Era verão
Surpreendido aterrando a todos um bolo de abacaxi estava na mesa
E não havia descarga mais violenta de poesia do que aquilo
Era quatro e meia da tarde
E do dia esgaçado se fabricava um temporal
Daqueles que beijam sofregamente
O chão
Mas dentro do apartamento
O bolo dizia a todos
Que haveria ainda muitos dias de calor
O rapazinho então parou em frente à mesa
E sentiu a vida pulsar de forma tão fraca e disse:
-O mundo está de férias
Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeir0 - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro - Janeiro
“mi corazón es un eterno taller de escritura” – José Carlo, Boedo.
quarta-feira, outubro 25, 2006
quinta-feira, setembro 07, 2006
FRIO
Congelaste o teu início de primavera. Então, ele, o inverno desmoralizado resolveu mostrar a sua cara de forma tão nua e crua. Nem a beleza eles podem acabar. Pois, ele, coitado, tão vilipendiado, tão abandonado resolveu mostrar que a rebeldia está sempre dentro de todos e que não vai ser por isso que ele vai deixar barato. Que ele vai mostrar que tem personalidade que tem suas escolhas, suas paixões, seus erros e seus acertos. E pobre dela, aquela que teve que abaixar a cabeça, a primavera. E teve que dizer: - É verdade, tinha esquecido que ainda és tu, o senhor que tem todo esse poder, essa capacidade de me dominar.
Vem que eu vou te mostrar. Que eu vou te levar para passear pelo centro hoje a tarde. Pelo passeio público. Vamos visitar aqueles casarões. Aquelas coisas perdidas que nos alfigem. Que nos fazem vergonha. Os raspadores de assoalho vão voltar para casa as cinco e quarenta e três da noite de 24 de junho. Cansados? Que vão fazer?
Vão cantar, vão cantar! “tristeza vai ter fim, felicidade vai ficar”.
Vem que eu vou te mostrar. Que eu vou te levar para passear pelo centro hoje a tarde. Pelo passeio público. Vamos visitar aqueles casarões. Aquelas coisas perdidas que nos alfigem. Que nos fazem vergonha. Os raspadores de assoalho vão voltar para casa as cinco e quarenta e três da noite de 24 de junho. Cansados? Que vão fazer?
Vão cantar, vão cantar! “tristeza vai ter fim, felicidade vai ficar”.
quarta-feira, agosto 09, 2006
DAVI
A VIDA PARA DAVI ERA FODA
A VIDA PÁRA DAVI NA FODA
A VIDA VEIO PARA DAVI NUMA FODA
A VIDA DUVIDOU DE DAVI
FOI FODA FAZER FOFOCAS FRÍVOLAS
A DIVA DE DAVI DUVIDOU DA VIDA
E DIVAGOU ALGO DE VIDE DEVIDAMENTE A VIDA
DAVI REVIDOU E DUVIDOU:
VIDA NÃO DEVIDAMENTE
A MENTE DE DAVI MENTIU E DAVI VIU
VIU QUE VIVER ERA VONTADE
DAVI VIVEU A VIDA DEVIDAMENTE
E RECEBEU ÁLCOL NA MENTE
FOI VUDU, TÁ FUDIDO NÃO HÁ DUVIDA
VEDARAM CABEÇA DE DAVI E DEIXARAM ÉTER LÁ
DAVI NUNCA MAIS DUVIDOU E FALOU: -JÁ VI!
Já vi ; Já vi
DAVI DEVIA TER VISTO TUDO
MAS NÃO VIU
NÃO VIU O INJETADOR DE ÉTER
QUANDO VIU O INJETADOR DE ÉTER
LOGO DISSE APONTANDO O DEDO: FOI TU!HESITANTE, DEPOIS DISSE: Nada não! FOI UM DEJÀ-VU!
A VIDA PÁRA DAVI NA FODA
A VIDA VEIO PARA DAVI NUMA FODA
A VIDA DUVIDOU DE DAVI
FOI FODA FAZER FOFOCAS FRÍVOLAS
A DIVA DE DAVI DUVIDOU DA VIDA
E DIVAGOU ALGO DE VIDE DEVIDAMENTE A VIDA
DAVI REVIDOU E DUVIDOU:
VIDA NÃO DEVIDAMENTE
A MENTE DE DAVI MENTIU E DAVI VIU
VIU QUE VIVER ERA VONTADE
DAVI VIVEU A VIDA DEVIDAMENTE
E RECEBEU ÁLCOL NA MENTE
FOI VUDU, TÁ FUDIDO NÃO HÁ DUVIDA
VEDARAM CABEÇA DE DAVI E DEIXARAM ÉTER LÁ
DAVI NUNCA MAIS DUVIDOU E FALOU: -JÁ VI!
Já vi ; Já vi
DAVI DEVIA TER VISTO TUDO
MAS NÃO VIU
NÃO VIU O INJETADOR DE ÉTER
QUANDO VIU O INJETADOR DE ÉTER
LOGO DISSE APONTANDO O DEDO: FOI TU!HESITANTE, DEPOIS DISSE: Nada não! FOI UM DEJÀ-VU!
domingo, julho 09, 2006
Soneto do Inverno (para todos os julhos)
Tua cara torta de grande cheira bosta
É a única voz que altiva se imposta
Através de todos os companheiros
Não consegues vencer os janeiros
Teu sonho único, tua pretensa utopia
De amor e de frio seco me valia
Tua manhã anoitecida é qual velha deflorada
No esplendor dos sessenta e quatro anos
Quatro vezes inverno. Qual socador de pessoas encolhidas
Que nos ônibus agasalhadas na cidade são vomitadas
Para o esplendor do teu ego sertanejo
És sincero. Isso que te fazes não suportável
Consciente de tua frivolidade nada mais é que aquela Criatura
Que não liga em passar a vez, cônscio daquela droga de sensatez!
É a única voz que altiva se imposta
Através de todos os companheiros
Não consegues vencer os janeiros
Teu sonho único, tua pretensa utopia
De amor e de frio seco me valia
Tua manhã anoitecida é qual velha deflorada
No esplendor dos sessenta e quatro anos
Quatro vezes inverno. Qual socador de pessoas encolhidas
Que nos ônibus agasalhadas na cidade são vomitadas
Para o esplendor do teu ego sertanejo
És sincero. Isso que te fazes não suportável
Consciente de tua frivolidade nada mais é que aquela Criatura
Que não liga em passar a vez, cônscio daquela droga de sensatez!
segunda-feira, junho 05, 2006
Rio de Janeiro 13 de Maio de 1963
Querida Armanda
Não vejo mais nenhuma chance de conseguir te dizer mais mentiras. Resolvi então te escrever essa carta. De uma forma ou de outra. Eu sei que o tempo passa muito rápido e é ele que escorre pelas minhas mãos, pelo meu corpo quando vejo que estou sem você ao meu lado. Eu sei que você não quer mais ouvir todo aquele velho papo disso ou daquilo, mas eu demorei muito tempo para aprender toda a sua técnica. Para decorar todas as tuas diretrizes. Eu sou tão afoita quanto você, mas não vejo chance alguma de te ver um dia mais desesperada que eu. Tudo converge para um grande absurdo sem sentido e eu começo a achar que nem eu tenho controle sobre esse texto. Estou cada vez mais surpreendida por tudo o que está nos acontecendo. Com o que ocorreu entre a gente e isso nem muita importância tem quando estou ao teu lado. É como se toda a melodia do mundo acabasse, todo o absurdo, toda a teoria, tudo o que eu pudesse imaginar derretesse frente ao teu sorriso. Aquele sorriso radiante que me surgiu pela primeira vez há uns anos. Eu que fui falar contigo pela primeira vez e hoje sou eu a primeira a te escrever todas as nossas cartas. Não queria te escrever a lucidez ressentida de um eu te amo, como se fosse a mais equilibrada das criaturas ao te dizer essas coisas. Quero que você sinta toda minha vulnerabilidade, todo o meu desequilíbrio, todo o meu desespero. Esta carta é o meu último ato pensado, sensato ou qualquer coisa assim. Não te surpreendas se um dia vires-me na rua atrás de ti. Se um dia vires-me a cometer algum ato insano ou impensável. Sou eu, sempre a te perseguir, sempre a querer ser tua sombra, ser você, estar com você. Então eu acho que é isso. Em junho talvez eu consiga os papéis que o Jorge estava querendo. Talvez essa seja uma das muitas chances que eu vou ter.
Te amo
Com amor
Helena.
Não vejo mais nenhuma chance de conseguir te dizer mais mentiras. Resolvi então te escrever essa carta. De uma forma ou de outra. Eu sei que o tempo passa muito rápido e é ele que escorre pelas minhas mãos, pelo meu corpo quando vejo que estou sem você ao meu lado. Eu sei que você não quer mais ouvir todo aquele velho papo disso ou daquilo, mas eu demorei muito tempo para aprender toda a sua técnica. Para decorar todas as tuas diretrizes. Eu sou tão afoita quanto você, mas não vejo chance alguma de te ver um dia mais desesperada que eu. Tudo converge para um grande absurdo sem sentido e eu começo a achar que nem eu tenho controle sobre esse texto. Estou cada vez mais surpreendida por tudo o que está nos acontecendo. Com o que ocorreu entre a gente e isso nem muita importância tem quando estou ao teu lado. É como se toda a melodia do mundo acabasse, todo o absurdo, toda a teoria, tudo o que eu pudesse imaginar derretesse frente ao teu sorriso. Aquele sorriso radiante que me surgiu pela primeira vez há uns anos. Eu que fui falar contigo pela primeira vez e hoje sou eu a primeira a te escrever todas as nossas cartas. Não queria te escrever a lucidez ressentida de um eu te amo, como se fosse a mais equilibrada das criaturas ao te dizer essas coisas. Quero que você sinta toda minha vulnerabilidade, todo o meu desequilíbrio, todo o meu desespero. Esta carta é o meu último ato pensado, sensato ou qualquer coisa assim. Não te surpreendas se um dia vires-me na rua atrás de ti. Se um dia vires-me a cometer algum ato insano ou impensável. Sou eu, sempre a te perseguir, sempre a querer ser tua sombra, ser você, estar com você. Então eu acho que é isso. Em junho talvez eu consiga os papéis que o Jorge estava querendo. Talvez essa seja uma das muitas chances que eu vou ter.
Te amo
Com amor
Helena.
domingo, maio 21, 2006
Soneto do Outono (Para todos os Maios)
Foste tu quando puto o mentiroso
A minha perfeita dicotomia mentia
Sobre o seu suposto céu azul e frio
Uma grande massa polar te seduzia
Então numa noite dura de frio caiu
Em cima de tua cabeça, grande cabeça
Mas depois veio o pior. A tarde que se fez dourada
E tu nem ao menos a contemplaste.
Um tom nem ao menos egoísta, marginal, escatológico
Da manhã mais mágica dos meses, lógico
Foste tu o metal mais frio a me despertar
A água mais gelada a me banhar
O sem senso mais estático a me escrever
A época mais atemporal a existir
Foste tu, eterno putinho...
A minha perfeita dicotomia mentia
Sobre o seu suposto céu azul e frio
Uma grande massa polar te seduzia
Então numa noite dura de frio caiu
Em cima de tua cabeça, grande cabeça
Mas depois veio o pior. A tarde que se fez dourada
E tu nem ao menos a contemplaste.
Um tom nem ao menos egoísta, marginal, escatológico
Da manhã mais mágica dos meses, lógico
Foste tu o metal mais frio a me despertar
A água mais gelada a me banhar
O sem senso mais estático a me escrever
A época mais atemporal a existir
Foste tu, eterno putinho...
domingo, abril 02, 2006
terça-feira, março 07, 2006
MISSA IN ALBIS
Isso não é um prefácio de um livro ou coisa igual. Achei isso escrito e sei de onde é. É como uma grande poesia:
Um livro nunca é o pleno terror, como uma cidade pode sê-lo; nem o esplendor de um outro ser amado.
É verdade que Sara era doente.
Foi apenas o exagero de uma metáfora corrente, nesses anos todos trazíamos no peito uma planta carnívora, um regicídio e um poeta alcoolizado. Nem mais.
E quem se eu gritar que tinha dezasseis aons, nessas noites, poderá escutar que ela tinha pouco mais que vinte, num país em que são as mulheres que detêm afinal a rédea da compostura e da propriedade, oficiantes do receituário da ordem e da perspectiva?
A voz de Dorotéia não convém, numa luxúria da palavra que me lembra Sara sem ma restituir.
Mais confio em Martim porque ele amava o meu amor por ela.
E Teodoro mente de uma maneira previsível por milhões, em que tudo é provação e felicidade possível.
Ou tomarei eu a fala
Ou Sara.
Confundir é a única regra que convém, segundo o entendimento que tiverdes.
(Missa in Albis ; Maria Velho da Costa; Publicações Dom Quixote)
*******************
Não era eu. Foi só a isenção que pediu e não comportou a exposição...
Esse subjetivsmo é uma piada. (não é)
O riso é um subterfúgio.
O sou ridículo é uma forma de isenção
*******************
Sentemos e Jantemos
Um livro nunca é o pleno terror, como uma cidade pode sê-lo; nem o esplendor de um outro ser amado.
É verdade que Sara era doente.
Foi apenas o exagero de uma metáfora corrente, nesses anos todos trazíamos no peito uma planta carnívora, um regicídio e um poeta alcoolizado. Nem mais.
E quem se eu gritar que tinha dezasseis aons, nessas noites, poderá escutar que ela tinha pouco mais que vinte, num país em que são as mulheres que detêm afinal a rédea da compostura e da propriedade, oficiantes do receituário da ordem e da perspectiva?
A voz de Dorotéia não convém, numa luxúria da palavra que me lembra Sara sem ma restituir.
Mais confio em Martim porque ele amava o meu amor por ela.
E Teodoro mente de uma maneira previsível por milhões, em que tudo é provação e felicidade possível.
Ou tomarei eu a fala
Ou Sara.
Confundir é a única regra que convém, segundo o entendimento que tiverdes.
(Missa in Albis ; Maria Velho da Costa; Publicações Dom Quixote)
*******************
Não era eu. Foi só a isenção que pediu e não comportou a exposição...
Esse subjetivsmo é uma piada. (não é)
O riso é um subterfúgio.
O sou ridículo é uma forma de isenção
*******************
Sentemos e Jantemos
sábado, fevereiro 18, 2006
Enxerto
Eu achei isso escrito:
Copiei para esse blog aqui mas modifiquei os nomes. E algumas frases.
Rebeca Del Rio resolveu passar a sua escrita para todos que um dia comprometeram-se com ela. Gonzales está pronto para deixar a música tocar. Num ambiente deveras onírico para deixar a loucura intacta. O sonho nos isenta: Good Morning, podes cantar, mas ó, não te esqueças de uma coisa: o tempo destrói tudo. Não te vanglories dos teus trinta e oito anos de vida. Esta é mais curta do que pensamos.
Não que Rebeca tenha se ressentido do conselho de um futuro suicida. Na verdade ela se ressentiu e para ela foi tão desconfortável viver, que chegara a ponto de colecionar momentos e glórias. Mas falemos de outras coisas. A pobre da personagem ainda não cantou. E como não havia o dançar? A menina dança. Ela ainda dança. Gonzales reparara que uma canção fora feita para ele. Dissera: essa música é minha. Assim como milhões de Gonzales dizem: “essa música é minha.” Essa música era para quem tinha problemas. Matemáticos? Tá, é isso. A supremacia é da razão. Mas voltemos ao que fora escrito há tempos atrás. Ela achou que rimava e verdadeiramente rimava. Ela era uma entidade.
“Um dia eu acordei e vi que ainda tinha os olhos marcados. Fazia calor e a música dizia algo entre intenso e veloz. Pensei no balanço.
Mas bem antes disso algo importante passou e gestos como todos possíveis não valeram.
Depois eu dormi. Depois vi. Não há acompanhamentos. A frase marcou o que seria o ocaso do acaso.
Brinquei de Deus com as palavras. Escondi sutilezas e não tive rumo quando olhei para mim e não me vi. Como é aquilo que o Pessoa diz? Algo de ter os anéis nos dedos e olhar? Princesas e realidades não vividas. Lembro-me que recitaram algo assim e achei bonitinho. Mas não entendi. Até hoje.
Mas antes teve Adriana com seus para quês e seu prestando atenção. Decifrei? Acho que não.
Não vou dizer que não estou triste. Estou, mas alegre também. Alegria sutil. Violência de existir. Outro dia me disseram que o interesse supera o amor. E os “me disseram” que ouvi pouco a pouco foram se tornando vagos.
Ah, desculpe-me, é que eu olho nos olhos das pessoas que eu amo.
Como te dizer que isso não foi tudo? Precisei num momento específico e não tive resposta. Quanta importância depositada para se fazer uma frase daquele tipo. Eu não sabia o que fazer. Senti imensidão do vazio. Por que não solidão? É, isso, solidão. Mas calma, calma, cantei. Solidão é para quem não tem amigos. E por não existir mais sintonia com o mundo, imaginei a diferença. A indiferença também.
Estive louca por alguns meses? O que fizeram da amizade e da ingenuidade? Anulei primaveras e o verão esbofeteou-me como que para acordar-me para o mundo e para o tempo.
Não, não botei a tristeza no colo.
Porque, coitadinho né? Quanta importância conferida, quanta constatação não encarada! Que recepção!! Decepção!?!
Filhinho, isso é viver
“Um dia eu achei que tinha acordado mas ainda estava lendo o livro das mil e uma noites”.
Não foi? Não fooi?
Um dia estive em meio à tulipas congeladas.
Depois estava fazendo o que achava possível.
Minha alegria e meu cansaço eram tão válidos.
Mas ó, vejam só, o número de subterfúgios! Tão desvalidos. É preciso tudo isso? O quanto o pudor e a vergonha pareceram aumentar.
Não valeria a pena ser escrito. Como isso me fez mal.
Fui forte para terminar de ouvir a tempestade. O livro dos dias. ...mas não consigo entender. Que culpa tenho eu? Só porque matei Mary Kulansky em frente ao Gineceu’s?
Não estou bem certa quanto a isso.
Por que tudo isso? Ela não era nada além do que uma pseudo-prostituta-cool-bossa-nova-cult-jazz-dark-indie. Um ser.
A culpa é do Diabo. Frustrado por não existir, resolveu pedir permissão a Ele, o Criador, para existir. E agora tomou o poder.
Satanás ainda convence.
Criei pessoas em laboratório. Quando disse a fórmula, correram.
Distância! Distância!
Êpa, que que tá pegando? Quiquiéisso?
Valho-me de pseudo-pseudos para passar sentidos.
Quem disse que queria o repentino? O gráfico?
Eu que não fui. Foi alguém maior que eu mesmo, alguém Poderoso o bastante. Alguém que já tenha enriquecido.
He, he, realmente tá frio hoje. Não que eu tenha sido mentirosa.
Ah, pai, mas então o que eu fiz? Ser sincero pode ser mentir? Confiar é demais para se lidar? Achei que poderia contar contigo. Isso não foi bom. E é assim que eu prefiro. Por que não? Escrevi músicas e toco-as. Escrever.
Desculpem-me, é que eu estive pensando, depois despensei. Depois descomplica-se. Não foi num dia frio que eu chorei e depois melhorei?
Me enganei?
Outubro de 1995
Pasmei ao ver aquilo retratado. O que era aquilo senão uma nova forma de música? Um acorde?
Que estranho. Não sou narrador, lavo minhas mãos para a loucura... Cada maluco que me aparece. E ponto final.
-------------------------------------
Não me lembro de qual blog eu copiei isso, eu tenho que pegar o link de volta. Assim que eu conseguir localizar esse texto nesse blog eu posto o link aqui.
Copiei para esse blog aqui mas modifiquei os nomes. E algumas frases.
Rebeca Del Rio resolveu passar a sua escrita para todos que um dia comprometeram-se com ela. Gonzales está pronto para deixar a música tocar. Num ambiente deveras onírico para deixar a loucura intacta. O sonho nos isenta: Good Morning, podes cantar, mas ó, não te esqueças de uma coisa: o tempo destrói tudo. Não te vanglories dos teus trinta e oito anos de vida. Esta é mais curta do que pensamos.
Não que Rebeca tenha se ressentido do conselho de um futuro suicida. Na verdade ela se ressentiu e para ela foi tão desconfortável viver, que chegara a ponto de colecionar momentos e glórias. Mas falemos de outras coisas. A pobre da personagem ainda não cantou. E como não havia o dançar? A menina dança. Ela ainda dança. Gonzales reparara que uma canção fora feita para ele. Dissera: essa música é minha. Assim como milhões de Gonzales dizem: “essa música é minha.” Essa música era para quem tinha problemas. Matemáticos? Tá, é isso. A supremacia é da razão. Mas voltemos ao que fora escrito há tempos atrás. Ela achou que rimava e verdadeiramente rimava. Ela era uma entidade.
“Um dia eu acordei e vi que ainda tinha os olhos marcados. Fazia calor e a música dizia algo entre intenso e veloz. Pensei no balanço.
Mas bem antes disso algo importante passou e gestos como todos possíveis não valeram.
Depois eu dormi. Depois vi. Não há acompanhamentos. A frase marcou o que seria o ocaso do acaso.
Brinquei de Deus com as palavras. Escondi sutilezas e não tive rumo quando olhei para mim e não me vi. Como é aquilo que o Pessoa diz? Algo de ter os anéis nos dedos e olhar? Princesas e realidades não vividas. Lembro-me que recitaram algo assim e achei bonitinho. Mas não entendi. Até hoje.
Mas antes teve Adriana com seus para quês e seu prestando atenção. Decifrei? Acho que não.
Não vou dizer que não estou triste. Estou, mas alegre também. Alegria sutil. Violência de existir. Outro dia me disseram que o interesse supera o amor. E os “me disseram” que ouvi pouco a pouco foram se tornando vagos.
Ah, desculpe-me, é que eu olho nos olhos das pessoas que eu amo.
Como te dizer que isso não foi tudo? Precisei num momento específico e não tive resposta. Quanta importância depositada para se fazer uma frase daquele tipo. Eu não sabia o que fazer. Senti imensidão do vazio. Por que não solidão? É, isso, solidão. Mas calma, calma, cantei. Solidão é para quem não tem amigos. E por não existir mais sintonia com o mundo, imaginei a diferença. A indiferença também.
Estive louca por alguns meses? O que fizeram da amizade e da ingenuidade? Anulei primaveras e o verão esbofeteou-me como que para acordar-me para o mundo e para o tempo.
Não, não botei a tristeza no colo.
Porque, coitadinho né? Quanta importância conferida, quanta constatação não encarada! Que recepção!! Decepção!?!
Filhinho, isso é viver
“Um dia eu achei que tinha acordado mas ainda estava lendo o livro das mil e uma noites”.
Não foi? Não fooi?
Um dia estive em meio à tulipas congeladas.
Depois estava fazendo o que achava possível.
Minha alegria e meu cansaço eram tão válidos.
Mas ó, vejam só, o número de subterfúgios! Tão desvalidos. É preciso tudo isso? O quanto o pudor e a vergonha pareceram aumentar.
Não valeria a pena ser escrito. Como isso me fez mal.
Fui forte para terminar de ouvir a tempestade. O livro dos dias. ...mas não consigo entender. Que culpa tenho eu? Só porque matei Mary Kulansky em frente ao Gineceu’s?
Não estou bem certa quanto a isso.
Por que tudo isso? Ela não era nada além do que uma pseudo-prostituta-cool-bossa-nova-cult-jazz-dark-indie. Um ser.
A culpa é do Diabo. Frustrado por não existir, resolveu pedir permissão a Ele, o Criador, para existir. E agora tomou o poder.
Satanás ainda convence.
Criei pessoas em laboratório. Quando disse a fórmula, correram.
Distância! Distância!
Êpa, que que tá pegando? Quiquiéisso?
Valho-me de pseudo-pseudos para passar sentidos.
Quem disse que queria o repentino? O gráfico?
Eu que não fui. Foi alguém maior que eu mesmo, alguém Poderoso o bastante. Alguém que já tenha enriquecido.
He, he, realmente tá frio hoje. Não que eu tenha sido mentirosa.
Ah, pai, mas então o que eu fiz? Ser sincero pode ser mentir? Confiar é demais para se lidar? Achei que poderia contar contigo. Isso não foi bom. E é assim que eu prefiro. Por que não? Escrevi músicas e toco-as. Escrever.
Desculpem-me, é que eu estive pensando, depois despensei. Depois descomplica-se. Não foi num dia frio que eu chorei e depois melhorei?
Me enganei?
Outubro de 1995
Pasmei ao ver aquilo retratado. O que era aquilo senão uma nova forma de música? Um acorde?
Que estranho. Não sou narrador, lavo minhas mãos para a loucura... Cada maluco que me aparece. E ponto final.
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Não me lembro de qual blog eu copiei isso, eu tenho que pegar o link de volta. Assim que eu conseguir localizar esse texto nesse blog eu posto o link aqui.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Vie
Todos os arquivos não foram encontrados
O computador está quebrado
Por que as conexões não estão boas?
Por que recebemos uma mensagem vazia?
A aflição está em cada caneta
O anoitecer nunca é demais
Não encontro nenhuma proposta
Tenho planos sinceros e mal intencionados
Os spams são monstros da não-existência
As malas diretas são a porta para o inferno
Amizades tremem frente a sinceridades e realidades obtusas
Esquadros marcam o compasso de uma canção
“E os meus procedimentos, cadê? Minha régua, o meu fichário...?”
Ninguém chora a conta gotas
Solidão é para quem não tem amigos?
Solidão é para quem não tem vontade de deslumbrar o tempo
Faça uma folha e invente uma vida
Peça atenção
Não gagueje frente ao tamanho da vida
Dinheiro é para quem não tem meios
Sedução é para quem existe
Aflição é para quem respira
Os que tem fome e morrem de vontade não têm décimo-terceiro
Têm burner list
They burn their lives
Dizem que quem tem isso morre cedo
Eu não tenho nada a dizer
Mas digo sempre,
And so it is
Stamos em plena década
00’s forever
Pra começar quem vai colar
As tais canções?
Encontrar os arquivos?
Estabelecer conexões?
Destruir spams?
MOI!
Quem vai chorar? DEUS!
HAPPY OLD YEAR!
O computador está quebrado
Por que as conexões não estão boas?
Por que recebemos uma mensagem vazia?
A aflição está em cada caneta
O anoitecer nunca é demais
Não encontro nenhuma proposta
Tenho planos sinceros e mal intencionados
Os spams são monstros da não-existência
As malas diretas são a porta para o inferno
Amizades tremem frente a sinceridades e realidades obtusas
Esquadros marcam o compasso de uma canção
“E os meus procedimentos, cadê? Minha régua, o meu fichário...?”
Ninguém chora a conta gotas
Solidão é para quem não tem amigos?
Solidão é para quem não tem vontade de deslumbrar o tempo
Faça uma folha e invente uma vida
Peça atenção
Não gagueje frente ao tamanho da vida
Dinheiro é para quem não tem meios
Sedução é para quem existe
Aflição é para quem respira
Os que tem fome e morrem de vontade não têm décimo-terceiro
Têm burner list
They burn their lives
Dizem que quem tem isso morre cedo
Eu não tenho nada a dizer
Mas digo sempre,
And so it is
Stamos em plena década
00’s forever
Pra começar quem vai colar
As tais canções?
Encontrar os arquivos?
Estabelecer conexões?
Destruir spams?
MOI!
Quem vai chorar? DEUS!
HAPPY OLD YEAR!
terça-feira, dezembro 20, 2005
só um verão
20 DE DEZEMBRO
Algo de solstício no ar
Camisa Preta. Estalando de azulidade o céu me recebe. E o holocausto começa. E tudo volta ao estado de guerra. De sujeira e de suor. Quarenta e três graus me saúdam no termômetro da praia e eu olho para mim: CAMISA PRETA!
Sinto um grande calor não humano. Deus resolve ficar grudento e me esquenta até demais. A praia – ainda que suja - me chama e me convida. Mas o horror do labuta me chama. De longe avisto a ponta do morro dos dois irmãos. Copacabana me engana. Ipanema ta longe. O asfalto é uma frigideira que tem bafo quente. O suor é meu. O sol brilha tanto que ninguém se atreve a olhar para fora. Amolecimento interior. Não estou mais em outubro, quanto menos em maio. Não é em janeiro que me distraio. O ventilador sopra um bafo quente e com ele as pessoas na noite de janelas abertas repetirão: -nossa fez calor hoje.
A estupidez de um absurdo e a afronta para com as palavras. Os flamboyants perdem suas pequenas flores vermelhas xexelentinhas. Um anti-outono de verde que assusta.
Não quero isso. Mas tenho que agüentar. E a noite demora para chegar. A tarde se escorrega, para voltar mais cedo no dia seguinte. O dia mais longo do ano está perto e com ele todas essas coisas triviais que falei. Porque não ligo mais para o papo de clichê. Porque assassinaram a minha rebeldia. Porque me mostraram que a subjetividade é que nem um vício. Teus chocolates, teus chocolates pulverizados mandam lembrança e vão para o meio do ano. Fondue de pessoas derretidas com licor de cuspe no asfalto quente da rua. Tristeza estalada e um despertar matinal já ensolarado.
Direi: BEM VINDO VERÃO
E sei que te amo e te odeio. Mas no fundo mesmo eu te amo, e também te odeio. Quando você cinicamente torrar os corpos besuntados na praia, derreterá todos os gizes de cera expostos ao sol. Fritarás ovos no asfalto. Lotarás ônibus para a região oceânica e para a zona sul.
Vai ser na praia da barra verão. O calor vai te matar. Verão.
Vocês que se dignaram a ler isso, mandem mensagens telepáticas a esse verão criminoso, nem um pouco comedido, nem muito comedido. Seu lirismo é uma farsa. Passar janeiro esperando julho. Isso não é real. Happy new year. O natal aqui nada tem de frio. É algo desconfortável ver os papais noéis derretendo na rua. Culpa do verão.
E vem chegando o verão
Com calor no coração
Não demora muito agora
Todas de bundinhas de fora
A música até que é bonita.
Felie Dylon embaixador do verão pop teen carioca, traz o sol particular... MENTIRA!!!!
CALÚNIA!
Uma grande repartição pública, um grande escritório ardendo em chamas invisíveis, com o ventilador psicológico. Nisso que vira esse canto do mundo.
Está aberta a temporada de sofrimento e desespero
Até março temos muito o que conversar....
Algo de solstício no ar
Camisa Preta. Estalando de azulidade o céu me recebe. E o holocausto começa. E tudo volta ao estado de guerra. De sujeira e de suor. Quarenta e três graus me saúdam no termômetro da praia e eu olho para mim: CAMISA PRETA!
Sinto um grande calor não humano. Deus resolve ficar grudento e me esquenta até demais. A praia – ainda que suja - me chama e me convida. Mas o horror do labuta me chama. De longe avisto a ponta do morro dos dois irmãos. Copacabana me engana. Ipanema ta longe. O asfalto é uma frigideira que tem bafo quente. O suor é meu. O sol brilha tanto que ninguém se atreve a olhar para fora. Amolecimento interior. Não estou mais em outubro, quanto menos em maio. Não é em janeiro que me distraio. O ventilador sopra um bafo quente e com ele as pessoas na noite de janelas abertas repetirão: -nossa fez calor hoje.
A estupidez de um absurdo e a afronta para com as palavras. Os flamboyants perdem suas pequenas flores vermelhas xexelentinhas. Um anti-outono de verde que assusta.
Não quero isso. Mas tenho que agüentar. E a noite demora para chegar. A tarde se escorrega, para voltar mais cedo no dia seguinte. O dia mais longo do ano está perto e com ele todas essas coisas triviais que falei. Porque não ligo mais para o papo de clichê. Porque assassinaram a minha rebeldia. Porque me mostraram que a subjetividade é que nem um vício. Teus chocolates, teus chocolates pulverizados mandam lembrança e vão para o meio do ano. Fondue de pessoas derretidas com licor de cuspe no asfalto quente da rua. Tristeza estalada e um despertar matinal já ensolarado.
Direi: BEM VINDO VERÃO
E sei que te amo e te odeio. Mas no fundo mesmo eu te amo, e também te odeio. Quando você cinicamente torrar os corpos besuntados na praia, derreterá todos os gizes de cera expostos ao sol. Fritarás ovos no asfalto. Lotarás ônibus para a região oceânica e para a zona sul.
Vai ser na praia da barra verão. O calor vai te matar. Verão.
Vocês que se dignaram a ler isso, mandem mensagens telepáticas a esse verão criminoso, nem um pouco comedido, nem muito comedido. Seu lirismo é uma farsa. Passar janeiro esperando julho. Isso não é real. Happy new year. O natal aqui nada tem de frio. É algo desconfortável ver os papais noéis derretendo na rua. Culpa do verão.
E vem chegando o verão
Com calor no coração
Não demora muito agora
Todas de bundinhas de fora
A música até que é bonita.
Felie Dylon embaixador do verão pop teen carioca, traz o sol particular... MENTIRA!!!!
CALÚNIA!
Uma grande repartição pública, um grande escritório ardendo em chamas invisíveis, com o ventilador psicológico. Nisso que vira esse canto do mundo.
Está aberta a temporada de sofrimento e desespero
Até março temos muito o que conversar....
quarta-feira, novembro 02, 2005
Le spleen de Niterói
Le spleen de Niterói
(Na ausência permanente de leitores, escrevo ao meu mais cínico prazer. Masturbação literária, solitária e retardatária)
"Eu preciso encontrar um lugar legal pra mim dançar" (Jupiter Maçã)
A une heure du matin
A noite nem tão fria de Agosto
Bem que machuca meu rosto
Oferecendo essa frescura gratuita
Numa hora nem tão fortuita
Minha rima mesquinha e forçada
Saiu junto com meu lirismo indizível
E tua mão se uniu a minha, e nada
Nada do que disse foi compreensível
Rimos do lirismo, tu lá e eu cá
Num êxtase inventado, num gozo artificial
Que bem de longe soava muito banal
Tu nem tuberculose tiveste, nem tossiste
Lembro que tinhas rido e disseste:
Está calor! Vamos à praia? E eu falei:
"Tu esqueceste a rima em cima da mesa junto com o baudelaire. O que estás fazendo com meu romantismo cavernoso, negro e depressivo? ( Tu viraste o rosto e seguiste em frente.) A rua estava cheia dos domingos, das velhinhas, dos jovens com pouca roupa. Todos embaixo de um sol que a tudo invadia. As minhas negras noites nas tavernas européias derreteram com o churrasquinho da esquina de casa. Fomos voando e já na praia a minha poesia tomou uma grande vaca. Como a areia estava quente! Tu foste na frente, pensaste que estavas em teu país e tiraste a parte de cima do biquini. - Vou dizer-te a verdade: teus peitos bronzeados e o céu azul não trouxeram a atmosphera cinza, fria e nublada daquele lugar. E os seis brancos, pálidos e cor de leite? Quando vi (vi o quê?), o tédio, a poesia tinham tomado um caldo. Era duas da tarde e passava dos quarenta graus. A água salgada e gelada absurdamente azul me envolveu maliciosamente e disse: Maroto. Daqui tu não sais. E tu já despida estavas quando eu pensei que precisava terminar o verso. Cínica. Tu sumias sempre no teu Verão, de Maio a Outubro eu não te via. E por isso meu SPLEEN nascia nessa época. Nossos verões não coincidiam! Lembro-me que nem tão cedo o rapazola bonito viera te atormentar. Tu só tinhas a mim e vinha surfando num grande cartão-postal das estepes russas. -Il est un pays superbe, un pays de Cocagne. Disseste tu antes de eu voltar a realidade. Reparei que teus cabelos eram curtos mas nem tanto.
(prometemos dançar a polca mais tarde)
O galo não cantou mais
Não se ouvia mais o jazz
Não está calor
Não é verão
Sentado na mesa, eu anacronicamente acordei do sonho com a caneta na mão. Um cachorro latia ao longe. Passava das duas da manhã. Olhei para sua foto e tive ciúme de mim mesmo. Então, para disfarçar, escrevi no final do poema:
-Conquistei o verso branco e livre numa só pergunta infalível :
-Por que tudo isso?
(Gonzales Fernandes, primavera, 2003)
(Na ausência permanente de leitores, escrevo ao meu mais cínico prazer. Masturbação literária, solitária e retardatária)
"Eu preciso encontrar um lugar legal pra mim dançar" (Jupiter Maçã)
A une heure du matin
A noite nem tão fria de Agosto
Bem que machuca meu rosto
Oferecendo essa frescura gratuita
Numa hora nem tão fortuita
Minha rima mesquinha e forçada
Saiu junto com meu lirismo indizível
E tua mão se uniu a minha, e nada
Nada do que disse foi compreensível
Rimos do lirismo, tu lá e eu cá
Num êxtase inventado, num gozo artificial
Que bem de longe soava muito banal
Tu nem tuberculose tiveste, nem tossiste
Lembro que tinhas rido e disseste:
Está calor! Vamos à praia? E eu falei:
"Tu esqueceste a rima em cima da mesa junto com o baudelaire. O que estás fazendo com meu romantismo cavernoso, negro e depressivo? ( Tu viraste o rosto e seguiste em frente.) A rua estava cheia dos domingos, das velhinhas, dos jovens com pouca roupa. Todos embaixo de um sol que a tudo invadia. As minhas negras noites nas tavernas européias derreteram com o churrasquinho da esquina de casa. Fomos voando e já na praia a minha poesia tomou uma grande vaca. Como a areia estava quente! Tu foste na frente, pensaste que estavas em teu país e tiraste a parte de cima do biquini. - Vou dizer-te a verdade: teus peitos bronzeados e o céu azul não trouxeram a atmosphera cinza, fria e nublada daquele lugar. E os seis brancos, pálidos e cor de leite? Quando vi (vi o quê?), o tédio, a poesia tinham tomado um caldo. Era duas da tarde e passava dos quarenta graus. A água salgada e gelada absurdamente azul me envolveu maliciosamente e disse: Maroto. Daqui tu não sais. E tu já despida estavas quando eu pensei que precisava terminar o verso. Cínica. Tu sumias sempre no teu Verão, de Maio a Outubro eu não te via. E por isso meu SPLEEN nascia nessa época. Nossos verões não coincidiam! Lembro-me que nem tão cedo o rapazola bonito viera te atormentar. Tu só tinhas a mim e vinha surfando num grande cartão-postal das estepes russas. -Il est un pays superbe, un pays de Cocagne. Disseste tu antes de eu voltar a realidade. Reparei que teus cabelos eram curtos mas nem tanto.
(prometemos dançar a polca mais tarde)
O galo não cantou mais
Não se ouvia mais o jazz
Não está calor
Não é verão
Sentado na mesa, eu anacronicamente acordei do sonho com a caneta na mão. Um cachorro latia ao longe. Passava das duas da manhã. Olhei para sua foto e tive ciúme de mim mesmo. Então, para disfarçar, escrevi no final do poema:
-Conquistei o verso branco e livre numa só pergunta infalível :
-Por que tudo isso?
(Gonzales Fernandes, primavera, 2003)
quarta-feira, outubro 12, 2005
A Solidão do Satã
"Para trás de mim, Satanás" (Alice)
Satã só tá tão só
Porque solitário no sotão
"Semem de monte quente
Somente mente Dante"
Dos círculos infernais sofre
A dor eterna, hibernais enxofre
Vós sem voz, você só vem. Vô sem
Para a leitura do loura suja
Alice mestiça atiça
-Alí,tocam-me na missa
Depravada, privada de Deus
Com fome, conforme nela meta
O desespero fálico do Capeta
Falhou. Falou. Leu: "A masturbação do Demo"
-...SPLASH!!!!!!!!!!!!
não mexe
(porra satânica borra o sotão)
QUE TRASH!!!
"No sotão soturno, Satã sente a solidão. Alice foi sua criação. Somente somem idéias. Figuram estampas depravadas. Ele vê Alice na revista pornô e consome o seu prazer sozinho. A verdade é que Alice no país das Maravilhas tem relação maliciosa com o CÃO!"
Satã só tá tão só
Porque solitário no sotão
"Semem de monte quente
Somente mente Dante"
Dos círculos infernais sofre
A dor eterna, hibernais enxofre
Vós sem voz, você só vem. Vô sem
Para a leitura do loura suja
Alice mestiça atiça
-Alí,tocam-me na missa
Depravada, privada de Deus
Com fome, conforme nela meta
O desespero fálico do Capeta
Falhou. Falou. Leu: "A masturbação do Demo"
-...SPLASH!!!!!!!!!!!!
não mexe
(porra satânica borra o sotão)
QUE TRASH!!!
"No sotão soturno, Satã sente a solidão. Alice foi sua criação. Somente somem idéias. Figuram estampas depravadas. Ele vê Alice na revista pornô e consome o seu prazer sozinho. A verdade é que Alice no país das Maravilhas tem relação maliciosa com o CÃO!"
segunda-feira, setembro 12, 2005
Pourquoi?
Rita Lee foi embora
Desintegração Mutante
(booooooooooooommmm)
-universo em expansão
uni versos de montão
Versarei versátilmente
Agora e Sempre
-Amém
Desintegração Mutante
(booooooooooooommmm)
-universo em expansão
uni versos de montão
Versarei versátilmente
Agora e Sempre
-Amém
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