terça-feira, abril 03, 2018

Quem precisa de maconha quando temos aquele livro de poesia pra ler juntos no apartamento trancados quando lá fora o verão do norte europeu ostenta quinze graus de chuva e céu nublado e as noites brancas não resistem aos bocejos que volta e meia escapam de minha boca como almas aprisionadas liberadas pouco a pouco pela sua dicção ao ler em russo os versos daquela mulher e você me explicava das possibilidades e potencialidades que a língua russa tem na poesia e eu só tentava imaginar de olhos fechados HARAXÓ SPASIBA roçando suavemente aquela língua que não falo, mas cada dia se torna mais macia e inteligível como a maciez de sua pele branca e seus músculos de leitor voraz e seu olhar de menino andaluz que tem nas esses a marca de um sul remoto e distante desse frio verão cujos vinte graus são o apogeu de um calor prometido por 9 meses de inverno como a vida e sua promessa de felicidade


Me atrevi a olhar pela janela e ver a pontinha da Catedral do Sangue Derramado e suas cúpulas bola de sorvete ponho casacos e desço para ver o que está lá dentro e acender umas velas para todos os guias de luz que nos acompanham quanta coisa pode acontecer em um só lugar.
quantos lugares podem acontecer numa coisa só



Texto proposta de abraçar a dor no peito

Sem nome, endereço, origem
de onde vem pra onde vai



domingo, novembro 12, 2017

terça-feira, maio 23, 2017

rabiscos para um encontro de olhares oblíquos

entre a arte e a vida ou o whatsapp e o toque e o olhinho de seus emoticons fofinhos 

que se traduziram naquela tarde nublada em 

dois olhares fugitivos que insistiam em não encontrar o meu 

triste me pus porque meu olhar lançado ao vazio fez que ia cair num buraco sem fundo mas 


na verdade olhava a mim em vontade de falar com você, eu com minhas calças largas e os casacos 


recém tirados do armário assistia incrédulo a uma caça 


inútil
porém 
cheia de graça.

terça-feira, maio 09, 2017

PICINGUABA CONFESSIONS (Intro II)

Há tempo  fiz um trato com o mar da Costa Verde e em toda a sua extensão escrevi um poema sinuoso e determinado como as folhinhas em decomposição

A sacanagenzinha gostosa em São Gonçalinho de uma mão ao volante e outra em tua perna foi rima fácil

Rima rica e rara é noite de lua cheia em que você enumerou de coeur todas as praias de Ubatuba e disse que mais cedo ou mais tarde viria lá do norte alguém


Picinguaba Confessions projeto de filmagem caseira
Nem novembro em Niterói
Nem suruba em Ribeirão Preto

Calarão a verdade de minha confissão.

terça-feira, abril 18, 2017

Sazão

Como se o outono escondesse uma primavera
o tempo da colheita, da semeadura e do florescer do amor

em um céu azul
tão mediado
tão cru

tão óbvio que ao meio dia o reino das manhãs se esconde numa bruma
e estampa em cada espelho nosso desejo

de vida.

É tempo

sábado, março 11, 2017

O tempo do amor

Vivendo perigosamente, eu achava que a gente não se acostumava mas a gente se acostuma. E não adianta disfarçar em poema o que você quer em prosa sem backspace.

Quando eu te vi pela primeira vez algo no seu sorriso me desconcertou, me incomodou e talvez com a doçura milimétrica das horas

me apaixonou

foram os segundos que te tive tão perto que transformaram esse tempo todo num agora

garrafa lançada ao mar, poesia rabiscada no papel, vontade de escrever o que pesa o lado esquerdo do peito

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A INCLINAÇÃO DO SOL NESTA ALTURA DO ANO ILUMINA ÁREAS ANTES ESCURAS E SOMBRIAS DO REINO DAS MANHÃS

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onde vive um terrível ídolo que após receber os primeiros raios de sol traz consigo uma bolsa grande em que esconde as horas e os dias e numa pequena oferece esmolas de segundos

a promessa do seu toque
ou mensagens visualizadas, pressentidas e telepáticas que descem do meu cakra cardíaco ao baixo ventre.

Gatilhos emocionais
Roletas russa
Sazão




quinta-feira, março 02, 2017

De superfícies

Juntos os planos de outrora
ou nessa sombra o brilho que já se foi
ou quando você não disse

mesmo não custando caro
mesmo de graça

quem brinca com as palavras tem que saber que mesmo passarinhos pequenininhos podem causar furacões

que ainda assim dá pra guardar dentro da gente os vôos
cujos ventos percorrem o estômago e apressados fazem as portas baterem com a violência

dos signos mutáveis que nos dão provas da possibilidade de uma nova estação

como daquela vez em que pedalando pressenti um outro verão

alhures

em que você era distância
e a sua ausência se calava e desbotava bem devagarinho

a medida em que atravessava os pampas e as estepes russas levando comigo as palavras que fui queimando, terra arrasada entrando cada vez mais oriente a dentro

cadeira

poeira

cereja


e o amuleto do brilho do nunca mais