nem resignação. Também tive sexta feira a noite ao som da Warwick cantando Walk on By. Também tive. Talvez também burro, talvez também resignado, driblando a gramática pra escrever uma mensagem que se entendesse, pra escrever lá praqueles cantos, lá praquela chuva, lá praquele inverno, lá praquela outra língua.
Mas não somos nós deixados não. Somos todos deixados, somos todos a noite em claro, somos todos fragmentos que vão do a ao z. Vão de Ana C. Vão de tempo de guerra. Vão de turbilhão. Vão de outono distante, vão de saber já olhar o Rio por onde a vida passa. Vão de tudo isso.
A mim me resta e custa decorar, olhar o comecinho.
Hoje o meu sábado ainda é sexta. E Warwick ainda não me enjoa. Ouça. Te peço. É um porto a mais.
E meu otimismo insuspeito é medicina diária.

Eu e você, assim talvez no mesmo aquário que de tão grande é do tamanho do mundo.
Quantas 9 de Julio ligarão então nossa dor?

Quem nos fala?

Meu Querido.

Hermes
(Porque tu barca tiene que partir...)


O inverno tolerável ao meu outro lado da baía me repete a linda nova ladainha

Noite Ilustrada canta o meu sentimento nas estrelas pois visitei a beira da baía

Dia desses

Lá, naquela mesma árvore
Havia um coração partido.
Pintado em liqued-paper

(E nenhum vestígio mais da noite que ali dormiu)


Sinto em mim o borbulhar da caretice
Mas não relaxo não.

(a ponte parte meu coração)

É que foi tudo muito sincero
E conjugar assim no passado põe melhor
A minha loucura a conta gotas
O meu navio me esperando

Mas o Marina me observa
A minha passagem
O meu convite
O meu amor

Naquela penúltima
terceira
margem
do outro lado

do meu bom senso.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Momento.

O jogo final advertido e instantâneo se fazia luz

Quando você da penumbra revisava os cadernos

E as folhas em busca de algo



E eu atrás fingindo desinteresse

Cúmplice das tuas noites de domingo

Jogando mais uma dose goela abaixo



- Ah amor! Faz isso não que a vida é uma só.

- Ah amor! Que tô cansado de eternidades.



Vem, me dá a mão que a gente reinventa rotinas

Primavera, verão, primavera, verão.



No final sempre nos resta o mar ao longe

A música e a nossa fome



Que mais a gente pode reclamar

Ao Deus feio e mentiroso

Que você um dia me revelou?

quarta-feira, agosto 19, 2009

Confissões de Adolescente

Carinho

Diante do anúncio da sua partida fiquei um pouco triste. Por vários motivos te poderia dizer. Mas é que agora eu me sinto assim tão particular para te dizer realmente. É que naquela época eu não passava de um mero rapaz aposentado pelos meus sonhos. Me lembro perfeitamente o quanto me parecia belo escrever textos que pareciam fim de romances, que pareciam desabafos. E como os escrevia com uma certeza bela! Como o bater dos dedos no teclado me saía lindo, me saía verdadeiro! Aquilo sim era de verdade o auge da minha juventude como homem ou também como cinicamente uns chamam poeta. Foi a partir dos vinte e tanto – ou trinta e pouco? – que comecei a ter vergonha dessa palavra. Senti uma certa suspeita, um certo retorno à adolescência, mas desde aquele momento escrever poeta me parecia muito pesado, me deixava assim com a certeza mais cínica de fraude. Até então ainda não tinha lido um pessoal que viria a dar corpo à essas minhas suspeitas. Foi então que eu resolvi buscar o silêncio maior, uma espécie de religião ao contrário, uma vontade de inventariar os absurdos diários em minha ilha que não passava de um kitnet na Avenida Rio Branco em Niterói.

Mas tua partida no dia de hoje me deixa assim, me deixa assim tão a vontade para pegar no teclado e seguir batendo o meu texto.

Agora fico eu bancando o sério, sem música alguma, tentando adivinhar o horizonte, tentando adivinhar distintos outros lados para o meu corpo que se inquieta.

As chaves continuam lá.

quarta-feira, agosto 05, 2009

À tua presença

Ah, doce mistério do Rio, ah, doce mistério do Brasil, como te pensar, como te ser, já que dessa vez não tem volta alguma que valha o meu desespero e o meu desencontro.

Perdido estou, achando-me aos poucos. Achando-me aos poucos, fazendo de Love’s Hou minha morada final, fazendo dos meus planos a garantia inicial.

Uma elegia para as suas pernas. Uma elegia para as suas mãos.

Não capitular, diz a voz final. Não capitular e levar a sério.

Alguém aí, um cigarro, um verso, um sorriso um aperto de mão.

Eu só não quero encontrar Jesus em qualquer esquina por aí. A noite é de verdade uma criança só os inocentes de Icaraí não são mais os mesmos. E as roupas, e as pessoas e as lojas. E tudo isso.

Loucura a conta-gotas: a partir de agora, da terra da psicanálise á terra do futebol, olhais as bananeiras do caminho, era essa a sua sina, nada de conflitos pois os tempos são outros, cala-te e resigna-te ao reino dos céus que desceu sobre o Brasil nova antiga China as coisas estão mudando.

Mas antes disso, antes disso terei eu a coragem de dizer o que verdadeiramente sinto?

quarta-feira, julho 22, 2009

Querida Razão dos meus ais

Estou aqui te pensando no meio dessas montanhas! E são montanhas de verdade! Sabe de uma coisa? A pampa, seja ela qual for, tem uma monotonia e um mistério vago que não consigo compreender. Cansa muito. E além do mais faltava a exuberância do verde.
Por isso estou assim, subindo aos poucos, aproximando-me dos verdes mais verdes das matas mais tropicais. O sol ao meu lado, pouco a pouco vencendo amolecendo o inverno e a sua dura pretensão.

Quanto ao te pensar nessas montanhas não adverti sinceridade maior. É que o seu pensamento assim me aparece as vezes, nas suas feições mais cruas, nas suas sutilezas mais puras. Poderia arriscar um há quanto tempo, nossa como o tempo passa, ou como emagreceste! Mas nesse momento eu quero dedicar-me completamente ao óbvio, render-me a ele sem reservas algumas.

Já existe leite condensado por essas terras e a língua do ão já está ao meu alcance saboroso.

Noite Ilustrada canta a serenata da morte do inverno em pleno dia.

Um abraço apertado de quem há muito quer te apertar.

quarta-feira, julho 15, 2009

Meu Padroeiro

primeira das opçoes descritas no livro primordial

o sentido vai se perdendo a medida em que a leitura é realizada

Ai, Nikita, é que tá frio aqui nesse canto do mundo
E chove, chove, chove assim essa água neve feia e imunda

Novo par de maos entra em cena
O mundo é feito de sorrisos angelicais

irresistível, irresistível, irresistível meu coraçao cruzou os pampas
contigo na distância
das nossas vidas, das nossas maos,

uma leitura traduzida podería eu te falar tantas coisas na tua na nossa língua

De uma só vez.

terça-feira, junho 30, 2009

Niilismo Complicado

Buenos Aires
30 de Junho de 2009


A Argentina argentinizou o mundo
A gripe A trata de desargentinizá-lo

pelo talo

Acabando com a orgia do mate
Já não o tenho mais indo e vindo da minha mão

o chimarrão

A minha escrita brasileira é uma fina camada
Que cobre o castelhano que está dentro de mim

eu sei que é assim

E todos esses versos uma mera quimera, cartas, gritos e urros de aleluias
De eu te amos, de sinto a sua faltas, de como vai vocês, de saudades

É que ressoa ainda aquele sino sagrado e Gal ainda canta canções de amor
O samba ainda é na rua, o Rio ainda é Rio e o Outro lado ainda é o Outro lado

Se já não tenho mais o mate
Se já o frio aqui é rei
Se já todo o fim é o começo
Tudo será de novo assim tão novo assim tão velho assim tão tudo

Nesse ponto, caro amigo, capitulo
Nesse ponto, adorável rapaz, entrego os pontos

É que eu passei assim secretamente na porta da sua casa como quem não quer nada

E no final quis tudo.

sexta-feira, junho 26, 2009

Llegando.

Caminaba por Rivadávia. Tenía o no mi corazón con agujeritos? Hice de Medrano mi elección. Por mis penas, por mis grandes penas bajé a Corrientes contando las hojas del ultimo otoño. Pensé en mi amor tan lejos y tan cerca. Pensé en sus manos y en su sonrisa. Los ojos, las bocas y las manos que prometían el mundo. Fingí llorar sin ganas, fingir estar fingiendo una sonrisa así casual. Mi corazón mitológico porteño se desarrollaba así en esa primavera al contrario. En Callao intenté lágrimas cínicas en una pseudo despedida. Intenté los árboles sin hojas y sus poesía. La belleza de los edificios. Ni la gente, ni el sol me contestaron. Hice de mi voz mi refugio. Me hablé por algunos minutos aprovechando la idea de escuchar mi lejana lengua. Tenía mi tristeza vagando por Callao, Lavalle, Tucuman, Viamonte, pasando por Córdoba sin mirar a los lados. Miraba el piso. Mirando el piso bajé por Paraguay y en la Plaza Libertad elegí no mirar la nueve de julio. Buenos Aires se me apresentaba cinicamente. Y fue cinicamente que atravesé por la 9 de Julio sin mirar al obelisco. A la izquierda mi rostro iba buscando algo más a lo lejos. El frio de julío se me hacía confortable. Caminada tranquila por Esmeralda, al 800, al 900, buscando la Plaza San Martin, buscando la Plaza San Martin no quiero quedarme dando adiós a las cosas que pasan, yo quiero pasar con ellas, pasar con el movimiento de las barcas en el río de la Plata era incomún. Por Leandro Alem me acerqué a la Avenida Antartida Argentina. Y con Buenos Aires en mi bolsillo dije hasta luego a la gente apurada y a los turistas de Puerto Madero. El otro lado me esperaba calmamente. Y me decía tambíen cinicamente que el Río seguía lindo. Que el Río continuaba lindo.

terça-feira, junho 23, 2009

Caro Bom Senso

Caro Bom Senso

Vai tomar no cú. Cansei, mandei tudo pro escambau, sabe de uma coisa, tinha te escrito assim prosa bonitinha, sabe, borrachinha, mordidinha de lapis, cotovelo na mesa, para quê? Para quê? Aí revoltei, revoltei mesmo, rasguei papel e dei pra bancar o revoltado com muita razão ao lado. Que chega a apodrecer.
Tua estupidez nem me é mais cara nem me é mais bonita. E as lágrimas incontidas são cínicas como qualquer cinismo de sua parte. Agora eu quero transbordar na prosa mais falsa, infame e exagerada.
Programei para você um sambão maligno, regado a goles e goles da 51. Aquela mesma que uma vez viste contrabandeada pela comunidade brasileira, supervalorizada indecentemente, longe de seus cínicos trópicos. E nem adiantou sonhar com Caninha da Roça ou coisa parecida pois no final a realidade era aquela somente aquela. Paracatulina, Velho Barreiro, Maxambomba, Primeira, Branquinha, Engasga Gato, Cana, Caiana, e o caralho a quatro. Dava tudo no mesmo possível.
E nem adiantava enrolar a língua para os sacramentos mais puros e impossíveis. Voltarías no final assim, arrastado pela tua tímida consciência a babar o próprio ombro chorando a mágoa do seu próprio amor, ele já não gosta mais de mim, que pena, que pena, que pena, quanta pena para fazer do teu leito o teu holocausto final com a boca pedindo oceano de água madrugada a dentro.
Vai tomar no cú. Pois é assim que tem que ser. Quanta dor na minha pobre, pura e leve cachaça.
Ora, vais me dizer o quê? Que afinal és o guardião final? Hein? Sem vergonha alheias resigna-te e cala-te.
Fico com o senso purinho. Só elezinho lá a me dar tchau, a fazer as vezes de amigo e amante.
Um beijo cínico.
Enrique.

terça-feira, junho 02, 2009

Lonely People (Poesia Prosaica)

Foi quando fazíamos biodança. Sim. Quando fazíamos biodança. Havia uma oficina que consistia em aulas e experimentações acerca dessa novidade que a primeira vista me parecera bastante singular. (...) era um tipo enigmático. Falava e dançava com tal paixão a sua arte que punha a todos comovidos já de primeira. (...) censurava-me da minha individualidade nesse ponto. Compartilhava sorrisos, abraços e tímidas gingas. O brasileiro quando é do choro (...) abafava os três pontinhos que saíam do seu coração quando convidado para um cogñac a noite naquele lindo inverno. (...) justamente isso que me fazia falta nas aulas de clássico e de contemporâneo que estava tomando. O elemento da troca, do olhar e da afetividade (...) uma linda e harmônica redundância.

Por onde passa o quase que desordenadamente destrói qualquer convenção, qualquer ponto de partida?

Experiência, vida
E as letras, as letras nos invadem

As confusões que me confundem
Os limites da leitura

Enquanto você lê sentadinha essa linda poesia
Lembrando-se assim dos docinhos proustianos

Das oficinas literárias em Copacabana que ías quando eras velhinha

Das madalenas nem tão sempre arrependidas
Que comías escondidas nas tardes de sábado

Por onde passa?
Isso que já está por aí?

Agora eu vou falar. Agora sim eu vou desnudar o destino, deixar o fado assim nu e cru para os meus olhos. Esse é o primeiro et pour la premiére fois en Europe la plus agréssive (…) chanteuse bresilienne (…)

Li em voz alta aqueles quartos vazios
(Me sentia nu por dentro e gravava lindas poesias para mandar a um gajo que me trouxe a beleza aos olhos)
Em meu peito se encheu
Se encheu encheu
Se encheu de muito eu
Que sinceramente
Não deu

E eu fui lembrando da minha infância perdido naquele terreiro onde a festa ía até o sol raiar e eu ia até me acabando prefigurando para mim um destino assim tão cru

Meu fado, meu fado, meu fado

Estou enchendo todos os cadernos de cinco pesos que tenho a mão
Antes do fim do mundo
Uma cacofonia de letrinhas e palavras

Provando todas as combinações de letras e palavras
Os alexandrinos ficaram na outra estação
Parnasiano é o meu coração

Quero cultivar o verso pobre
E nem por isso limpinho
E nem por isso verso
E nem por isso impeço
O avesso
Da beleza
Na minha mesa

Com garfo e faca
E a culpa pendurada na porta.


Meu amor, confesso-te que fiz o download do primeiro disco da Ângela Rô Rô, aquele de 1979, sim, aquele mesmo. E fui ouvindo no metrô e fui me derretendo e tive vontade assim de explodir e de fazer alguma coisa, mas eu fiquei contendo a minha ereção, disfarçando a minha vontade de vida, cantarolando baixinho olhando o meu reflexo até ganhar as ruas peladas de fim de outono cantando e cantando e cantando sem nenhum cais do porto nem ao menos os horizontes do planalto central.

A filosofia, meu amor, alguém disse que é o playground do Satã
Uh.
Quem disse isso?


Caro x., enquanto a gente trepava num dia desses eu dei pra ficar contemplativo, cara de nada mesmo, e, driblando o sono ou coisa parecida, olhei pela sua janela e vi um céu tão azul mas tão azul que quis congelar o momento. (...) o seu trabalho debaixo do (...) que a gente tava também sendo abençoado por algo muito forte e intenso.

O jantar está no fogão.


Ah, mas quando tudo é tão doce e o frio me machuca o rosto me acariciando a face como uma linda prostituta, ah, o frio, o frio batendo sim, deixando meus olhos lacrimejados pedindo mais esse abraço de amor, esse abraço de tão delicioso sofrimento (...) minha cabeça no meio da rua na parede mais bela
Eu sou essa cidade já, filho dessas ruas
Justamente por nunca por ti ser
Justamente tenho que ver
Na costanera no domingo de sol sou todo amor todinho amor
Forçando o meu sotaque pra você me amar demais
Sugerindo a minha nudez debaixo do sol de novembro



Esboço da minha primeira modinha:

Você das Ingraterra veio breve
Mexer aqui com a minha calma
Corromper-me toda a alma
Desse pobre cristão que te escreve

E fez me sentir assim tão bem
Reconstruindo Sodoma
Num lindo mutirão a dois
Tão sexy e tão hot

Esfarelando Lot

Tão lindo e tão terno
Ganharemos passagem para o inferno
Primeira classe

Mil estrelas

Que caírão assim no chão
Enquanto te canto Orestes
Ao retirar as tuas vestes
No templo da devassidão



Hey man, you are right