“mi corazón es un eterno taller de escritura” – José Carlo, Boedo.
sexta-feira, maio 30, 2008
CNBB e Bancada Religiosa
CONFESSA COM TUA BOCA QUE NOSSO ESTADO É LAICO
CONFESSA COM TUA BOCA QUE NOSSO ESTADO É LAICO
Neo-obscurantismo
Neo-conservadorismo
A mesma ladainha velha.
RESIGNA-TE!
quinta-feira, maio 08, 2008
Platonismo Complicado I
E faz aquele carinho
Meu olhar escapa do teu
Desinteressado
e sai de fininho
Te sei arredio e pretensamente tímido
Ousada por demais é a tua timidez que se insinua pra mim
E já adivinha os momentos de mais tarde
Onde a música nos pegará no colo
E nos ensinará o amor
Como só ela sabe assim
Enquanto isso não acontece
Te olho
De esguelho
Pelo espelho
Fosco do desejo
Enquanto isso não acontece
espero
desespero
e espero novamente
O amor que tece
costurando o tecido mais belo com o fio da tua luxúria
descosturando com a lascívia pretensa da minha lamúria
poesia ralé
que são fodas não dadas
e sim inventadas
escrevinhadas
enfeitadas
e metidas a bestas
que com o leve toque do teu olhar recuperam o fogo das cinzas
do amor mais devoto
e se tornam poesias sinceras
lindas quimeras
a rasgarem-me a roupa
quarta-feira, abril 30, 2008
A Paixão de Abril
Esclarecimento:
Assim como a idéia de outono é de ronavação, proponho aqui um anti-outono. Não algo como o declínio ou o contrário deste. Não é a idéia das folhas depois de nascidas e gastas que caem. Não, não é nada disso. A idéia do meu Abril tem a ver com um outono arrependido. Com algo que não teve um apogeu para se chegar numa queda. Como algo que nunca aconteceu. Acho que a melhor imagem poética que tenho para essa categoria tão subjetiva são os livros que um dia vi numa biblioteca: eles nunca tinham tido a chance de serem lidos. Foram livros comprados pelo estado há muito tempo e estavam esperando a catalogação numa caixa. Livros novos, nunca folheados, porém com cheiro de velho, amarelados e já com manchas. É essa, é essa a metáfora de um amor nunca acontecido de uma paixão de Abril. Um tipo de tristeza concentrada.
É um outono mesquinho, um anti-outono. Ou uma primavera inchada que morreu sem nunca ter passado por um verão.
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Abril desfalece no meu peito nublado
Recosta sua fraqueza em tão ínfima roda
Abril já não julga mais ninguém
Abril vermelho ainda de raiva
De vida
Abril desfalece no outono aguado
Abril já não sabe de quem é dono
Abril é a incerteza da senilidade que já pede para ir embora
No canto esquerdo havia outra coisa não muito nítida e clara.
Era Sara. (Era verdade que Sara era doente)
Sara foi uma mulher nascida no século passado. E eu tenho uma descrição de sua vida que me foge sempre quando quero escrevê-la. Sara saiu pela primeira vez a conquistar o mundo. Ela tinha uma vontade de mundo do tamanho dela. Não, não sei da sua morte.
Sara me faz lembrar da paixão de Abril. Um Abril platônico. Platonismo maior nunca existiu quando era eu o ser apaixonado a fazer uso do amor. A denúncia constante do eu gosto tanto de você.
Abril já abraça com carinho o meu sentimento mesquinho.
O amor perdido, o amor que não foi, o amor que abortou
Um sentimento cobarde, um sentimento covarde, um sentimento
A vagar o olhar a procura da presença, do abraço, do leve toque, do som
Eu gostava de me agazalhar na tua voz quando sentia frio de vida
E só de ouvi-la eu me sentia confortado, cada som, cada frase era uma carícia plena
Cada silêncio era um lençol que eu despia que eu cobria meu próprio corpo
Que tinha fome do teu olho que eu tanto olhava enquanto falava
A poesia concreta descrita pelo teu olhar fugidio arredio
O pretenso movimento de teus lábios recortados e apressados
As tuas nunca quase falas. As tuas confissões hesitantes.
E sentir frio de vida naquela altura do ano era a mesma coisa que dizer não vá embora fique aqui.
Era se atrever a pensar no seu toque e na sua pele
Era o teu calor que adivinhava no meu sofrimento no meu peso de estômago
Eu, eu levava o mundo
Uma vontade do mundo
Uma paixão inconfessada
No meu estômago
Um par de mãos que tremiam ao pensar no teu toque na tua nuca nas tuas pernas
Eu, eu era um excesso de par de mãos
Que cantavam a melodia do toque de teu olhar :
- Fall in Love -
A proposta estética de uma canção dum Outono apaixonado.
Imersos no amor chegamos a superfície
Trazendo a sua cobertura
Grudada a nós
O Fel
Fel in Love
Que nunca provamos
quarta-feira, abril 16, 2008
Poeta Mineiro
"INTENÇÕES POÉTICAS - PARTE I
Minhas intenções são boas assim como os são os cabritos que vagam em Jericó.
Tinhorão adora falar mal da música.
Eu quero ser um Tinhorão da poesia macarrônica.
A poesia macarrônica tem má-fé
Nem sincera é.
Baby, eu declamei o Vapor Barato enquanto te babava as costas
E minha mão passeava pelo teu corpo de peão valente
A sodomia durou até o pôr-do-sol na praia da Macumba
Você, atrevido, pulou na areia e deixou-se ficar nu
Na escuridão seríamos dois corpos consumindo a nudez
Aprendi o braile do teu corpo
E sabia ler parágrafos grandes e sentenças duras
Como aquele título arredio e tímido
Baby, pudesse eu falar inglês te cantaria uma canção
Para o meu namorado, amigo, amante
My litlle darling
Moi, je taime
Putinha do meu lar
As folhas aqui em BH estão verdes
Assim como o Castelo
E ficarão cada dia mais verdes
Minas.
Minas é o Rio sem mar.
E eu, eu sou nada sem você" -
(José Carlo, Janeiro 2007)
domingo, março 16, 2008
Os monarquistas de Niterói
Ele estava ilegal e eu logo pensei no meu índio viril obediente cristão reprimindo esse criminoso. Araribóia é o máximo. Confesso que caio de paixão pela sua dedicação e sua fé inabalável no poder de Deus. Faria como ele e renderia homenagens mil. Afinal, os tapuias eram por demais enfadonhos e não se rendiam a política dominante. Fato é que tive vontade de esganar aquele miserável. Araribóia substitui minhas invocações fascistas reprimidas que calam fundo. Todo aquele corpo nesse símbolo da operação, esse logotipo, toda aquela truculência tipicamente brasileira você sabe com quem está falando me deixa até excitado. Acho que Araribóia é bicha."
(Emiliano Marcelino)
Venho por meia desta proferir sentenças suaves sobre um texto lido.
Os Monarquistas de Niterói ( que não são os Inocentes do Leblon ) existem e estão estruturados em torno de um conceito ainda não definido. Podemos dizer que são arquétipos de uma classe política repleta de baluartes da cultura niteroiense. Eles fazem parte da Oficial Hight Culture local.
A afamada Academia Fluminense de Letras localiza-se na Biblioteca Estadual de Niterói. Lá, numa sala que teima em prender o tempo pelo cangote, derretem retratos de velhinhos simpáticos e bigodes a mil. Livros nunca deflorados amarelam-se numa lascívia anti-sexual. É uma coisa meio estranha pensar na referência a negatividade do nosso positivismo brasileiro deveras infantil.
Quase que ouvimos os berros surdos e abafados de Parúsias, Procelas e Arrolos mofando.
Enquanto isso, a Biblioteca amanhece defecada pela população que tem sua entrada barrada, seu acesso aos livros restritos.
Fora o tempo em que a Condessa denunciara o mijo no teatro municipal. (faço referência aqui a uma crônica escrita por ela no início do século passado sobre o eurocentrismo decadente inicial do teatro municipal. Quem quiser achar a crônica procure pelo título: "a civilização européia nos deu muito mas me deixou com dor de barriga" - Condessa de Marília Paula)
Hoje quase cem anos depois temos a metáfora viva de uma concepção elitista e megalomaníaca de cultura e sua conseqüência nefasta.
As fezes que circundam a biblioteca desfalecida falam por si só. É necessário um registro sociologizante-poético sobre isso que acontece em tempos atuais.
Os monarquistas de Niterói são pouco para tantas fezes. E eles ainda nem enfezados estão para com o que acontece, para com as doutrinas deturpadoras. Remeto para o poema de Emiliano Marcelino: ("Descubra o católico progressista que há em você e venha conosco desenvolver o Brasil" Piracicaba, 1958) E não há D. Pedro II que os salvará da turba afoita e dos barulhos radiofônicos. Essa gente é perigosa e traz dentro de si os germes da revolução.
Interpreto as fezes humanas como protestos surdos gritados ao ouvido de uma direita pedante que flerta as vezes com a P.Edx e com uma pouca classe de detentores de um pedantismo e uma erudição decadente.
Araribóia está com eles e eles o aclamam herói. A História para eles ainda fede ao positivismo tacanho e imbecil da nossa república velha que nem sequer tocou nas carruagens da monarquia.
E eles ainda acham que os jovens de nada sabem.
Padre Perereca está comigo. Soube por reunião mediúnica que Niterói é um centro cósmico de baluartes falsamente inflados.
Entenderão eles o Manuel de Barros?
Soltará você o Barro primordial em forma de poesia concreta defecando no Vaso Chinês estranho mimo encarnado em biblioteca abandonada pelo poder público?
A turma dos garotinhos cumpriu sua importante tarefa ao desmerecer parte dessa tradição pseudo-positivista-católica-doce-de-abóbora ao trazer a cena a debilidade da religião anti-intelectual.
Sou pela república e nela ponho fé. Os poucos padres desse círculo monárquico não sabem de nada. Deus e Jesus abandonaram a monarquia há tempos.
Li algo do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói.
E me inspirei a pensar a anti-dialética dos dias atuais.
O XIX ainda existia para mim e eu pude tocá-lo e sentir seu corpo e provar de sua pele. E eu que achava que o XX já ia pelo ralo vi que tudo é uma questão de temporalidade conflitante.
Hesito entre os XXI anos de minha vida. "Desde que não consegui dizer que tava com vontade de te dar um beijo na boca estalado." Esboço de uma poesia de José Carlo.
Estou trabalhando no ensaio de enquadramento de categorias sociológicas que permitir-me-ão cientificamente avaliar o nível exato de historicidade que aquelas fezes e aqueles escritos contém.
Espero retorno.
sábado, fevereiro 23, 2008
E faz e faz e faz
Quando cai de boca na decisão
Carnal
De que a vida não é muita coisa
E o mundo é gente pra caramba
Gente que sofre
Ri
E faz
E faz
E faz
O amor um dia me fez bicho
Degradado e humilhado
Que sai de fininho
No peso de uma paixão
Porque gente às vezes é vazio
Tão vazio que a gente nem fala
Nem sente
Nem toca
Mas chora
Chora muito
Gente às vezes nos dá ânsia de boca
De engolir o desejo
Há dias sublimado
E quando há paixão temperada
E quando há amor sem sal
A gente vomita o desejo
O corpo
A gente
Vazia ou não
Em nós mesmos
Animalizando a nossa pretensão humana
Na pretensa sobre-humana vontade
De a tudo controlar
Com amor
O ódio.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
O Verão não é Cristão
De tão piquititinho.
Meu amor por você é interminável.
É grudento. É um encosto.
A te lamber as costas.
Enquanto o rosto lavas.
No verão a gente mata a poesia.
É fato.
Mas a gente se escreve de outra forma.
Acho que a poética só volta mesmo lá pro outono.
No verão tudo derrete numa sacanagem pura.
No verão
O nosso amor se faz no claro.
Da noite ainda dia.
No verão a gente vê a nossa nudez.
A gente não vê sensatez.
No verão a música mais brega é a nossa.
Bagaceiramente vamos de bar em bar.
Atrás de comida sincera.
No verão a gente finge que não trabalha.
E quando chega em casa o amor atrapalha
Tanta sacanagem mal-intencionada
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Esboço do Especial de TV 2008 (sem decupagem)
- Narração em off – Plano de Dona Maria passeando com o seu cãozinho – Sorrindo para a câmera na praça do Largo do Machado
Dona Maria Antônia Marília da Silva parece, a primeira vista, uma pacata cidadã, moradora do Largo do Machado. Todas as manhãs ela sai para passear com seu cachorrinho Pluft. Pluft é uma cãozinho da raça Yorkshire e gosta muito de ser mimado pela sua dona. Dona Maria gosta de assistir a telenovelas na TV – “Só as da Globo que são mais bonitas” – Salienta ela. Católica praticante, ela vai todo domingo a missa com suas amigas e com elas tem encontros quinzenais onde discutem sobre assuntos variados e costuram juntas. Ela e suas amigas já mandaram uma carta para um conhecido escritor de telenovelas pedindo que o mocinho não se divorciasse da mocinha no final. E também juntas fizeram um lindo bordado que expuseram no saguão da igreja do bairro.
Dona Maria estudou até o ginásio. Filha de uma família lacerdista ela diz que nunca se interessou muito por política. “Nunca gostei muito desses assuntos” – Diz ela numa bonita indiferença, terminando de ouvir os programas da Rádio Globo como faz há quarenta anos.
Dona Maria pode ser taxada por muitos de uma pessoa comum, uma das muitas boas senhoras do bairro. Se não fosse o incrível fato de ser a tataraneta da Condessa de Marília Paula.
Entra quadro com fotos da condessa – Desde jovem até a sua velhice – Começa a canção : “Naquele Tempo” – (Meus tangos não são maxixes) – Ritmo de tango e voz de opereta. – Volta ao plano de Dona Maria e a narração em Off.
“Eu já ouvi falar muito dela sim. Há um tempo atrás uns cabeludos vieram aqui em casa me perguntar algumas coisas e eu disse pra eles o que estou dizendo hoje. Ela é minha tataravó e só isso. Não acho que herdei qualquer coisa dela não... Um filho de um bandido não é um bandido. Acho que quem faz a pessoa é ela mesma.”
Dona Maria tem uma imagem bastante negativa da Condessa e não guarda em sua casa nenhum de seus livros que por muito tempo foram proibidos. Entrou em contato uma vez com a poesia de sua parenta distante e disse não gostar muito por ofender a muitos.
Dona Maria nasceu no dia 03 de Março de 1937. Descendente de uma rica e abastada família de plantadores de café do Vale do Paraíba, que nos anos 20 e 30 perdeu quase tudo, Dona Maria cresceu num ambiente de classe média de profissionais liberais. Em 2007, ano dessa reportagem Dona Maria completou 70 anos. Mãe de três filhos e avó de cinco netos, todos morando em Juiz de Fora, Dona Maria quis viver só no Rio com seu cãozinho Pluft.
Ela diz que prefere a solidão a ter que viver em Juíz de Fora.
Dona Maria é uma das personagens entrevistadas nesse grande projeto que tem como objetivo resgatar informações e torná-las disponíveis para o público em geral sobre a Condessa de Marília Paula.
quarta-feira, novembro 07, 2007
Índia Índie - Poética descolonizada
O desejo.
Ouve-se a canção que diz: "Ele já não gosta mais de mim, que pena..."
A voz que altiva se levanta se sobrepõe ao som da Gal cantando. A voz comanda um jogo de palavras feito de cacoetes e outras coisas segunda-mão:
"Quando dois corações se amam de verdade
Não pode haver no mundo maior felicidade..."
Interrupção da declamação da poesia quando o poeta, de chinelo e camisa rasgada, vai tomar água e ir ao banheiro.
Na rua o desejo. Na casa o desejo. Na vida o desejo. Tudo desejo. No desejo o desejo. Plagiando o texto do Ionesco onde o fogo pega fogo.
O desejo e o impulso de Eros.
Poeta confessa: “uma vez tive orgasmos só de ouvir teus versos. Eu os imaginava concretos e apalpáveis e através deles experimentei o que posso chamar de orgasmo literário.”
"Versos que fedem a mais retinta erudição de trezentas punhetas diárias"
- Cena do Capital todo esporrado pelo intelectual doentio que divide a mão entre o lápis e o pau.
A sonhada revolução comunista tanto esperada nos livros.
Plano duma Rio de Janeiro do futuro comunista. A história e o seu desenvolvimento. Marx estava certo. A religião era realmente o ópio do povo e a revolução triunfou depois de muita luta. Lá pelo século XXII ou XXIII, lá pelos cantos de São Conrado observamos um estranho estabelecimento.
Em neón o letreiro avisa “CENTRO DE SOCIALIZAÇÃO - NOS TEMPOS DO CAPITALISMO” - a estatização do sexo e da nostalgia.
Patrões e Patroas a sua disposição. O fetiche da mercadoria. Venha se tornar uma mercadoria. Encarne num proletariado oprimido e desconte a sua raiva e a sua tensão sexual no patrão burguês. Modelos variados. Do capitalismo selvagem do século XIX ao patrão consciente e dedicado dos anos de guerra do século XX e o patrão new wave do fim do século XXI.
Venha se sentir coisificado por algo a mais. Tudo isso para relembrar-vos de um tempo em que o sexo era mercadoria.
Mulatas fabricadas sambam samba plastificado e tomam cerveja num autêntico botequim do subúrbio carioca. A do meio diz filie-se ao partido comunista do Brasil e mostra a carteirinha sorridente.
- Centro de referência para treinamentos de meninas com dons de Bruna Surfistinha. Uma espécie de patrona.
E como fica a prostituição numa sociedade comunista? – A pergunta que não quer CA - LAR
Grandes termas públicas - O sexo é de todos - A comunhão sagrada - A família derrotada - Orgias revolucionárias em nome da humanidade.
Distopia.
Utopia.
Admirável xoxota nova.
Desejo.
Poeta volta no tempo para o ano de 2007.
E enumera os acontecimentos daquela primavera.
Outubro vermelho.
E a grande revolução de Piracicaba.
E de lá o grande lider.
Ouve-se a canção ao longe “Pra não dizer que não falei da propriedade privada”
(A revolução brasileira!)
112º aniversário de Fidel. - todos comparecem a cerimônia do velhinho que do alto acena para todos.
Deus não levará Fidel até que a revolução se consuma na américa latina.
Tango por una cabeza – Tournant a gauche na América Latina
Erupção de golpes e revoluções comunistas
Fim da canção “Pra não dizer que não falei da propriedade privada”
(Entra canção interpretada por Ney Matogrosso : "Deus salve a américa do sul...")
O bilingüismo como alternativa. Todos hablamos español.
Religiosas cubanas se benzem e fazem o sinal da cruz admirando o velhinho na TV.
Poeta preocupado com a sua paixão leviana. Pela extinção do amor e da obsessão.
Gal cantando: "Ele já não gosta mais de mim, mas eu gosto dele mesmo assim"
Transformar desilusões amorosas em poesias de cuca fresca. Beber a bebida amarga e vomitar na privada do bar toda manchada. Acabado em casa ouvindo a Ângela Rô Rô no rádio todo fudido. Cantando a canção da pena da pequena que no amor foi se iludir.
A poética da pena da pequena. Jogo de palavras por demais batido.
Subversão da letra: “Ele já não é o meu pequeno. Que peno.”
Que penar. Ouvir a Rô Rô quando apaixonado e escrever um verso que começa com a palavra Eu.
O desejo.
O corpo. De longe avisto os pés e a silhueta de um corpo.
Luz e sombra - O fotógrafo faz um nu artístico onde só aparece o que você quer.
Por Baco eu vejo o seio da atriz que linda se entrega a Dionísio.
Dionísio de longe ri e continua na sua cena.
Na sua cena!
Não faço cena, viu Açucena.
Açucena atriz comportada. Mamaluca.
Poeta escreve verso no verão de 2005 - o último verão antes de tudo começar a desandar com o aquecimento global.
No caderno escreve a história de José Carlo, arquétipa. Poeta imagina a vida do ângulo temido. Não tem jeito. Não tem como escapar. Da sua sina. Açucena interpreta freira assassina.
Novamente Ney cantando novamente e nunca vi rastro de cobra nem Vontade sublimada nem desejo inventado.
"Eu não faço cena e nunca fui atriz. "
Verso tatuado nas costas da atroz.
Poeta interpreta atriz bandidona acusada de roubar comida do patrão. Na praça o público assiste ao seu julgamento. É 1988 e todos têm a geladeira vazia enquanto, ela, a bandida tem a geladeira cheia e ainda vai fazer uma feijoada. Uma feijoada de verdade!
Roda de samba em Maria Paula - "Na minha casa todo mundo é bamba" - Samba sincero do final do século. E a infância feita de realidades inventadas.
Gal na vitrola
Glam : "Ele já não gosta mais de mim"
Poeta completa : "Mas eu gosto dele mesmo assim"
Deus interpreta Diabo e o Diabo interpreta Deus na nova montagem de Deus e o Diabo na terra do ACM.
(Homenagem póstuma àqueles que tanto fizeram pela Bahia)
Gal derretendo canta : "Ele já não come mais pudim"
Gal e seu disco mais sincero.
Gal bossal / boçal
Gal abissal canta Macalé
"Não choro meu segredo é que sou rapaz estressado"
Indiassincracia.
Na UnB o curso de cinema que mal teve tempo de começar. Dezembro de 1968 limpou o Brasil dos intelectuais combativos. – Nas entrelinhas lê-se ORGÂNICOS – Nas entrelinhas lê-se engajados.
Sobraram as tiazonas dos militares com seus livros velhos do Estado Novo e seus conhecimento de um Francês rendez-vous.
Francês rendez-vous: “Je m’appelle Maria et je suis mariée”
O Globo de 16 de Abril de 2015 noticia:
"Morte do poeta enquanto jovem. Com seus 28 anos poeta ingere toda a água da Baía de Guanabara e não explode. Espinha de peixe mata-o e perfura o seu pulmão" - Plano do poeta dez anos antes chorando em baixo da amendoeira. Seu amigo o abandonara e ele estava só. E para completar começara a esfriar como nunca antes esfriara.
poeta plagiador não convalesce e sim tenta recuperar poesia perdida. (faz questão faz sofrimento de passos na mesma rua)
THE FLAN IN THE FACE THE FLAN IN THE FACE THE FLAN IN THE FACE
Gal canta na vitrola canção que diz:
"Palavras, Calas nada fiz"
A canção mais triste já escrita por Caetano Veloso.
“Eu sou um homem tão...”
Poeta coleciona canções com lágrimas. E orgulha-se por um dia ter chorado ouvindo Samba suor e cerveja.
Samba de fevereiro na Lapa. Suor com cheiro de cigarro e cerveja que percorre o corpo trêbado. “Salgado”
Cú de bêbado não tem dono - já dizia a sabedoria popular.
Na lapa diversos cús sem dono desfilam procurando alguém legal pra ficar.
Estilo colonial. Ano: 1750 - Hoje serve como mijador e para a passagem do bonde anacrônico que nos leva a Santa Teresa - Eu sempre quis morar em Santa Teresa. É talvez o que tenho de original mais anti-europeu em mim.
Complexo de identidade – forjada, inventada, fetichizada. (Somos todos europeus)
Renegar a cultura européia e adotar o guarani como língua oficial. Gramáticos cultos que entoam cânticos guaranis nas vielas do Rio: "Ñanderú, Yyw Wyye"
O Paraguai inchando tanto que engloba o Brasil e chega até a África. O Paraguai é o país do futuro. O país menos latino e mais americano que existe.
Termo latino-americano – paradoxo encoberto pelo sistema cultural do mal.
O Paraguai é de Deus. E Deus não é Europeu nem Brasileiro. Macaquitos. O totem rejeitado. Somos todos macacos? Somos todos marcianos? Complexo de colonizado. Reescrever manifestos que assolaram o modernismo latino-americano. Vento de mudanças.
I met you in 1930 e você estava outra!
Gal canta na vitrola "Vaca Profana"
Plano escuro do dorso de um homem obscuro. Trecho do poema que diz sobre as costas e sobre o mapa da perdição.
O tráfico de escravo em costas negras.
Negro esbelto, mestiço, mameluco retratado por Grande Pintor da década de 30 - Costas Negras - Mapa da Mina. No Benim intelectuais reprimem exclamações de agradecimento ao governo português.
A Professora de História do Brasil Colonial com sua voz inconfudível sobe na cadeira e exclama :
"O Brasil não se formou no Brasil E sim num Riiiiiiio chamado Atlââântico."
Atlântico de Janeiro. Bicando galho. Cagando Alho -
Poeta com envelope azul revela : And her name is Fear N' And ....
Paixão heterossexual reprimida - Heterodoxia teórica - Se se pode optar entre a maçã e a banana porque não escolher os dois? Por isso o marxista lê Gilberto Freyre - Eclético.
Paixão heterossexual - Se acaso você chegasse no meu quarto e encontrasse aquela revista proibida que nunca comprou. Será que teria coragem de me perguntar para sair?
Gal na vitrola canta canção ainda não escrita de Caetano Veloso, com incursões na poesia de Catula da Paixão Cearense. "Meu coração tem mania de liquidificador"
Fetichiza, meu amor, fetichiza
(Cantor brega canta em espaço de socialização SÃO CONRADO XXIII SUA NOVA CANÇÃO)
Fetichiza enquanto há tempo.
Enquanto há tesão
Há esperança.
O desejo proibido.
Libido.
Beijos sôfregos que machucam a gêngiva.
O amor não sente dor.
Interrupção na hora do gozo. - Gemido em Chinês - Sexo tântrico bastante démodé em tempos pós-modernos.
Cientistas Taiwaneses descobrem a máquina de gravar orgasmos - grava-se um orgasmo e pode-se aplicá-lo em qualquer lugar em qualquer hora - quebra de tabu oriental - reuniões orgásmicas.
Taxa de suicídio das criancinhas japonesas - Taxa de suicídio em Niterói.
Cidade sorriso - Niterói lugar de gente feliz. - Niterói cidade sorriso - Niterrói terra brasílica de puetas -
Gal canta na vitrola samba do avião do Tom Jobim - Galeão, Galeão, Galeão me dê um pouco do teu ão.
Poeta de mão dadas com seu companheiro entra num supermercado em Realengo - Apedrejamento dos homossexuais no Irã - "Tem que matar tudo mermo, tá tudo errado" - "O Pau foi feito pra encaixar na Buceta" - Poeta como mártire – Na capa da revista semanal “Viaje”.
Espíritas de todo o mundo se reúnem para a continuação do livro dos espíritos - Jesus está na América neste momento e as coisas não estão boas. Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos marcianos.
Gal cantando na vitrola a música da madrugada.
Gal faltando ao trabalho.
Gal acordando tarde.
Gal com Glaucoma.
MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL - MA - TA - GAL
Exclamação de jovens nascidos na década de 80 quando vêem a capa do LP Índia Indie : "Mas como ela era gostosa"
Gal canta na vitrola :
"Eu vi o tempo".
Big Cunt records. - relança o LP Índia Indie (sem biquini)
Mata a Gal por favor.
Poeta exclamando última vontade de vinda.
Meus vinte exatos anos me convencem que a vida é por demais absurdo.
Waly responde: TA - LE - GAL - EU ACEITO ARGUMENTO - MAS NÃO ME ALTERE A POESIA TANTO ASSIM -
Foto de Buenos Aires no centenário da revolução - A capital branca, a Paris americana - Gal cantando em castelhano canções do Roberto tomando sorvete na melhor cidade da américa do sul e ouvindo tango na Plaza Del Mayo diz:
"La concepcion aristotelica de una coesion y harmonia natural entre lo individuo y la sociedad desaparece de las teorias modernas y su lugar es ocupado por la descricion dessa relacion en termos de conflictos y contradiciones. Expressiones como "la turba solitaria" y "privatizacion forçada" tornaramse lugarescomunes en la reciente literatura sociologica. Es cierto que la "soledad" en los ultimos cincoenta años, tiene sido el tema central de las pieças de arte, y tambiem como de muchas discussiones teoricas."
“-o bom é ser feliz e mais nada, naaaaaaaaaaada"
sábado, outubro 20, 2007
Repúdio a operação araribóia

"E como se não existisse a luta de classes" - Nesta primeira década de nosso novo século ela é forte e aguda por mais que muitos queiram negar a sua existência.
Por isso primamos pela transformação.
Todo o apoio aos camelôs, todo apoio ao comércio autônomo.
(Enrustindo-me do apoio a pequena empresa ; still thinking no capitalismo)
E que na cidade chamada Niterói tal operação não seja mais do que um sintoma do nosso quadro social. Tão indiferente nos olhos da nossa nova-pseudo-classe-esquerdex-chique-centrex-centrada-madura-endireitada. Os mesmos camelôs que vendem para as senhoras de Icaraí, senhoras tão educadas gente tão fina. E no morro do Céu tem gente morrendo por causa do lixo.
Humanismo antes de tudo.
Aos responsáveis pela Araribóia Operation e para os políticos conservadores e pseudo-esquerdex de Niterói:
"Camelô
Camelô, esse dono da calçada
Na conversa bem jogada
Vende a quem não quer comprar
Se tivesse tido a chance de uma escola
Muita gente de cartola
Lhe daria seu lugar
Ele é vesgo, pois a profissão ensina
A ter um ôlho na esquina
E outro olho no freguês
Assim de vez em quando ele escapa
Gozando a cara do rapa
Que bobeou outra vez
Aconselho então
A muito deputado que ganha calado
Escutar o camelô com atenção
O distinto aprenderá a falar de fato
E ao terminar o mandato já tem uma profissão"
(Billy Blanco)
E haverá tempos meu amigo, haverá verbo no futuro
Tese do dia que virá que cismamos em usar
Mas meu amigo, meu irmão, meu camarada
É preciso comer, é preciso viver, é preciso cantar
é preciso amar
Louvor ao piratex. Toda a propriedade intelectual como um roubo.
Ninho de contradições. Welcome to the inorganic jungle.
E mais do que nunca é preciso cantar.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Só Jesus Expulsa Poesia das Pessoas
"Eu não tenho religião, pois sou inteligente" (Província de Nictheroy, Maio de 1845, após ler todos os livros de Voltaire e Marquês de Sade no original)
"Melhor que tirar o diabo do corpo, é botá-lo no corpo. É uma delícia!" (Frase pronunciada em uma de suas festas em sua fazendo, quando dançava nua com seus amigos o ritmo do Lundu e outros batuques africanos, Janeiro de 1856)
"Se eu não fosse a Condessa de Marília Paula eu seria a Deusa Mãe Invertida e Diaba nas horas vagas" (Frase proferida quando de sua estada na casa de outra poeta obscura em São Paulo, Fevereiro de 1900)
"Meus versos defloram virgens e sujam de Pecado qualquer pretensão imaculada" (Em entrevista um pouco antes de morrer, quando da sua viagem a Berlim em outubro de 1924)
- Condessa de Marília Paula
Este poema feito por inspirações transcendentais é dedicado a alma de tão infeliz pecadora.
Minha humanidade proibiu-se mostrar desde tempos imemoriais
Minha humanidade foi banida de qualquer forma de expressão
Hoje ela é comedimento e submissão e espera de qualquer coisa maior que nós
Tenho vontade de escrever toda a vida numa só linha.
Desde a criação, desde o zero primordial.
Está ocorrendo uma inversão de valores.
E essa inversão não é fruto do século XXI, e sim, fruto do pecado
Do pecado
Do pecado
Do pecado
Até quando portas estupidas?
Até quando humanidades enjauladas, até quando isso?
A esperança de ver a nação transformada não está nos homens
Mas sim naquele que é o único que pode reverter as mazelas
e libertar esse povo de toda e qualquer escravidão:
O Senhor Jesus.
(Frente a ti minha humanidade é rala
Frente a ti minha humanidade é fraquinha e agüada)
Não, frente a ti minha humanidade é grossa. E a tua, Senhor, tão grossa o quanto.
Libertação financeira.
Libertação financeira.
Na batalha espiritual conseguirei todas as coisas que quero.
Libertação financeira.
Libertação financeira.
(Poeta lambe a bíblia folheada a ouro. E cada página feita com diamante.
É preciso muita riqueza para o Senhor, para impressionar os crentes
Tomar de amiúde de empréstimo a estética do rococô no mais virulento dos contextos e fazê-la reluzir no olhar dos arrebatados )
"Estou vendendo a minha alma ao Diabo nestes versos" - Trecho de um poema da Condessa.
Não os leia. Não os leia pois quem os ler vai tornar-se comparsa do Diabo.
Quiça um cúmplice fatal.
Quiça o próprio Senhor do Mal.
"Diabo, diabinho, diabão, cabe em ti qualquer humanidade?
Diabo, diabinho, diabão, podes sentir ternura em meus versos?
Comunga-te de qualquer coisa que não sabemos o quê.
Comunga-te tu também"
Não adianta mais teus mesmos versos que dizem:
... Tremam todos e blá blá blá ....
Eu sou o pecado. Eu construi as cidades do pecado, eu fui o anjo decaído.
Não pense que é piedade ou qualquer coisa parecida.
É maldade mesmo. Das brabas.
Na verdade - acho que voces já podem ouvir isso - eu, o Diabo, criei Deus.
Libertação financeira.
Libertação financeira.
Não, frente a ti minha humanidade é roxa de raiva e vermelha de fome.
De fome. De fome. De fome.
O senhor é meu pastor e nada me faltará.
Não me faltará absolutamente nada.
Só Jesus expulsa o demônio das pessoas.
Só Jesus expulsa a Renata Sorrah das pessoas.
Logo a Renata Sorrah?
Por que ela?
Só Jesus expulsa o Bispo Macedo das pessoas.
Só Jesus expulsa Maria das pessoas.
Só Jesus expulsa computadores potentes das pessoas.
Só Jesus expulsa poeticazinhas das pessoas.
Só Jesus expulsa conflitos étnicos das pessoas.
Só Jesus expulsa coca-cola das pessoas.
Só Jesus expulsa a maconha das pessoas.
Só Jesus expulsa a faculdade mental das pessoas.
Só Jesus expulsa o demonio de saia das pessoas.
Só Jesus expulsa a propedêutica das pessoas.
Só Jesus expulsa Foucalt das pessoas.
Só Jesus expulsa Newspapers das pessoas.
Só Jesus expulsa vovó do pó das pessoas.
Só Jesus expulsa as pessoas das pessoas.
Só Jesus expulsa expulsa das pessoas.
Só Jesus expulsa Jesus das pessoas
Só pessoas
Tirem Jesus dessa parada.
Bota Jesus no meio.
Tira. Põe. Tira. Põe.
Deixa o zé ferreiro trabalhar...
Jesus : Eu em verdade vos digo / Vão todos pra Puta que os pariu.
Só Jesus expulsa a Puta que o pariu das pessoas.
Só Jesus expulsa o analfabetismo das pessoas.
Só Jesus expulsa a consciência de classe das pessoas.
Só Jesus expulsa a Isabelita dos Patins das pessoas.
Só Jesus expulsa a Roberta Miranda das pessos.
Só Jesus expulsa a masturbação das pessoas.
Masturbação é coisa do demo.
Do demo.
Do demo!
Humanidade, orai. Orai. Orai. Orai. Pois o fim está próximo.
Está próximo o fim da estupidez.
A estética realista é tão bonita, tão sincera na sua não sinceridade que me dá vontade de chorar quando vejo algo assim.
Olha que grandeza num só verso, numa só cena.
Só Jesus expulsa Stanislavsky das pessoas.
Humanidade orai. Orai e não deixai o poema acabai.
O poemai precisai continuarai atai oai fimai.
Eu não sou daqui. Eu sou de Marte.
De marte e lá todos comungam do ser coletivo.
É tudo o máximo.
Só Jesus expulsa Marcuse das pessoas.
Aquele papo de Êros e Tânatos, tudo aquilo de id, superid.
Só Jesus expulsa a pederastia das pessoas.
Versos pederastas. Escreverei um verso pederasta que começaria assim:
"eu falo, tu falo..."
Só Jesus expulsa computadores na promoção das pessoas.
Só Jesus expulsa espetáculos off-broadway das pessoas.
Só Jesus expulsa a contracultura das pessoas.
Eu sou vontade no ar preso por determinações psico-sociais.
Eu quero te beijar te agarrar mas não posso.
Só Jesus expulsa o fogo do desejo das pessoas.
Só Jesus expulsa o sexo oral das pessoas.
Só Jesus expulsa o coito interrompido das pessoas.
Eu vou te fazer em música. Vou te fazer em som e imagem.
Vou te fazer em nada, em letra de poema em obsessão. Vou te fazer chegando sorridente
acanhado e feliz em algum lugar
Vou te fazer me procurando vou te fazer atrás de mim vou te fazer assim
vou te pintar vou te escrever
Só Jesus expulsa a escrita blasfema das pessoas
Só Jesus expulsa ongs das pessoas.
Só Jesus expulsa o Zumbi do Mato das pessoas.
Mas assim não dá pois voce não aqui está voce está distante.
Só Jesus expulsa Acre das pessoas
Só Jesus expulsa moda de viola das pessoas.
E minha linguagem por demais subversiva, autônoma, minha prosa experimental, minha monstruosidade literária?
Só Jesus expulsa Guimarães Rosa das pessoas.
Só Jesus expulsa Fernando Pessoa das pessoas.
Só Jesus expulsa Florbela Espanca das pessoas.
E no Hotel Paris atrás de uma poeticazinha para viver e....
Só Jesus expulsa Ella Fitzgerald das pessoas
Só Jesus expulsa cataclismas introspectivos lispectorianos das pessoas
Só Jesus expulsa resquícios de Who's afraid of Virginia Wolf das pessoas
Solamiente Jesus expulsa los impetos sexuales de las personas.
Solement Jesú expulser les droits de les citoyens du persones.
Just Jesus take out blow jobs of the people.
"SE ME DER NA VENETA EU VOU"
"Jesus, eu te amo como nunca te amei como nunca te conheci eu só te peço que tire a roupa da próxima vez." - Condessa de Marília Paula em prosa por demais satânica declamada em ritmo de tango num dia de verão na praia de botafogo há muito tempo atrás. Haxixe, ópio e outras coisas a mais ao redor da Condessa que louca esperneava e berrava já com seus setenta anos de degradação moral e física.
Só Jesus expulsa a rapidinha das pessoas.
As pessoas estão tão cheia de coisas. Eu não sei o que fazer mas você sabe
Você sabe
Só Jesus expulsa Sartre das pessoas.
Só Jesus expulsa tudo das pessoas.
E não deixa nada lá dentro.
Nada.
Nem angústia do existir.
Nem Camus!
Nem ele!
Só Jesus sabe.
E a Xuxa também.
Brasil terra do futuro. Pátria do evangelho. Pátria amada. Pátria Pária Parada. Brasil tudo de nada. Nade de novo. Brasil Brasil Brasil chegar a tua essência é difícil. Pra te conhecer melhor me vou embora por um ano. Sem antes cantar Irene ou Aquele Abraço ou reinventar canções nunca dantes navegadas como eu me vou para voltar com nada mais do que uma marca de abraço em tua camisa eu me faço assim assado com cara de tacho decorando. Decorando o Brasil e seu peito forte e suas costas lindas e suas mãos. Mãos tão belas. Brasil. Brasil. Jesus, agora vem cá, chegue mais perto moço bonito (poeta diz na cama embriagando o amante com frases diversas), se achegue Jesus, você acha que consegue expulsar o Brasil das pessoas?
Jesus Responde:
Brasil é por demais grave. Brasil é profundo. Brasiléia esporrada.
Na minha rua eu não quero fudedança nem ninguém louvando ao senhor.
Estou farto do senhor e de seu lirismo porra louca.
Estou farto da bíblia e da religião.
Estou farto da religião.
Ópio do povo sim. Vão pro inferno todas as religiões.
Ao lixo essas coisas enfadonhas. Ah, como eu queria que Deus não existisse pra todo mundo também.
Jesus mea culpa. Jesus ibid. Ibidem. Jesus hifen. Jesus.
Seu nome em vão.
Esfrego o nome de tudo o que é sagrado no chão.
Pois o chão é humanidade profunda.
"CHEGA MAIS PERTO" - Início de uma frase declamada por um poeta obscuro e vacilante por figura por demais portenizida estilizada em poeta da contracultura em geração do mimeógrafo.
"na praça da playboy"
Yo soy un chico porteño y quiero hablar portugues con vos.
Pero yo no lo sé.
Yo soy una chica portena y me gustaria de trepar con vos.
Pero yo no lo sé.
Yo soy un chico. Un chico y me pregunto se vos me gustaria de darme un beço o otra cosa.
Yo soy Mary.
Mother Mary comes to me and do the fucking thing and before everybody she takes out her clothes and say in perfect french:
On y va? Oui, mon amour, mon amour vite.
Mother Mary lives far far away and she doesn't like eating hot dogs because they are made of bad things of the pigs or of the cows mother mary likes writing in the keyboard my perfect english from niteroi
I am loving doing wrong contructions. My portuguese can colonize my english.
Eu vou estar escrevendo uma elegia para o espanglish pro portunhol e principalmente pro revolucionário Frenglish que escrevi quando apaixonado uma vez há dois anos:
Mon amor, Je think that it's pas bon pour do our job. Where is your garçon? I don't sais pas. But Je pense that the communist party du brésil nous going to say le formule de notre program of taking the power through the revolutionary role. Mais avant we doit écrite the choses. Le first thing j'm going to écrire est:
É 2007. Talvez este seja o tempo mais revolucionário que se viveu na terra. A consciencia de classe é um fato. Os patrões temem a conscientização e a classe trabalhadora agrupada em centros e comitês impõe sua fórmula e a revolução é uma questão de tempos. São Paulo já é a capital vermelha e da lá partem os comitês e as centrais de ajudas. A rede globo já está ocupada. Os proletários da Cidade de Deus já ocupam o Projac. As universidades todas estão arregaçadas. As universidades estão arregaçadas e as tendas culturais proliferam. Estatização forçada. Tudo feito com muita flor e muito amor.
The dream is not over.
But the dream is not over.
Because the dream is not over.
Although the dream is not over yet.
Keen. 'OI.
Harry Potter não morreu.
Mas chorei quando terminei o livro.
Since 2000 eu leio e espero o próximo livro.
Só Jesus expulsa leituras tolas das pessoas.
Só Jesus expulsa prosa surrealista das pessoas.
Só Jesus expulsa 2012 das pessoas.
ORAI, aquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente
além daquilo que pedimos ou pensamos segundo o poder em que nós opera.
Para trás de mim Satanás. Isso pra trás. Agora chega mais perto.
Vá de retrum Satanás.
Mas com camisinha.
Vá de retrum Satanás
Mas com camisa de vênus.
Sexo seguro.
Ai Satanás, assim dói.
Só Jesus expulsa Ménage a Trois das pessoas.
Só Jesus expulsa Baudelaire das pessoas.
Só Jesus expulsa Oscar Wilde et Rimbaud das pessoas.
Só Jesus expulsa Osana.
Osana que se jogou das alturas em direção ao mar morto.
Pano encarnado na cabeça.
E as mãos livres para pegar o ar.
O corpo é por demais satânico.
A genitália é satanica.
Não dá pra conciliar cristianismo com genitália. Por isso a repressão.
Capai-vos.
O Pau já tem o formato do demo. Não adianta fazer nada.
E o que dizer da magia e da poética da Buceta.
De espantar qualquer exorcista.
Ela tem o formato do demo vestido.
O Sexo é uma coisa do demônio sim.
Só Jesus expulsa mocidade das pessoas.
Só Jesus expulsa tudo mas tudo das pessoas.
Só Jesus expulsa Sérgio Mendes das pessoas.
Há uma excessão pra Jorge Ben Jor. Excessão essa por demais séria pra se escrever levianamente. Respeitemos.
Eu estou me indo agora na prosa pois sono vem sono vai
eu nasci uma vez e achei tudo muito falso e tudo muito chato e resolvi escrever esse manifesto pra curar minha dor de cotovelo pra curar minha raiva de qualquer obscurantismo.
Jesus diz: obrigado, eu entendi o recado.
Tenho certeza que eles entenderão também.
Amém.
terra brasílica de puetas - 2007
sexta-feira, agosto 03, 2007
Maria
Eu o escutei
“Homenage a Camarón”
De quem era aquela voz?
Gonzáles é morto. Ele não vai poder me dizer!
E eu nem conheço a Espanha!
Sou música! Sim e já te vejo
Como uma dançarina de flamenco
Me chamando para o mistério de tuas mãos
Tão femininas!
Mulher primordial
Louvo a tua estranheza e toda você que desconheço
Teus anseios e teu corpo
Que sabe sentar-se e não ouvir ninguém
E mexer os lábios
Na taverna.
Qual caminho interrompi?
Na garota que magoei.
Mulher, quanta poética tem a mais
Que qualquer homem
E eu, não tenho nada a escrever.
Só alarde a fazer.
Pois traidor sou.
Porém no flamenco purgo o que chamas de imperfeição minha
domingo, julho 01, 2007
FODA
Mas ouvi a Mariquinhas. Que dizia que dar de beber a dor era o melhor.
E entendi um pouco do mundo.
E bebi o sofrimentozinho
Que quero no diminutivo
Pois lambuzemo-nos de coisas boas
E tudo parece menor
E transformemos a tristeza em alegria sacana
quinta-feira, junho 14, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
Poemas Sacanas
DENTRO OU FORA DE UM VÍCIO” (A. Antunes)
“HAVERÁ PARAÍSO
SEM PERDER O JUÍZO
E SEM MORRER?” (A. Antunes)
haverá paradeiro para meu corpo
templo do espírito santo
templo pérfido
templo perdido
templo violado
e sujo
haverá salvação para tamanho inferno
irei me encontrar com o demônio?
irei copular com ele?
irei pedir perdão ao deus no fogo do inferno
irei ver o pecado
amo o pecado quando bem feito
amo o pecado mas tem que ser um pecado que tome conta de todo o corpo
como o êxtase que dura minutos após o gozo
talvez seja a graça em meu corpo
a graça abençoando tudo isso
tamanha graça que nos torna ofegante da nossa condição humana
que vá até o cérebro e escureça a vista
que arrepie cada toque e cada beijo
assim é bom o pecado
assim é bom gozar pra fora como fez aquele na bíblia
jogou sua semente fora e levou uma bronca de deus
assim é bom trepar
em todo o lugar
pecado é ter corpo e não trepar
eu se fosse Eva me masturbaria na frente de Adão
E na frente do dono do paraíso como protesto
E depois junto com a serpente faria uma orgia e chamaria Adão
Se eu fosse Adão me lambusaria com o fruto proibido
Passaria no corpo de Eva e a lamberia todinha!
E convidaria todos
Menos aquele deus que expulsou todos
Ele teria que reinventar a humanidade
ou ficar emburrado com ela pra sempre
e mandar um dilúvio
de castidade
haverá paraíso sem perder o juízo?
perco o juízo contigo
sim
mando ele pra puta qui paril
perco o pudor rapaz
por que tudo aquilo é balela e é furada
quando eu olho para tudo aquilo
fico triste e vejo
como deturparam tudo!
Derramando o seu decote
Seus seios que pulam da camisa
E chamam
E convidam
E pedem
Uma olhada
Ou uma chupada
Rapaz, não brinque não
Eu bem te avisei
Sou homem certo
Rapaz fique na tua
Que afogo o teu sorriso num beijo
E grudo em você
Na noite escura
Eu vi o teu corpo
suado
Senti o teu cheiro
E tua respiração no meu corpo
O teu calor na minha pele
Não sabia o que era sono e o que era estar acordado
Só sei que estava contigo
e éramos um só
tua camisa
tua saia
tua roupa
tua meia
tuas costas
tuas pernas
tua boca
tu todacompleta
aquele que tem lábios finos
e cara de anjo
e olho de demônio
e corpo de deus
a pele e a roupa
o suor
a saliva
o calor
o gemido
teu líquido
meu líquido
nosso líquido
bento.
Dentro e dentro de ti
Eu via o que não queria ver
Via o pior das coisas
O quanto esse momento poderia durar?
Um espasmo, um gozo
Um beijo
Um empurrão
te como
te mordo
te bebo
te chupo
te mastigo
te solvo
A chupada chapada na chopada
Chupada
Chapada
Chopada
Chupada na madrugada
Chapada de cerveja
Chopada de indecência
Ela não quer ouvir falar em nada
Quanto menos ele.
E que se foda tudo!
E o que importa é a chupada
profunda.
pequenas coisas escritas
escrividas
escrevinhadas
escritinnhas
escrotas
escrutinio
teus braços de homem
tuas mãos ágeis que fingem escrever alguma coisa
que fingem pensar várias coisas
teu rosto e tuas sobrancelhas que fingem se espantar
teu sorriso de menino
para sempre guri
lá na escuridão nos defrontamos com aquele que sempre vem
nos tornamos adultos entendendo o desejo
compreendemos pequenas coisas
lá no beco
onde o vento não ousa chegar
eu meio tonta
e você me chamou de mulher
pela primeira vez
e o teu corpo
teu peito e tuas costas
tuas mãos e teus braços
tuas pernas e teu sexo
teus pés e tua nuca
teu corpo
nada debaixo do short
nada
nada
navega
nádega
na adega
escondido
rápido
antes que alguém chegue
segunda-feira, abril 30, 2007
"A Consciência...." - Ensaio Fotográfico 29/04/2007
E eis então que o Ronald Mcdonald apresenta feliz o manifesto anunciando a complexidade dos novos tempos. Ás oposições políticas e ideológicas do mundo apresentemos o sorriso conciliador de Ronald e sua fundação. Responsável por diversos empregos no mundo.
quarta-feira, abril 25, 2007
Esclarecimentos sobre a morte do Sr. Bubukowski
"Vou-me embora mas deixo a praxis" - Disse Bubukowski em 1997 quando esteve a beira da morte. Só que felizmente ele milagrosamente não morreu. E viveu mais dez anos. E ainda foi ao enterro do Ginsberg. Está aqui então modificada por anos que pareceram séculos. Sua renúncia a uma inexorabilidade ou a uma pós-modernidade o fez uma figura coesa na sua incoerência e na sua maneira escrachada de ser. Ele não concordaria com nada com que escrevo agora. Mas ele morreu. E nada pode fazer.
Definitivamente não nego e nem julgo a morte de Bubukowski. Ele não pertencia mais àquele século e aquela coca-cola na mesa foi o ponto final de toda uma situação. Sim, aquilo era o futuro que ele esperara por tanto tempo e não dera em nada. Desgosto profundo ele sentiu e no primeiro dia de 2007 se suicidou. Podemos dizer que ficamos órfãos mais ao mesmo tempo já pesquisamos um pouco sobre a sua vida e queremos escrever a sua biografia. Morreu aos 89. Não quis chegar aos 90. "É tão clichê fazer 90 anos" dizia ele. "90 anos já tem cara de morte". Novas poesias escritas durante sua estadia em Belgrado foram encontradas. Assim como as de Sarajevo em 1967 e serão publicadas em seu blog "bubukowski.blogspot.com"Sua última fase terminou entre a Glória e Niterói. Latinoamerica como movimento idealizado que não saiu do papel. Suas poesias engajadas e talvez ingênuas de 1965. E fotos dele andando na rua á européia. Bubu influenciou toda uma geração. E outra e outra. E até a nova geração. Não preparamos homenagens e sim apresentações de suas obras, tributos a Bubukowski. Um filho da puta que não deixa de sê-lo só porque morreu. Foi assim que respondeu a um dos mais renomados estetas do Brasil. "Enfia tudo isso que você tá dizendo no teu cú". Esse era Bubu direto e polêmico. Já propunha a desativação do limbo antes mesmo dele acabar nesse ano. Isso foi na sua fase católica do ínício dos anos 90. Em "Papa olhais as criancinhas do limbo" ele destrincha a angústia de estar num lugar que não é inferno nem paraíso e sim um não-lugar. Bubukowski não morre para ficar no coração de todos. E sim "na merda de todos". Como bem definiu em declaração recente. Bubu velho tarado e renomado.
(Abril de 2007)
terça-feira, março 13, 2007
Noite sim e para sempre de estrelas e para sempre iluminada
Estou então afim de cantar
Pois viver é muito melhor cantando
A minha lua não está no céu para meu amado
Faça então minha noite cheia de estrelas
Faça então minha cama menos vazia
Cante para mim as canções que nunca ouvi
Vamos então juntos para qualquer lugar nessa noite
Noite fedida mas nossa
Caminhemos então no escuro
Envergonhando-nos de amores interiores
Diremos boa noite a Deus ao som de gaita, sim, ao som de uma gaita
E tentaremos ensaiar os mais bonitos acordes
Porque eu te amo e isso é tudo
Porque não acho leviano dizer eu te amo
Acorde o meu amor cansado
Que insiste em dormir
Vá lua, olhe o meu pranto
Acorde-o!
Meu maior hemisfério, meu oriente está desgastado
De tantas fantasias heróicas
Que agora pode chorar de outra forma
Quero sim poder te escrever na primeira pessoa e te tratar por meu amor
Chora, chora sim que hoje ninguém vem pra casa
e tua noite vai ser a noite primordial
daquelas que de tão noites doem na gente
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
tudo
confesso então que tudo era feito de mentira e desejo
vejo a loucura na minha frente a enganar todos os sentidos
icentivando o ato insano do desejo e da paixão
não percebendo o que vai acontecer quando o tempo passar
tocarei a consciência e desafinarei do meu violão
prestando atenção para todos os acordes dissonantes
que distoam da minha ética
ética
ética
ética
e quem disse que a ética seria para sempre a te guiar
todos os teus atos de rapaz direito comportado meiguinho
então, meu amor, os acordes da guitarra se sucedem cantando a história de um amor feito de desespero, temporal e lágrimas
meu amor que não presta atenção ao valor
de quando você dorme. da noite.
do mistério da pseudo-iluminação da noite que vai se tornar dia
do exato momento mais frio. da saliva mais pura.
do coração culpado
a história de teus erros enumerados de um até trinta e sete
do teu futuro passado que se faria de roupas pesadas e pouco dinheiro
de caminhadas longas até a estação de metrô no frio de fevereiro
da tua ânsia de voltar para casa em pleno agosto
e sentir o inverso de teu verão estrangeiro
e ver quantos por ti esperavam
nem lá nem cá
mas sim dentro de ti.
Vais continuar fingindo? Vais?
Advogue para todos a tua mais invulgar verdade
que é a confissão da loucura planejada e racional
tome de assalto o mundo que pensas ser teu
escrevas as palavras que pensas fazer sentido
traduza em palavras cada aperto no coração
cada frio no estômago
cada alegria momentânea
cada felicidade descarada que cada vez mais tem que ser disfarçada
não pode ser sentida
Se eu tenho que ir
(farei através de cornetas e baterias num ritmo compassado)
promoverei o maior dos festivais
Se eu tenho que ir
Irei pensando no seu amor
E no quanto representei
Mas tudo foi uma mentira baseada numa verdade
Tentei a morte
Em janeiros perdidos tentei a morte
Estrangeiro naquela terra tentei o lago quase congelado
quase morno por conta do clima louco
meu sangue estancou
estancou
estancou e não vi nada.
só pessoas de branco falando aquela língua estranha e sem vida
Eu poderia dizer que a vida fora uma violência desde o início.
Ando. Ando em um dia qualquer de junho por minha terra. Apressado, enfiado em meu casaco caminho fugindo da vida. Fujo de tudo o que tem vida e evito dizer eu te amo pois não amo, evito dizer sinto muito pois não sinto. Todos os garotos não passavam da mesma pessoa. Se um dia pensei ser sensato essa sensatez se fez com meus vinte e dois anos. De mãos dormentes. Mãos. E então vi-me com vinte anos e com minha capacidade de dramatizar proto-emoções. Como uma criança pode se apaixonar perdidamente? -Mas não é possível. Era então a infância a idade mais dourada, mais iluminada. Construí sorrisos perfeitos aos cinqüenta e sete anos. Homem de idade. Sentado em meu sobrado sem qualquer amor para apoiar a cabeça. Na compania de cheiro de mofo e livros amarelados nunca lidos.
Vivo os meus sonhos hoje
Vivo os meus sonhos ontem
Vivo os meus sonhos amanhã
Não será assim Assim nunca será. da miséria e da estupidez do meu tempo
da apatia geral de todos
que não se mexem e não gritam
e jogam o braço para o alto para gritar em coro
um grito único feito de instinto
e assim seria.
o que tenho a dizer?
confesso que traí sentimentos e emoções
olhei para fora e vi mais a solidão
afundando num eterno adeus
daqueles que apesar de dados não vêem a separação
precisarei de três juízos finais para entender
o que não entendo agora.
terça-feira, janeiro 02, 2007
e o que restava era seguir em frente
O teu passado inventado!
O teu amigo inventado!
A tua certeza inventada!
A tua música inventada!
A tua amiga inventada!
Mande-a cantar aquela canção, aquela que fala sobre andar pelo mundo
Depois lembre-se que você está em um dia qualquer de dezembro
Esperando o ônibus que te levará para o trabalho
E a temperatura ficará acima dos trinta graus durante todo o dia
Quando sair do trabalho, lembre-se de ter a certeza de alguém que te ama
E invente também um amor para você
E talvez um guarda-chuva, pois já a chuva se avizinha e você sabe como é...
Quando chove muito assim o seu tênis fica encharcado...
Mas, tenha em mente que um imenso fim de verão se aproxima
E quando Abril chegar... Ah quando Abril chegar, terei os meus filmes e desejos realizados
Diretamente de uma tarde feita de sono e música
Como uma paixão feita de palavras e olhares
É uma grande decisão que tens que tomar nessa cidade chamada desespero
E desconfiança
E fingimento
E invente o melhor dos bons dias para os visinhos
Invente o melhor estou bem para a sua família
Mas não invente para si mesmo um não ligo
Pois aquilo doía tal e qual fogo ardente
E não invente um salvo-conduto para as tuas faltas
Pois ela não tem culpa de te ter assim
E você tem, tem muita, por ter um dia escolhido
Viver dessa forma... Ninguém te pediu essa rebeldia descabida
Agora chora, chora como na música do Cartola
E ouça o que eu vou cantar desafinadamente
Porque toda uma vida assim não seria desespero a toa
Silêncio... são duas horas da manhã e feche os livros!
Amanhã tens que provar para si mesmo que você está vivendo
E não és mais aquele palhaço que queriam que fosses
Vais descer as ladeiras embalado pela bateria
E depois descobrir que o tempo é algo que realmente destrói tudo
Quando vires, já estarás a brincar no meio do ano
Com diferentes canções e diferentes pensamentos
Mas por dentro, por dentro estará sempre a viver naqueles dias
Naqueles dias....
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não há prejuízo em lamentar os sonhos
em manhãs de domingo
não há presunção em querer relembrar
um reino antigo que de tão novo
nos convencia de sua ancestralidade
aquela seria a pior das constatações
verborragicamente ficaste preso ás convenções
da melhor forma de se escrever
e de se portar
de se importar
meu amor, estou agora no verão
mas quando outra estação chegar que não essa
voltarei para a nossa casa
e direi em teu ouvido:
foi este o tamanho da tua presunção?
ousaste a toa por nós dois?
que não merecemos nada nada mais
as árvores agora estão com as folhas verdes
e continuarão junho a fora
provando que a minha espera por ti
será eterna
não estou em Paris
nem você em qualquer outro lugar
pois você morreu
e este tempo não é mais teu
também o meu tempo é outro
e a música é outra
e a dança é outra
e tudo é outro
e o presente é passado
o passado não existe
o futuro é o presente
sempre passado
tecnicamente pelos especialistas do tempo
Por que não roubamos alguma coisa?
Por que não experimentamos fazer algo errado?
Por que não voltamos há oito anos atrás
E tentamos consertar o que aconteceu...
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Tire do momento a inspiração que você tiver. E a que você não tiver.
Naquela noite ele sonhara com o mar
E ouvia aqueles versos do
‘Sans Toi’
E dizia: TE AMO
Silenciosamente
Foi quando aprendi a te amar
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Se acreditas no inferno é para lá que vou. Lá onde as coisas acontecem
Não vou levantar no juízo final
Direi: voltemos a dormir e a fornicar
E Ele não vai insistir
Ele tem mais o que fazer
O Diabo atenta a todos
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O tempo passa e eu ligo, ligo muito
Envelhecerei e nunca sentirei a plenitude
Amar até o fim
E o resto, continue sendo o resto
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Vou chover em você. Deixo me ver em você.
Deixa-me fazer os meus versinhos
E as minhas rimas piegas
Deixa-me querer inovar dizendo que aquilo é novo
Quando na verdade não é
É mais velho que tudo
Como se tudo que tivesse para ser dito já foi dito.
Êta angústia velha
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meu amor, passaram-se as flores
passou-se o tempo
e tu já és um velho
e eu... talvez o velho dos velhos
ah, como isso há de acabar
tua mão de velhinho enrugada
arranca a margarida do chão
tem terra na tua unha
e tu já és um ancião
-------------------------------
você que ousou ter contato com pessoas normais
você que caminhou pelas noites mal dormidas de seu bairro familiar
você que das noites de sono tirou sustento para todo um dia
você que dos medos interiores fez músicas lindas
você que declamou o que não sentia e escondeu o que sentia
você que dançou calypso em tardes distantes
você que se atreveu a comer o que não era saudável
você que fingiu sentir prazer ao admirar as belezas divinas
você que mentiu para a louca que um dia a discórdia trouxe
você que escondeu todo os erros cometidos
você que não viu o amor se ofertando e acontecendo por toda uma estação
você que evitou o beijo com medo de sentir amor
você que sonhou ter encontrado o amor de sua vida enquanto caminhava embaixo de um sol violento de 18 de novembro
você que se encolheu em teu casaco pequeno com medo de confessar a alegria de um dia com chuva
venha ver o que não aconteceu no esplendor de uma poesia bonita
venha sentir o que poderia ter acontecido no limiar de uma explosão
num momento já
numa possibilidade que já se foi
talvez se naquele dia eu não tivesse consumido meu desejo
todo um ano não se teria concretizado
talvez sempre o talvez
ainda és o mesmo que um dia saiu mais cedo de casa para pegar o ônibus quando ainda era escuro
e escrevera momentos depois que era bonito ver amanhecer dentro do ônibus
e o pouco do raio de sol que te esquentava não bastava para o vento duro que vinha da janela
para as mãos geladas e nuas sem luvas que não encontram outro abrigo a não ser em outra mão gelada fria e sem luva
o amor fraternal era cru e sincero
qual o amor materno e do seio perdido na imensidão cósmica do tempo
mas ao meio dia o sol já era maduro e tu te deixavas envolver pelo sol
só não deixes entardecer
as cinco e meia o holocausto recomeça
e teu nariz gelado te traz pra casa quando já se faz noite
e a cama te espera
e a cama te expulsa para um reino de gelo
e não há cobertor para bochechas
um grito de glória
para o fluxo de consciência que não se interrompe em noites feitas de comidas não comidas
em tardes feitas de livros não lidos
e de declarações fraternas não ditas
e de declarações familiares não ditas
e de declarações de ofensas reprimidas
eu dedico todo um pouco da minha ignorância
você que ouviu aquela canção que só ouve em dias frios
e que no final de dezembro a ouviu e o calor era rei
tentou tapar os ouvidos
mas a música entrou dentro de ti e te trouxe para uma outra época
onde o cheiro da vida é mais sutil e tudo finge se acalmar
você que um dia ofertou um vaso cheio de flores
e que depois tirou uma a uma arrependido de tanto amor
envergonhado de tanta verdade
envergonhado de seu ato continuou numa atitude tão bonitamente infantil
tirou todas as florzinhas uma a uma
e vários copos de cerveja não adiantaram
você assassinou a sinceridade e teve vergonha de ser feliz
você deu descarga
você deu adeus àquela
aquela que foi pra longe
tentava congelar o momento, a manhã de junho de nevoeiro na ponte
e pensar que aquele momento não iria terminar
que a ponte teria a distância infinita e que no aeroporto nunca iria chegar
você se sentiu surpreso pelo frio
e quis voltar e não ver a separação
que o destino nos impõe
e então seu desejo se tornou realidade
e estavas na praia a comer caranguejo
e o sol era de um janeiro preguiçoso e a tarde nunca iria acabar
e os siris afogados na panela tinham suas carnes expostas
para o desespero dos verões
e os trabalhos adiados
e os trabalhos que nunca seriam feitos
e então era tarde demais para voltar atrás
você tinha chegado a vida
e o que restava era seguir em frente
sexta-feira, dezembro 29, 2006
sessenta e quatro
Diria ele
Diria eu
Diria ele
Diria eu
olhando esse ano eu poderia dizer para mim e para ele que no momento não consigo ter a verdade
que de um feliz 83 era o que precisávamos
afinal você finalmente completará 64 anos
E terá a sua samambaia
E seu gato
E seus discos de jazz
E tomará o teu chimarrão
As cinco e vinte e sete da tarde
Da tarde que se anuncia bruta
Precipitada
Tarde de Porto Alegre
Tarde que nunca triste
Se faz apressada
Para logo dar lugar a noite
16 de Junho de 19...
Te vi na rua a dirigir o carro
Estavas sozinho
E agora sim, naquele fim de ano eu pensava o quanto fui tolo em deixar tudo correr para aquela direção
No dia 31 de dezembro de 1982 eu fui a praia sozinho.
E levei comigo o seu livro
E senti a solidão de apartamentos vazios sem porteiros e sem crianças
de mármore frio
e minha mão de velho tocou o corrimão que sempre estava frio
minha casa tinha samambaias e gatos
mas não tinha você
pois tu já eras morto
morto em sessenta e sete
balas alvejadas
E eu tolo o suficiente em acreditar na sua volta naquele fatídico dia
E te esperei até as duas da manhã...
Problemas... amanhã estarás de volta
E o almoço se fez sozinho
E a tarde angustiada
E a noite desesperada
A madrugada não dormida
Depois a manhã
O telefonema
O zumbido...
A viagem para o Rio
O mesmo mármore frio
Se estivesses vivo completarias 64 anos
Recordo-me quando cantavas when im 64
Hoje eu vou a praia
Sozinho
com 70 anos de coração apertado
E comedimento
Ficarei na praia e pegarei carona nos barcos de Iemanjá
E ela me levará para o reino perdido onde estarás tu
A me esperar de peito aberto no auge de seus sessenta e quatro anos
No sul do meu coração
Habita uma lagoa feita de lágrimas choradas em vão
Obrigado Iemanjá por me levar para o lugar sagrado
Pode seguir viagem
vá com seu barquinho azul
Que daqui não saio mais
que daqui não saio mais...
sexta-feira, novembro 24, 2006
petropolis
que o início de dezembro havia te dito
levantar a voz não adianta
falar devagar não adianta
São mais de cem quilômetros que me separam de ti
Estou indo de te ver esse final de semana
Com o coração apertado de angústia gostosa
E com o colo cheio de banana
Para ti e para tua mãe
Na volta iremos a praia
E eu te direi um negócio em teu ouvido
Que nem eu escutarei
No verão que vem vamos para bem longe
Te levarei pela mão
Cantarei aquele refrão
Da salada de frutas que irás fazer na praia
E quando em casa chegar, lembrarei que faltam somente vinte e três anos para o século acabar
E que você será aquela que um dia
Poderá cantar para todos
O nosso refrão
"Pois o homem que sabe o que quer...."
Serei eu a tua toalha?
Pode deixar que da próxima vez não te esbofetearei como o fiz
Na semana passada
Fiz aquilo por amor
Quanto ao churrasco, espero que dias melhores virão
A faca e o sangue não serão aqueles que me farão chorar e lembrar que um dia
quase morri pelo seu amor...
domingo, novembro 12, 2006
2008
Olhei para o futuro arrependido
E me vi chorando
Não era e nunca seria bom sentir dor
quarta-feira, outubro 25, 2006
Foi
Surpreendido aterrando a todos um bolo de abacaxi estava na mesa
E não havia descarga mais violenta de poesia do que aquilo
Era quatro e meia da tarde
E do dia esgaçado se fabricava um temporal
Daqueles que beijam sofregamente
O chão
Mas dentro do apartamento
O bolo dizia a todos
Que haveria ainda muitos dias de calor
O rapazinho então parou em frente à mesa
E sentiu a vida pulsar de forma tão fraca e disse:
-O mundo está de férias
Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeir0 - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro
quinta-feira, setembro 07, 2006
FRIO
Vem que eu vou te mostrar. Que eu vou te levar para passear pelo centro hoje a tarde. Pelo passeio público. Vamos visitar aqueles casarões. Aquelas coisas perdidas que nos alfigem. Que nos fazem vergonha. Os raspadores de assoalho vão voltar para casa as cinco e quarenta e três da noite de 24 de junho. Cansados? Que vão fazer?
Vão cantar, vão cantar! “tristeza vai ter fim, felicidade vai ficar”.
quarta-feira, agosto 09, 2006
DAVI
A VIDA PÁRA DAVI NA FODA
A VIDA VEIO PARA DAVI NUMA FODA
A VIDA DUVIDOU DE DAVI
FOI FODA FAZER FOFOCAS FRÍVOLAS
A DIVA DE DAVI DUVIDOU DA VIDA
E DIVAGOU ALGO DE VIDE DEVIDAMENTE A VIDA
DAVI REVIDOU E DUVIDOU:
VIDA NÃO DEVIDAMENTE
A MENTE DE DAVI MENTIU E DAVI VIU
VIU QUE VIVER ERA VONTADE
DAVI VIVEU A VIDA DEVIDAMENTE
E RECEBEU ÁLCOL NA MENTE
FOI VUDU, TÁ FUDIDO NÃO HÁ DUVIDA
VEDARAM CABEÇA DE DAVI E DEIXARAM ÉTER LÁ
DAVI NUNCA MAIS DUVIDOU E FALOU: -JÁ VI!
Já vi ; Já vi
DAVI DEVIA TER VISTO TUDO
MAS NÃO VIU
NÃO VIU O INJETADOR DE ÉTER
QUANDO VIU O INJETADOR DE ÉTER
LOGO DISSE APONTANDO O DEDO: FOI TU!HESITANTE, DEPOIS DISSE: Nada não! FOI UM DEJÀ-VU!
domingo, julho 09, 2006
Soneto do Inverno (para todos os julhos)
É a única voz que altiva se imposta
Através de todos os companheiros
Não consegues vencer os janeiros
Teu sonho único, tua pretensa utopia
De amor e de frio seco me valia
Tua manhã anoitecida é qual velha deflorada
No esplendor dos sessenta e quatro anos
Quatro vezes inverno. Qual socador de pessoas encolhidas
Que nos ônibus agasalhadas na cidade são vomitadas
Para o esplendor do teu ego sertanejo
És sincero. Isso que te fazes não suportável
Consciente de tua frivolidade nada mais é que aquela Criatura
Que não liga em passar a vez, cônscio daquela droga de sensatez!
segunda-feira, junho 05, 2006
Rio de Janeiro 13 de Maio de 1963
Não vejo mais nenhuma chance de conseguir te dizer mais mentiras. Resolvi então te escrever essa carta. De uma forma ou de outra. Eu sei que o tempo passa muito rápido e é ele que escorre pelas minhas mãos, pelo meu corpo quando vejo que estou sem você ao meu lado. Eu sei que você não quer mais ouvir todo aquele velho papo disso ou daquilo, mas eu demorei muito tempo para aprender toda a sua técnica. Para decorar todas as tuas diretrizes. Eu sou tão afoita quanto você, mas não vejo chance alguma de te ver um dia mais desesperada que eu. Tudo converge para um grande absurdo sem sentido e eu começo a achar que nem eu tenho controle sobre esse texto. Estou cada vez mais surpreendida por tudo o que está nos acontecendo. Com o que ocorreu entre a gente e isso nem muita importância tem quando estou ao teu lado. É como se toda a melodia do mundo acabasse, todo o absurdo, toda a teoria, tudo o que eu pudesse imaginar derretesse frente ao teu sorriso. Aquele sorriso radiante que me surgiu pela primeira vez há uns anos. Eu que fui falar contigo pela primeira vez e hoje sou eu a primeira a te escrever todas as nossas cartas. Não queria te escrever a lucidez ressentida de um eu te amo, como se fosse a mais equilibrada das criaturas ao te dizer essas coisas. Quero que você sinta toda minha vulnerabilidade, todo o meu desequilíbrio, todo o meu desespero. Esta carta é o meu último ato pensado, sensato ou qualquer coisa assim. Não te surpreendas se um dia vires-me na rua atrás de ti. Se um dia vires-me a cometer algum ato insano ou impensável. Sou eu, sempre a te perseguir, sempre a querer ser tua sombra, ser você, estar com você. Então eu acho que é isso. Em junho talvez eu consiga os papéis que o Jorge estava querendo. Talvez essa seja uma das muitas chances que eu vou ter.
Te amo
Com amor
Helena.
domingo, maio 21, 2006
Soneto do Outono (Para todos os Maios)
A minha perfeita dicotomia mentia
Sobre o seu suposto céu azul e frio
Uma grande massa polar te seduzia
Então numa noite dura de frio caiu
Em cima de tua cabeça, grande cabeça
Mas depois veio o pior. A tarde que se fez dourada
E tu nem ao menos a contemplaste.
Um tom nem ao menos egoísta, marginal, escatológico
Da manhã mais mágica dos meses, lógico
Foste tu o metal mais frio a me despertar
A água mais gelada a me banhar
O sem senso mais estático a me escrever
A época mais atemporal a existir
Foste tu, eterno putinho...
domingo, abril 02, 2006
terça-feira, março 07, 2006
MISSA IN ALBIS
Um livro nunca é o pleno terror, como uma cidade pode sê-lo; nem o esplendor de um outro ser amado.
É verdade que Sara era doente.
Foi apenas o exagero de uma metáfora corrente, nesses anos todos trazíamos no peito uma planta carnívora, um regicídio e um poeta alcoolizado. Nem mais.
E quem se eu gritar que tinha dezasseis aons, nessas noites, poderá escutar que ela tinha pouco mais que vinte, num país em que são as mulheres que detêm afinal a rédea da compostura e da propriedade, oficiantes do receituário da ordem e da perspectiva?
A voz de Dorotéia não convém, numa luxúria da palavra que me lembra Sara sem ma restituir.
Mais confio em Martim porque ele amava o meu amor por ela.
E Teodoro mente de uma maneira previsível por milhões, em que tudo é provação e felicidade possível.
Ou tomarei eu a fala
Ou Sara.
Confundir é a única regra que convém, segundo o entendimento que tiverdes.
(Missa in Albis ; Maria Velho da Costa; Publicações Dom Quixote)
*******************
Não era eu. Foi só a isenção que pediu e não comportou a exposição...
Esse subjetivsmo é uma piada. (não é)
O riso é um subterfúgio.
O sou ridículo é uma forma de isenção
*******************
Sentemos e Jantemos
sábado, fevereiro 18, 2006
Enxerto
Copiei para esse blog aqui mas modifiquei os nomes. E algumas frases.
Rebeca Del Rio resolveu passar a sua escrita para todos que um dia comprometeram-se com ela. Gonzales está pronto para deixar a música tocar. Num ambiente deveras onírico para deixar a loucura intacta. O sonho nos isenta: Good Morning, podes cantar, mas ó, não te esqueças de uma coisa: o tempo destrói tudo. Não te vanglories dos teus trinta e oito anos de vida. Esta é mais curta do que pensamos.
Não que Rebeca tenha se ressentido do conselho de um futuro suicida. Na verdade ela se ressentiu e para ela foi tão desconfortável viver, que chegara a ponto de colecionar momentos e glórias. Mas falemos de outras coisas. A pobre da personagem ainda não cantou. E como não havia o dançar? A menina dança. Ela ainda dança. Gonzales reparara que uma canção fora feita para ele. Dissera: essa música é minha. Assim como milhões de Gonzales dizem: “essa música é minha.” Essa música era para quem tinha problemas. Matemáticos? Tá, é isso. A supremacia é da razão. Mas voltemos ao que fora escrito há tempos atrás. Ela achou que rimava e verdadeiramente rimava. Ela era uma entidade.
“Um dia eu acordei e vi que ainda tinha os olhos marcados. Fazia calor e a música dizia algo entre intenso e veloz. Pensei no balanço.
Mas bem antes disso algo importante passou e gestos como todos possíveis não valeram.
Depois eu dormi. Depois vi. Não há acompanhamentos. A frase marcou o que seria o ocaso do acaso.
Brinquei de Deus com as palavras. Escondi sutilezas e não tive rumo quando olhei para mim e não me vi. Como é aquilo que o Pessoa diz? Algo de ter os anéis nos dedos e olhar? Princesas e realidades não vividas. Lembro-me que recitaram algo assim e achei bonitinho. Mas não entendi. Até hoje.
Mas antes teve Adriana com seus para quês e seu prestando atenção. Decifrei? Acho que não.
Não vou dizer que não estou triste. Estou, mas alegre também. Alegria sutil. Violência de existir. Outro dia me disseram que o interesse supera o amor. E os “me disseram” que ouvi pouco a pouco foram se tornando vagos.
Ah, desculpe-me, é que eu olho nos olhos das pessoas que eu amo.
Como te dizer que isso não foi tudo? Precisei num momento específico e não tive resposta. Quanta importância depositada para se fazer uma frase daquele tipo. Eu não sabia o que fazer. Senti imensidão do vazio. Por que não solidão? É, isso, solidão. Mas calma, calma, cantei. Solidão é para quem não tem amigos. E por não existir mais sintonia com o mundo, imaginei a diferença. A indiferença também.
Estive louca por alguns meses? O que fizeram da amizade e da ingenuidade? Anulei primaveras e o verão esbofeteou-me como que para acordar-me para o mundo e para o tempo.
Não, não botei a tristeza no colo.
Porque, coitadinho né? Quanta importância conferida, quanta constatação não encarada! Que recepção!! Decepção!?!
Filhinho, isso é viver
“Um dia eu achei que tinha acordado mas ainda estava lendo o livro das mil e uma noites”.
Não foi? Não fooi?
Um dia estive em meio à tulipas congeladas.
Depois estava fazendo o que achava possível.
Minha alegria e meu cansaço eram tão válidos.
Mas ó, vejam só, o número de subterfúgios! Tão desvalidos. É preciso tudo isso? O quanto o pudor e a vergonha pareceram aumentar.
Não valeria a pena ser escrito. Como isso me fez mal.
Fui forte para terminar de ouvir a tempestade. O livro dos dias. ...mas não consigo entender. Que culpa tenho eu? Só porque matei Mary Kulansky em frente ao Gineceu’s?
Não estou bem certa quanto a isso.
Por que tudo isso? Ela não era nada além do que uma pseudo-prostituta-cool-bossa-nova-cult-jazz-dark-indie. Um ser.
A culpa é do Diabo. Frustrado por não existir, resolveu pedir permissão a Ele, o Criador, para existir. E agora tomou o poder.
Satanás ainda convence.
Criei pessoas em laboratório. Quando disse a fórmula, correram.
Distância! Distância!
Êpa, que que tá pegando? Quiquiéisso?
Valho-me de pseudo-pseudos para passar sentidos.
Quem disse que queria o repentino? O gráfico?
Eu que não fui. Foi alguém maior que eu mesmo, alguém Poderoso o bastante. Alguém que já tenha enriquecido.
He, he, realmente tá frio hoje. Não que eu tenha sido mentirosa.
Ah, pai, mas então o que eu fiz? Ser sincero pode ser mentir? Confiar é demais para se lidar? Achei que poderia contar contigo. Isso não foi bom. E é assim que eu prefiro. Por que não? Escrevi músicas e toco-as. Escrever.
Desculpem-me, é que eu estive pensando, depois despensei. Depois descomplica-se. Não foi num dia frio que eu chorei e depois melhorei?
Me enganei?
Outubro de 1995
Pasmei ao ver aquilo retratado. O que era aquilo senão uma nova forma de música? Um acorde?
Que estranho. Não sou narrador, lavo minhas mãos para a loucura... Cada maluco que me aparece. E ponto final.
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Não me lembro de qual blog eu copiei isso, eu tenho que pegar o link de volta. Assim que eu conseguir localizar esse texto nesse blog eu posto o link aqui.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Vie
O computador está quebrado
Por que as conexões não estão boas?
Por que recebemos uma mensagem vazia?
A aflição está em cada caneta
O anoitecer nunca é demais
Não encontro nenhuma proposta
Tenho planos sinceros e mal intencionados
Os spams são monstros da não-existência
As malas diretas são a porta para o inferno
Amizades tremem frente a sinceridades e realidades obtusas
Esquadros marcam o compasso de uma canção
“E os meus procedimentos, cadê? Minha régua, o meu fichário...?”
Ninguém chora a conta gotas
Solidão é para quem não tem amigos?
Solidão é para quem não tem vontade de deslumbrar o tempo
Faça uma folha e invente uma vida
Peça atenção
Não gagueje frente ao tamanho da vida
Dinheiro é para quem não tem meios
Sedução é para quem existe
Aflição é para quem respira
Os que tem fome e morrem de vontade não têm décimo-terceiro
Têm burner list
They burn their lives
Dizem que quem tem isso morre cedo
Eu não tenho nada a dizer
Mas digo sempre,
And so it is
Stamos em plena década
00’s forever
Pra começar quem vai colar
As tais canções?
Encontrar os arquivos?
Estabelecer conexões?
Destruir spams?
MOI!
Quem vai chorar? DEUS!
HAPPY OLD YEAR!
terça-feira, dezembro 20, 2005
só um verão
Algo de solstício no ar
Camisa Preta. Estalando de azulidade o céu me recebe. E o holocausto começa. E tudo volta ao estado de guerra. De sujeira e de suor. Quarenta e três graus me saúdam no termômetro da praia e eu olho para mim: CAMISA PRETA!
Sinto um grande calor não humano. Deus resolve ficar grudento e me esquenta até demais. A praia – ainda que suja - me chama e me convida. Mas o horror do labuta me chama. De longe avisto a ponta do morro dos dois irmãos. Copacabana me engana. Ipanema ta longe. O asfalto é uma frigideira que tem bafo quente. O suor é meu. O sol brilha tanto que ninguém se atreve a olhar para fora. Amolecimento interior. Não estou mais em outubro, quanto menos em maio. Não é em janeiro que me distraio. O ventilador sopra um bafo quente e com ele as pessoas na noite de janelas abertas repetirão: -nossa fez calor hoje.
A estupidez de um absurdo e a afronta para com as palavras. Os flamboyants perdem suas pequenas flores vermelhas xexelentinhas. Um anti-outono de verde que assusta.
Não quero isso. Mas tenho que agüentar. E a noite demora para chegar. A tarde se escorrega, para voltar mais cedo no dia seguinte. O dia mais longo do ano está perto e com ele todas essas coisas triviais que falei. Porque não ligo mais para o papo de clichê. Porque assassinaram a minha rebeldia. Porque me mostraram que a subjetividade é que nem um vício. Teus chocolates, teus chocolates pulverizados mandam lembrança e vão para o meio do ano. Fondue de pessoas derretidas com licor de cuspe no asfalto quente da rua. Tristeza estalada e um despertar matinal já ensolarado.
Direi: BEM VINDO VERÃO
E sei que te amo e te odeio. Mas no fundo mesmo eu te amo, e também te odeio. Quando você cinicamente torrar os corpos besuntados na praia, derreterá todos os gizes de cera expostos ao sol. Fritarás ovos no asfalto. Lotarás ônibus para a região oceânica e para a zona sul.
Vai ser na praia da barra verão. O calor vai te matar. Verão.
Vocês que se dignaram a ler isso, mandem mensagens telepáticas a esse verão criminoso, nem um pouco comedido, nem muito comedido. Seu lirismo é uma farsa. Passar janeiro esperando julho. Isso não é real. Happy new year. O natal aqui nada tem de frio. É algo desconfortável ver os papais noéis derretendo na rua. Culpa do verão.
E vem chegando o verão
Com calor no coração
Não demora muito agora
Todas de bundinhas de fora
A música até que é bonita.
Felie Dylon embaixador do verão pop teen carioca, traz o sol particular... MENTIRA!!!!
CALÚNIA!
Uma grande repartição pública, um grande escritório ardendo em chamas invisíveis, com o ventilador psicológico. Nisso que vira esse canto do mundo.
Está aberta a temporada de sofrimento e desespero
Até março temos muito o que conversar....
quarta-feira, novembro 02, 2005
Le spleen de Niterói
(Na ausência permanente de leitores, escrevo ao meu mais cínico prazer. Masturbação literária, solitária e retardatária)
"Eu preciso encontrar um lugar legal pra mim dançar" (Jupiter Maçã)
A une heure du matin
A noite nem tão fria de Agosto
Bem que machuca meu rosto
Oferecendo essa frescura gratuita
Numa hora nem tão fortuita
Minha rima mesquinha e forçada
Saiu junto com meu lirismo indizível
E tua mão se uniu a minha, e nada
Nada do que disse foi compreensível
Rimos do lirismo, tu lá e eu cá
Num êxtase inventado, num gozo artificial
Que bem de longe soava muito banal
Tu nem tuberculose tiveste, nem tossiste
Lembro que tinhas rido e disseste:
Está calor! Vamos à praia? E eu falei:
"Tu esqueceste a rima em cima da mesa junto com o baudelaire. O que estás fazendo com meu romantismo cavernoso, negro e depressivo? ( Tu viraste o rosto e seguiste em frente.) A rua estava cheia dos domingos, das velhinhas, dos jovens com pouca roupa. Todos embaixo de um sol que a tudo invadia. As minhas negras noites nas tavernas européias derreteram com o churrasquinho da esquina de casa. Fomos voando e já na praia a minha poesia tomou uma grande vaca. Como a areia estava quente! Tu foste na frente, pensaste que estavas em teu país e tiraste a parte de cima do biquini. - Vou dizer-te a verdade: teus peitos bronzeados e o céu azul não trouxeram a atmosphera cinza, fria e nublada daquele lugar. E os seis brancos, pálidos e cor de leite? Quando vi (vi o quê?), o tédio, a poesia tinham tomado um caldo. Era duas da tarde e passava dos quarenta graus. A água salgada e gelada absurdamente azul me envolveu maliciosamente e disse: Maroto. Daqui tu não sais. E tu já despida estavas quando eu pensei que precisava terminar o verso. Cínica. Tu sumias sempre no teu Verão, de Maio a Outubro eu não te via. E por isso meu SPLEEN nascia nessa época. Nossos verões não coincidiam! Lembro-me que nem tão cedo o rapazola bonito viera te atormentar. Tu só tinhas a mim e vinha surfando num grande cartão-postal das estepes russas. -Il est un pays superbe, un pays de Cocagne. Disseste tu antes de eu voltar a realidade. Reparei que teus cabelos eram curtos mas nem tanto.
(prometemos dançar a polca mais tarde)
O galo não cantou mais
Não se ouvia mais o jazz
Não está calor
Não é verão
Sentado na mesa, eu anacronicamente acordei do sonho com a caneta na mão. Um cachorro latia ao longe. Passava das duas da manhã. Olhei para sua foto e tive ciúme de mim mesmo. Então, para disfarçar, escrevi no final do poema:
-Conquistei o verso branco e livre numa só pergunta infalível :
-Por que tudo isso?
(Gonzales Fernandes, primavera, 2003)
quarta-feira, outubro 12, 2005
A Solidão do Satã
Satã só tá tão só
Porque solitário no sotão
"Semem de monte quente
Somente mente Dante"
Dos círculos infernais sofre
A dor eterna, hibernais enxofre
Vós sem voz, você só vem. Vô sem
Para a leitura do loura suja
Alice mestiça atiça
-Alí,tocam-me na missa
Depravada, privada de Deus
Com fome, conforme nela meta
O desespero fálico do Capeta
Falhou. Falou. Leu: "A masturbação do Demo"
-...SPLASH!!!!!!!!!!!!
não mexe
(porra satânica borra o sotão)
QUE TRASH!!!
"No sotão soturno, Satã sente a solidão. Alice foi sua criação. Somente somem idéias. Figuram estampas depravadas. Ele vê Alice na revista pornô e consome o seu prazer sozinho. A verdade é que Alice no país das Maravilhas tem relação maliciosa com o CÃO!"