Enfim o mar
Com fado e muito e vento e maresia e cheiro de sal
Nao direi nem escreverei misterioso mar direi sim mar mim mesmo cheiro linguagem imensidao música
“mi corazón es un eterno taller de escritura” – José Carlo, Boedo.
José Carlo esteve surpreso com a resposta que recebeu. Não era a toa que lera Lorca com uma mistura de arrepio e indiferença. Ele pressentia ali algo muito forte que não conseguia exprimir. Algo tão forte que dizia respeito ao que ele cantaria naquele início de milênio quando se atreveu a descer de bicicleta a serra da Mantiqueira. Fora lá, lá num canto qualquer daquela serra, descansando na sombra de uma árvore que os primeiros versos daquele poeta o feriram de maneira jamais vista.
As realidades que se configuraram ao seu redor, a sua desorientação, a sua obstinada busca de sentido na metrópole junto ao mar fizeram com que José Carlo passasse para uma escrita mais hermética, questionadora e rara. Rara porque são poucos os poemas que encontramos ou que ele mesmo nos oferta.
Experimentei um lapso de genialidade ao avaliar a relação que a leitura da obra completa de Lorca teve com a vida de José Carlo. E pouco tempo tive para comprovar tal hipótese ao ver sorrindo pra mim um email do próprio José Carlo
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O RETORNO
LORCA
CALOR
CARLO
CARLO
CALO
LOCA
CAROLA
POEMA PROCESSO POEMA PRÁXIS POEMA CONCRETO LEGÍTIMO POEMA ABSTRATO LEGÍTIMO TEMPO DE GUERRA LEGÍTIMO TEMPO SEM SOL LEGÍTIMA GUERRA COM SOL LEGÍTIMO AMOR DESVALIDO
NA TUA CASA QUEIMAM TOMILHO NA TUA CASA QUEIMAM TOMATES NA TUA CASA QUEIMAM DESGRAÇA LEGÍTIMO POEMA QUE INSISTO EM COMER NUMA ÉPOCA DOMESTICADA.
Época Domesticada : Citação Erudita : "Em terra de anos 2000 quem tem anos 60 é maluco"plano de assalto: tomar de vontade o avião para Nova Iorque e declamar toda a obra de Lorca para a traidora que Elektrificou a minha bossa Nova Gilbertiana, a Bebel, que me negou ajuda e me bebeu o lirismo que pensava ofertar.
Descolarei a Glória do Asfalto e na sua Igreja farei um auto-de-fé onde renderei glórias a vontade de vida que levava ao Calor de Carlos que pra longe fora
Legítimo poema de merda termina com acento no cú
LORCA
CALOR
CARLO
CALO
LOCA
CAROLA
CARLOS
SSSSSSSS
SSSSSSSS
$$$$$$$$$
$$$$$$$$$
TE COMO POR R$1.773,00
Il est mort, il est mort, il est mort, il est mort, il est mort
Mas Doce Pão de Açucar cozinhe com água de coco minha paixão Bossa Suja.
Água de esgoto, água de esgoto, água de esgoto a minha poesia mangalou três milagres na marginalidade consentida no desfalecimento da linguagem
Percepção Poética, early 2000’s: açaí, açaí, açaí, sou um açaí e sou bebido pela boca dos rapazes aflitos que nasceram das chocadeiras da Av. Nossa Senhora de Copacabana e da Barata Ribeiro.
Carlos, estimado señor, tema o tempo que me come pelo rabo antes de me ligar com um atraso de uma semana.
Nova Jersey, Nova Jersey, é verdade que você tem contactos fortes e pode me trazer o meu coração numa embalagem de coca?
LORCA
LOCA
CARLO
CARLOS
CALO
CALOR
CARLITO
CALORITO
CALHARO
CARALHO
RALHO
RALHO
POEMA CONCRETO NÃO DÁ CERTO COMIGO POEMA CONCRETO É FALÁCIA QUE SE QUEBRA QUE SE ABRE TODO AO MEU ROMANTISMO DOLORESDURANIANO
DOLORES DURAN DOLORES DURARÃO ATÉ O AMANHECER DE OUTRA VIDA
Mas tuas doces dores doirarão o céu com e com literatura e com muita literatura que escorre da tua boca onde seu corpo jovem descansa e me escorre poemas velhos e novos onde em teus lábios adivinho sonetos raríssimos e esplendores Bilakianos
Eu, poeta, desdigo
Eu, pueta, confesso
Eu poeta, no fosso
Eu pueta admito:
Amo. E morto amo. E vivo amo. Deus. Deus!?!? dEUS é raridade melancólica
ATO EM REBELDIA EXPLÍCITA. AS POESIAS TÊM O DIA CONTADO. NÃO SE FAZ MAIS NADA COMO ANTIGAMENTE. O MUNDO DEU TILTE E A PÓS-MODERNIDADE QUE LEVO ENTALADA NA GARGANTA NADA MAIS É DO QUE A ANGÚSTIA VELHA QUE SEMPRE EXISTIU.
Uncut cock.
Nos tempos de Abraão - Flashes e Tomadas do Patriarca andando pelo deserto.
Povo eleito.
Eleição de bairro:
"Eu, quando eleito, acabarei com a Pederastia reinante. E subirei com o Povo de Deus os degraus do paraíso"
O Candidato que mais respeita a religião o candidato que mais preza a religião o candidato que mais valoriza a religião o candidato que mais ama a religião o candidato mais devoto o candidato que é enviado por Deus, o candidato que substituirá o mandato de 2000 anos de Jesus, o candidato antenado ao processo de Aquarização, de acumulação capitalista diversas vezes anunciou que sua mudança será lenta e gradual e que a continuidade é a sua palavra de ordem.
(Jornal de Icaraí, 23 a 30 de Fevereiro de 2033)
A. C. - Carolina ; Ana - conozco tu poema pero...
Angústia tropical. Sarro aproveitado
Paixão heterossexual
Bicos de seios arrebitados
Duros qual pedregulhos
Pitombas em minha boca
Bunda avantajada
Nova Friburgo Jam Session - "Vinho, vinho e mais vinho"
Cabana em Piraquara
Vinho, vinho e mais vinho
Gordura de galinha congelada pelo Frio
Vinho, vinho e mais vinho
Curitiba em vinte minutos
Vinho, vinho e mais vinho
Bagos enrijecidos
Vinho, vinho e mais vinho
Difícil divisar corpo e mente
Vinho, vinho e mais vinho
VINHO POR MEIO DESTA SOLTAR FOGOS DE ALEGRIA
AO TE SABER PERTO
AO TE SABER PASSANDO PELA AMÉRICA CENTRAL
AO TE SABER NA CHAPADA
AO TE SABER que estou morrendo de saudade este samba é só de nota falsa que imprimi pra pagar a passagem até o Galeão.
Ãoãoãoãoãoão – Tom Jobim – Tom Jebãoãoãoãoãoãoãoãoão
inhoinhoinhoinhoinho, sai do meu Cayminho
- Narração em off – Plano de Dona Maria passeando com o seu cãozinho – Sorrindo para a câmera na praça do Largo do Machado
Dona Maria Antônia Marília da Silva parece, a primeira vista, uma pacata cidadã, moradora do Largo do Machado. Todas as manhãs ela sai para passear com seu cachorrinho Pluft. Pluft é uma cãozinho da raça Yorkshire e gosta muito de ser mimado pela sua dona. Dona Maria gosta de assistir a telenovelas na TV – “Só as da Globo que são mais bonitas” – Salienta ela. Católica praticante, ela vai todo domingo a missa com suas amigas e com elas tem encontros quinzenais onde discutem sobre assuntos variados e costuram juntas. Ela e suas amigas já mandaram uma carta para um conhecido escritor de telenovelas pedindo que o mocinho não se divorciasse da mocinha no final. E também juntas fizeram um lindo bordado que expuseram no saguão da igreja do bairro.
Dona Maria estudou até o ginásio. Filha de uma família lacerdista ela diz que nunca se interessou muito por política. “Nunca gostei muito desses assuntos” – Diz ela numa bonita indiferença, terminando de ouvir os programas da Rádio Globo como faz há quarenta anos.
Dona Maria pode ser taxada por muitos de uma pessoa comum, uma das muitas boas senhoras do bairro. Se não fosse o incrível fato de ser a tataraneta da Condessa de Marília Paula.
Entra quadro com fotos da condessa – Desde jovem até a sua velhice – Começa a canção : “Naquele Tempo” – (Meus tangos não são maxixes) – Ritmo de tango e voz de opereta. – Volta ao plano de Dona Maria e a narração em Off.
“Eu já ouvi falar muito dela sim. Há um tempo atrás uns cabeludos vieram aqui em casa me perguntar algumas coisas e eu disse pra eles o que estou dizendo hoje. Ela é minha tataravó e só isso. Não acho que herdei qualquer coisa dela não... Um filho de um bandido não é um bandido. Acho que quem faz a pessoa é ela mesma.”
Dona Maria tem uma imagem bastante negativa da Condessa e não guarda em sua casa nenhum de seus livros que por muito tempo foram proibidos. Entrou em contato uma vez com a poesia de sua parenta distante e disse não gostar muito por ofender a muitos.
Dona Maria nasceu no dia 03 de Março de 1937. Descendente de uma rica e abastada família de plantadores de café do Vale do Paraíba, que nos anos 20 e 30 perdeu quase tudo, Dona Maria cresceu num ambiente de classe média de profissionais liberais. Em 2007, ano dessa reportagem Dona Maria completou 70 anos. Mãe de três filhos e avó de cinco netos, todos morando em Juiz de Fora, Dona Maria quis viver só no Rio com seu cãozinho Pluft.
Ela diz que prefere a solidão a ter que viver em Juíz de Fora.
Dona Maria é uma das personagens entrevistadas nesse grande projeto que tem como objetivo resgatar informações e torná-las disponíveis para o público em geral sobre a Condessa de Marília Paula.
