segunda-feira, janeiro 18, 2016

Os anos 00’s mostram a sua cara



Memória Fast-food

“E tinha começado assim... Eu fui escrever a data e estranhei muito aquele 6. Aquele seis que já da idéia de mais que a metade. O primeiro pensamento foi “o tempo passa realmente rápido”. E depois aquela epifania construída só se fez aumentar quando percebi novas maneiras, e tudo ficou tão rápido e tão artificial demais que me senti velho por uns segundos. Isso me envergonhou e me intrigou.... Também não é para tanto! E não é mesmo. Eu nem vinte anos tenho ainda. Isso é loucura. Mas isso me deu a oportunidade de abrir um debate legal. Realmente muita coisa ta mudando. E quando vi, aquela década já tinha um rosto... Os anos 00 nasceram para mim...”


Quero escrever sobre a contemporaneidade. Sobre o que chamo de problema que tenho em relação a isso. Queria até conversar com alguém que possa entender. Seria loucura?
Converso muito com amigos sobre tudo isso. Sobre esse novo que está nascendo. Esse sentimento que pouco a pouco cresce e que nos faz crer que estamos numa forma de futuro presenteado. De novas coisas surgindo. Não sei o que isso tem de superficial, frívolo, mas nunca de inútil. Filósofos importantes já falaram muito da questão de construção da memória. Existem trabalhos de historiadores, críticos de arte em geral, etc...
Mas tudo o que estamos sentindo pode se resumir numa canção que pouco a pouco vai subindo, subindo até os confins das diferentes harmonias. Isso pode ser ouvido numa canção diferente, num pós-retrô desses da vida, numa nova maneira de falar, numa paisagem modificada.
Dizem que é preciso vinte anos para uma década começar a ser valorizada. E bem é verdade. O que eram os anos oitenta nos anos noventa? Ninguém falava deles, falava-se mesmo era dos anos setenta. E agora nos anos dois mil, ouvimos muito falar dos anos oitenta, desse processo de construção da memória de uma década, da maneira de se vestir, das músicas, da infância em geral. E é curioso pensar que nesse ressurgimento já nostálgico dos anos oitenta há uma grande ênfase na questão da infância. Por que será? Não sei se talvez com o tempo os anos oitenta amadurecerão, ou se é que já estão amadurecendo.
Outra coisa curiosa é a questão trash dos anos oitenta que tem muita força.
Esse ressurgimento dessa década é uma coisa nova. É uma coisa própria da nossa década de 00.
É certo que de uns tempos para cá, tenho tido meio que uma fixação por tudo que é dos 00’s e até dos anos 90. Seria isso uma forma de fabricação pop de memória? Não sei, é tudo tão novo que o que fazemos é conjecturar. Gosto muito das crônicas por causa disso. Elas têm esse leve gosto de contemporaneidade, de fonte, de ponte.
É certo que algumas vezes lemos algumas coisas que escrevemos e sentimos uma forma de vergonha, por que o que escrevemos não muda com a gente. E isso é a condição de existência do que podemos chamar de história. Em parte, pois a história não é somente a análise de documentos escritos.
Quando que reparamos que já estamos na segunda metade de uma década? Que já estamos no meio de rio, que já nos despedimos de alguma coisa? É estranho. Basta ver como os anos noventa passam a ser retratados no cinema como algo já de época.
Tem gente que realmente odeia os anos noventa. Dizem que é uma década morta. Mas não nos preocupemos. Os noventa também terão a seu ressurgimento se é que já não começou a aparecer indícios. E de repente, é desesperador, já começamos a nos ver destacados dos noventa. Estranho muito quando vou escrever a data de 2006. Acho muito avançado. Será que isso só acontece comigo? Não, isso não é a pós-modernidade.
O mais estranho e curioso é a pensarmos que isso o que falo não deve ser muito levado em conta para alguém que hoje tem mais de quarenta anos. Devem dizer: “coitado, ele quer construir a sua memória, o seu refúgio frente a contemporaneidade, mas como ele faz mal. E que década é a dele? Coitado, os anos noventa ( ou os dois mil) foram tão pobrinhos... A minha década que é a setenta foi realmente melhor, depois não teve graça...”
Perceberam? Isso tem uma ligação muito forte com a idade da pessoa, da intensidade de sua vida na época. Com a nostalgia, com o momento onde a pessoa viveu momentos felizes que muitas vezes é a infância. Não achamos engraçado alguém que nasceu na década de 90 já poder ter filhos?
Isso é construção de memória. Isso é um prato cheio para anacronismos e para grandes clichês....
O funk é um exemplo muito curioso também. Acho que dos dois mil para cá surgiu uma denominação de Funk de Raiz, imitando a de Samba de Raiz. Para designar, aqui no Rio, aquele Funk “de antigamente”, o Funk melody e os melôs que tem suas raízes no fim da década de oitenta e o auge nos noventa.
Acho que a construção de nostalgias e memórias de décadas como noventa e oitenta andam junto com esse sentimento já de contemporaneidade e de avanço de década
Será que os quarentões da década de 2030 vão reverenciar os anos 00’s? E dizer que eram anos especiais, onde havia uma magia diferente no ar, onde as pessoas se vestiam de uma forma e um novo estilo de rock estava nascendo? Da mesma forma que os noventa reivindicam para si rock grunge, elegeremos um estilo musical, uma forma de vestir, um clichê perfeito? E o que vai ser escolhido? Poderemos fazer as nossas apostas, já que nessa altura do campeonato já podemos deslumbrar certas coisas que são próprias de nossa década. O indie rock vem ganhando muita força. Uma nova mpb vem surgindo aqui no Brasil, incorporação de ritmos eletrônicos, etc... Novas gírias. Mas no limiar da contemporaneidade vai ficando cada vez mais difícil dar palpites. Como a neblina que só faz nós vermos melhor a coisa quando nos afastamos. Então a possibilidade de eu falar bobeiras é grande.
Quando o século vinte e um vai se diferenciar do século vinte? Quando as pessoas vão passar a pensar de forma difente?
Nós, jovens dos anos dois mil, seremos sujeitos híbridos frente a esses dois séculos?
Acho que isso o que eu quis dizer. Tive medo com duas coisas: quando fui escrever a data, (2006) e quando assisti um vídeo que se passava no recente ano de 1998 e estranhei a forma dessas pessoas, achei-as diferentes em vários aspectos.
Que isso? O tempo passando. Mas tenho sentido o tempo cada vez mais avançado e apressado...

Queria muito ouvir a opinião de quem leu esse texto.
Essa questão precisa ser muito debatida, abaixo alguns links que consegui relacionar... Encontrei um site que já fala de nostalgia dos anos 90... Assustador né? Pior que eu entrei e reconheci muita coisa e lembrei de muita coisa. Lembram de um programa que tinha num desses canais, chamado Hugo, onde se jogava através do telefone? Os anos noventa estão tão prematuros ainda...

http://paginas.terra.com.br/lazer/nostalgia90/index2.htm
http://www.velvetdiscos.com.br/conteudo/hiperacustica.htm
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT546241-1664,00.html

Jéssica

Jéssica

Você lembrou de tirar o feijão do congelador e deixar na geladeira? Não deixa fora porque tem feito muito calor esse dias e se o feijão azedar eu tô fudida. Tô fudida porque o mês nem chegou ao fim e o dinheiro já foi todo.

Vou calças compridas pelas pedras portuguesas soltas do centro

Peida não

domingo, dezembro 27, 2015

canícula

A canícula, os dias de cão, dog days, a lua atiçando a cachorrada no caminhar perdido pela cidade operando em 2D olfatos e sentidos tentando ver com um olho só. Não sei da estrela que brilha forte no céu anunciando os tempos de calorão na varanda em noite quente.  Esquente o que esquentar a chapa no templo interior o barulho de água de fonte cascata descendo dizendo calmamente como quem tricota e num sorriso leva uma vida inteira. Esquente o que esquentar no templo interior não tem ar condicionado tem ventilador e circulador, bambu, terra batida e coentro. Terra batida que não é lama seca. 

domingo, dezembro 13, 2015

casa




Dos tantos textos que Armanda te escrevi este talvez seja o mais difícil, isso posto porque a fragmentação do disco se fez com o seu apartamento que você mobiliava no plano astral e a sua vontade de casamento de juntar os trapinhos se reduziu a sua mesa, o seu ventilador, os seus livros e todo um universo a ser desvendado.

Quando adivinhava a sua presença no sono ou quando virava a maçaneta da porta e te imaginava em casa eu era um tolo mesmo e gostava de repetir.

Ainda conservo comigo a samambaia que depressa se amarelou antecipando o outono em pleno dezembro o tempo dos flamboyants e suas folhinhas e o papo da rede que a gente ia construir juntos.


Nunca voltamos de Ponta Negra tampouco fizemos aquela viagem juntos. 

C'est la vie.

segunda-feira, setembro 21, 2015

São Paulo 1º/2015

Deu pra fazer poesia de lua

Poesia de luz quando o luar apareceu cru

De noite as vezes não dá pra ver as estrelas. Mas Júpiter e a lua sempre estão lá. E faz céu limpo como se fizesse tempo normal, por mais que os dias nublados sejam recorrentes quase a regra, um intermédio de tempo e aclimatação.
Uma aclimatação que na dimensão pisciana signo mutável assume pra mim a imagem do mimetismo, do virar planta no ambiente.


Interior vazado por carros, ônibus e bicicletas moderníssimas que passam rasgando o ar. 

quinta-feira, setembro 17, 2015


Textinho escrito em noite quente e abafada de veranico de fim de inverno 
Com areia nos olhos do sono que já chega depois das nove horas da noite lê-se
Mil novecentos e noventa e mete mais um ano de chiclete
Venha ver toda a decoração de natal e ano novo luzinhas pisca pisca brilhando toda a rua imagina quando virar o milênio


quarta-feira, setembro 09, 2015

Xaguaz Xuca Free



Xaguaz Xuca Free

Bossa Nova Anos 10

Ou 20

Homeopatia de Xuca

Avião de Padê



Solo de Sade


quarta-feira, setembro 02, 2015



Uma música para a Praça Mauá gravada acho que em 1960.
A cor azul cínica sobre um fundo sem cor.

Ele é mandingueiro.


Pela direção do sol e das estrelas. Do oásis escondido água ele vai achar. O homem de véu azul é o prometido de Alá. Ele é um Tuareg. 

terça-feira, junho 16, 2015

Reflexões fragmento após assistir Aquário

    
     Frequências vibram, emanam, constelam. Isso porque nos inunda o tempo. Para além da frase "no meu tempo era melhor" ou do "não tenho tempo para isso ou aquilo" nos escorre e nos imerge o tempo.

     E foram as águas transbordadas em Aquário que me despertaram para a consciência de que estávamos molhados. 

   Imersos na economia dos elementos, na terra primitiva com seus primeiros oceanos ou na enchente de Noé.  Na memória das águas as palavras eram tão poucas que saber se confundia com sentir. Neblina, serração, maresia.

    O eu e o outro. 

    O que poderia ter sido e não foi.  

   Alguém certa vez para pensar o contemporâneo usou o termo "navegar em águas profundas". Pois sendo o agora um acúmulo de tantas águas, há em Aquário muitas memórias, uma desconcertante atemporalidade. Como elas estão dispostas e oferecidas nas cenas é instigante. Estão cifradas nos figurinos, nos elementos cênicos, na sonoplastia e nos nomes dos personagens. Nas luzes que são como ondas que ultrapassam o palco e desaguam num público que não sai imune ao dilúvio.  

  Em tempos de espetacularização, sensacionalismos e ódios exacerbados as águas profundas de Aquário trazem consigo algo de antiespetacular em sua execução e concepção. Uma economia e precisão frutos do trabalho de mais de três anos do Comboio de Corda Companhia de Teatro.

   No nome das personagens Peixe, a Mãe, o Pai, Seu Filho e Ela há um mínimo denominador comum que opera na chave do elemento e da redução. Não sei se enquanto arquétipos ou essências. Parece estar presente tanto na forma do embranquecimento do Seu Filho quanto na empregada japonesa que atende pelo nome de Ela.

  É através de tal denominador que a justa medida mostra-se transbordante e nos convida para um mergulho no nosso tempo.         
     

terça-feira, outubro 21, 2014

Lua em escorpião



Retrospective Analysis

Profundidade.
Era cachoeira e eu tava achando que era água de câncer, água fresca. Mas não era água profunda apesar de transparente. A água ainda descia por debaixo da pedra e murmurava muito. Tinha muito bicho que pica perto.

Um deles me picou três vezes e a perna ficou inchada e quente por uns dias.


Deu em nada.
[Achei]

Eu lady lua em câncer levava o ferrão de um escorpião que ronda e me estuda.
Numa caçada.


Que dissimula o outro. 

segunda-feira, agosto 25, 2014

2013


Sonho com você sonhos repetidos.
Consequências de um apaixonamento que se gestou em duas semanas
E já passados os nove, dez, onze meses o aborto é pura questão de estilo.

Perduram em mim:

 a sua imagem
o seu corpo
e o seu toque

em sonhos.
Sonhos reprisados como sessão da tarde vista pela milésima vez.

Ghost.

quinta-feira, junho 26, 2014

2020


Deixo tudo acontecer se você me prometer grandes acasos.


Não vale o mesmo jogo.


No tempo em que eu lia Ana C. como quem lê as páginas amarelas



Lembra delas?



BAPHYPHYNA - É A PRODUTORA DO PÓS-AMOR

quinta-feira, outubro 31, 2013

Tanta água




A sua suspensão pela casa. 

Tanta água que não corre.

Quando o fluxo da água pegou todo mundo de surpresa fez um tsunami no meu apartamento. Vamos lavar isso tudo, água que passa, que banha.
Era verdade que a tristeza era diferente.
Li e estudei exorcismos.
Mas cadê que eu conseguia abrir as comportas da represa?

quinta-feira, outubro 25, 2012

Muito mais que quatro semanas de amor


De quando é preciso dizer para as letras que não elas não dominam a gente. Isso é voz. Isso é consciência. Qualquer tentativa de lapidação do estilo é uma falácia

Da vez que ela veio aqui pra casa depois quase um ano sem vir ela chegou com um biquíni e uma tanga enrolada na bolsa.

Praia dá um tesão.

Fazia tempo que ela não batia na minha porta. Mas eu sabia que um dia ela bateria com tanga ou não, pois ela sempre volta.

Eu não gosto de escada pra subir não, ficar subindo escada, ficar ouvindo alguém subindo a escada, os passos se aproximando. Naquele dia foi assim, os passos iam inundando o apartamento de qualquer coisa que desestabilizava que me tirava do chão e me jogava num alto mar.

Eu fiquei como o naufrago, nem lutei contra a correnteza e as ondas. Engoli água e apressei o mergulho final.

E quando fui atender a porta já era como uma sereia, uma criatura do mar.

É claro que eu ia botar a tanga na bolsa também. Já no final de setembro comia cenoura todo dia e castigava nas manhãs com cenoura e bronze, dourava os meus pelos e fazia tatuagens de rena.

Ela chegou no final de dezembro. Eu já estava marrom, pele, cabelo, corpo, eu estava pronta. E ela? Ela uma Amazona, uma Tuaregue, esguia, solar.


Durou até o final de fevereiro. Não foram só as quatro semanas de amor de Luan e Vanessa. Houve mais do que isso. Talvez o dobro.

Nos entupíamos de salada de fruta, passávamos o dia a base de sol e picolés, frutas e água. Quando o sol se punha a gente comia comida mesmo.

O seu Cenoura e Bronze acabou e eu ainda tinha. Ainda tem, sobrou.

Foda-se. Vou acabar com tudo nesse nosso generoso outono. Vou é catar conchinhas, essa época dá muita, vou fazer artesanato.

Porque não sou obrigada.

 

 

terça-feira, outubro 02, 2012

Para que servem os pobres? Carta aberta a Amir Haddad sobre assinatura em manifesto pró-Paes.

 
 
 
 
 
     Em 2007 trabalhei como assistente de produção do projeto Memória do Tá Na Rua. O projeto tinha dentre os seus objetivos levantar o acervo de tão importante e longevo grupo de teatro de rua do Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de conhecer você e as pessoas que trabalhavam no coletivo. Acompanhei muitas coisas interessantes sobre o grupo, a cidade e o país em que vivemos. Dentre outras coisas, digitava manuscritos antigos, do final dos anos 1960 até os dias atuais. A ditadura militar e todo o seu horror estavam presentes nas proibições e nas perseguições ao teatro de rua. No final dos anos 80 com a crise econômica pude entender como o Tá Na Rua problematizou questões que são naturalizadas na realidade capitalista em que vivemos. Nos 5 meses que trabalhei com o projeto de memória pude antes de tudo ter uma dimensão histórica do que o grupo que você fundou representa. A memória estava lá, presente, nos avisando que nunca podemos só olhar para o futuro e que temos um passado a que devemos prestar contas. 5 anos depois, em 2012, fiquei bastante horrorizado ao ver o seu nome no manifesto de apoio a reeleição de Eduardo Paes. É claro que você tem todo o direito de fazer isso, pois afinal vivemos numa democracia. Não quero que muitos digam que estou fazendo patrulha ideológica. O que quero aqui é desabafar, dizer que é necessário que cobremos de você e de todos aqueles que assinaram esse infame manifesto uma explicação. Será que os artistas do Tá Na Rua, que são o espírito, alma e corpo do grupo concordam com o fato de seu diretor assinar o manifesto de reeleição de um candidato que possui uma política de privatização do espaço público e que já tem 52 % de intenção de voto, impossibilitando a oportunidade de um segundo turno para a discussão de muitas questões? Que respeito temos com a memória do tá na rua quando vemos a política do atual prefeito em relação aos moradores de rua, os usuários de drogas e as remoções injustas que pululam por toda a cidade? O que diremos dos acordos com as empresas de transporte, a corrupção, a milícia? Vila Autodromo, Providência, Pico do Santa Marta, aldeia indígena do Maracanã, Morro dos Prazeres todos eles têm o direito de ouvir uma explicação sua Amir. Os ratos e urubus que não largaram a sua fantasia também. Quem mudou aqui? Tem cultura, Cultura e Kultura. Cultura não é só feito de edital, meu chapa. Com muita indignação e com muita revolta pela memória do Tá Na Rua, eu, Henrique Monnerat e muitos outros, vivos ou mortos, cobramos uma explicação do senhor, Amir Haddad. Venha pra rua, antes que a rua se privatize e o seu teatro seja o único, afinando direitinho com o coro dos contentes. E aí, vai dar um trabalhão pra reescrever a história do seu grupo.
 
 

quinta-feira, setembro 27, 2012

Carta aberta aos que assinaram o manifesto a favor da reeleição do Paes.



Carta aberta aos que assinaram o manifesto a favor da reeleição do Paes.



Caros colegas



Eu sou professor e cidadão brasileiro. Assim como muitos ando indignado com o que anda acontecendo. A aprovação automática na rede municipal e estadual é uma realidade velada. Peço encarecidamente que vocês procurem saber mais sobre essa questão, assim como também sobre o que está acontecendo na nossa cidade com as remoções e as tais pacificações que prometem trazer paz para seus cidadãos. Gostaria de perguntar se vocês vivem numa favela, pacificada ou não. Sobre o assunto da cultura gostaria que vocês avaliassem a postura da atual prefeitura em relação ao artista de rua e a organização de uma cultura livre e autônoma. A adesão de vocês a esse manifesto muito me entristeceu e muito me chocou, pois vocês dizem ser da cultura, mas mostram uma insensibilidade tamanha para pensar o tempo histórico de vocês. Gostaria que vocês se explicassem por terem assinado esse manifesto, vocês devem explicações pois são figuras públicas e formadores de opinião. A esse manifesto assinado por vocês eu expresso o meu mais sincero repúdio, pois vocês estão contribuindo para a perpetuação de tudo que está aí. Delta, milícia, coligações sinistras, empresas de transporte. Depois de tudo isso, vocês ainda tem coragem de dizer que Somos um Rio?





sábado, junho 02, 2012

Profeta de mim mesma


Mas quarta-feira está longe querida,eu disse num tom convincente beirando o sarcasmo e a alegria das frases feitas. De cinzas ela não terá nada, fui adiantando, prometendo segurança, avaliando-me da melhor maneira possível.

Quando a saudade vira murmúrio e a lembrança fotografia guardada a gente fica num estágio que vai além do nostálgico, a gente fica assim meio besta, repetindo eterna ladainha cheia de sentido e de terceiras, quartas e quintas intenções.

Olá, como vai?

Menininha esperta, ela acordava todo dia na hora que tinha que acordar feliz


Vendendo minha alma parcelada ao capeta


Houve um tempo


Ao acreditar no demônio mais belo de todos travesti-me com as crenças mais belas e subi ao topo mais alto confessando com minha boca as confissões mais secretas na ponta da língua os segredos mais guardados nas noites mais escuras das dúvidas mais belas.

Ao Deus eu reservei os momentos mais contemplativos, as telas mais lindas entendendo perfeitamente porque não se pode pintar o profeta de qualquer maneira de qualquer cor de qualquer traço.

De mim não esperei nada, dividido entre um Deus e um Diabo que se pintavam com as cores mais pardas e as poesias mais belas.

De você esperei o mundo, esperei assim do seu sorriso o mundo como ele próprio se prometia. Sem nada, sem começo, sem fim e sem meio sem deus sem diabo sem profeta sem nada

esperei tanto que caí assim na crença ingênua e bela sem juízo final do amor que vale por si só.

De espera desesperada o mundo está cheio.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

aurora

vendedor de moedas raras afirma em manhã de carnaval quando é terça feira gorda e o sol já nasce lambendo seis da manhã e você ainda tem a manhã inteirinha pela frente.

rainha das manhãs ela era. quando acordava irradiava luz como se tivesse a resposta para todos os desafios que o dia lhe traria.

quem ousa desbravar a fronteira da aurora da noite que se faz dia leva consigo a chave

que abre caminhos

ensolarados.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

caderno antigo

Abri caderno antigo.

Li o que não devia.
Estava ali, tudo escrito e esquecido e ainda vivo
As palavras, os momentos e as imagens


Que fazer para exorcizar essa poesia?

Que fazer?