“mi corazón es un eterno taller de escritura” – José Carlo, Boedo.
terça-feira, outubro 21, 2014
Lua em escorpião
segunda-feira, agosto 25, 2014
2013
Consequências de um apaixonamento que se gestou em duas semanas
E já passados os nove, dez, onze meses o aborto é pura questão de estilo.
o seu corpo
e o seu toque
quinta-feira, junho 26, 2014
2020
quinta-feira, outubro 31, 2013
Tanta água
quinta-feira, outubro 25, 2012
Muito mais que quatro semanas de amor
terça-feira, outubro 02, 2012
Para que servem os pobres? Carta aberta a Amir Haddad sobre assinatura em manifesto pró-Paes.
quinta-feira, setembro 27, 2012
Carta aberta aos que assinaram o manifesto a favor da reeleição do Paes.
Caros colegas
sábado, junho 02, 2012
Profeta de mim mesma
Mas quarta-feira está longe querida,eu disse num tom convincente beirando o sarcasmo e a alegria das frases feitas. De cinzas ela não terá nada, fui adiantando, prometendo segurança, avaliando-me da melhor maneira possível.
Quando a saudade vira murmúrio e a lembrança fotografia guardada a gente fica num estágio que vai além do nostálgico, a gente fica assim meio besta, repetindo eterna ladainha cheia de sentido e de terceiras, quartas e quintas intenções.
Olá, como vai?
Menininha esperta, ela acordava todo dia na hora que tinha que acordar feliz
Vendendo minha alma parcelada ao capeta
Houve um tempo
Ao acreditar no demônio mais belo de todos travesti-me com as crenças mais belas e subi ao topo mais alto confessando com minha boca as confissões mais secretas na ponta da língua os segredos mais guardados nas noites mais escuras das dúvidas mais belas.
Ao Deus eu reservei os momentos mais contemplativos, as telas mais lindas entendendo perfeitamente porque não se pode pintar o profeta de qualquer maneira de qualquer cor de qualquer traço.
De mim não esperei nada, dividido entre um Deus e um Diabo que se pintavam com as cores mais pardas e as poesias mais belas.
De você esperei o mundo, esperei assim do seu sorriso o mundo como ele próprio se prometia. Sem nada, sem começo, sem fim e sem meio sem deus sem diabo sem profeta sem nada
esperei tanto que caí assim na crença ingênua e bela sem juízo final do amor que vale por si só.
De espera desesperada o mundo está cheio.
terça-feira, fevereiro 21, 2012
aurora
sexta-feira, dezembro 16, 2011
caderno antigo
sábado, novembro 05, 2011
a mulher escrita

É claro que a chamada literatura confessional é um erro, uma espécie de aberração perversa e sádica. É evidente que o eu não tá com nada, o eu já não é mais como era antigamente.
Antigamente eu gostava de ser mulher de 40 anos com vestido vermelho varrendo a casa nas manhãs de sábado. Mas não. Não há o que a linguagem possa dizer quando o texto começa naquela primeira pessoa.
Cria-se fôlego com as ficções e eu escrevo esse texto no bloco de notas, na secura e aridez que é o bloco de notas, o aplicativo mais sincero do computador.
Não há como escrever a primavera não há como escrever a manhã de novembro nem a incidência do sol na minha janela nem os sons da rua.
panela de pressão chic chic chic chic chic se espalhando pela casa.
escrever com a xereca nos exige calma e profundidade. não existe coisa mais fálica do que escrever com o eu. a mulher tava lá toda escrevinhada, escrota na mesa e isso não era legal esse papo da escrita gineceu da escrita óvulo
na nossa era de pós-pornô, pós-queer é preciso afirmar e louvar a escrita trans, aquela escrita camaleônica e masturbativa
Só a escrita trans poderá salvar a literatura confessional e de quebra toda a escrita realista de seu beco sem saída.
Só a escrita trans arrombará os portões da república e assassinará de vez Platão.
sábado, outubro 22, 2011
A mentira de um prenúncio
Há muito tempo já não habita mais em mim o fantasma da poesia
não era assim? justamente assim que a gente tinha decorado antes de partir?
eu na minha singela opinião prefiro pensar em maturação, algo entre a fermentação e a germinação
então ficou combinado assim:
eu tinha que ficar na casa esperando o pessoal de fora chegar.
arrumando as caixas.
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o pássaro de fogo que passou tão rápido disse da linguagem coisas sérias e que tem coisas que a gente não conta.
domingo, junho 19, 2011
esboço do projeto de pesquisa
É preciso ir até o fundo.
Um projeto de vida não um projeto de mestrado, doutorado ou coisa que o valha.
Orientador caçador de mim a qualificação não escolhe hora nem data para começar.
A Marrom como objeto de estudo. A Marrom como veículo para a mensagem.
Releitura do "senhor fazei de mim um instrumento de vossa voz". Ela falando por ela mesma os seus fragmentos.
Alcione fragmentada em três tipos ideais que se complementam, contradizem e se explicam.
Ela é una. Uma totalidade só. O que separa as três Alciones é uma lacuna paraláctica. Para melhor vê-las e entendê-las é preciso um exercício constante de crítica.
A crítica.
domingo, fevereiro 13, 2011
Arvorezinha
Era tão legal aquela hora da tarde né? Que os grilinhos ficavam falando no nosso ouvido coisinha boa e a gente ficava tão afetada né? Parecia era duas bichas balançando assim na rede, vendo a tarde cair, ficar cantando que nem bobo olhando o pôr do sol como se não houvesse trabalho nos esperando para depois mais tarde e uma vontade louca de pegar um ônibus e ir com você pra cidade mais próxima, já lá perto daquele lugar que a gente pensava que ia viver, tinha uma sala com chão rachado mas era lindo, uma rachadura mínima naquele piso meio colorido, pedra fria, porta de madeira velha, cheiro de velho em todo lugar de madeira boa, de madeira antiga. E o banheiro então?! Ah, vontade que aquela casa tivesse uma sombra de uma mangueira ou um flamboyant. Já imaginava a casa nas sombras de verão se a árvore fosse de manga ia ter é manga pra todos os lados, suas folhas secas, suco de manga, sacolé de manga, sorvete de manga entupindo o congelador e aquele aroma por toda a casa nos janeiros que dão manga. E um flamboyant? Ah, um flamboyant deixaria cair suas micro folhinhas todas pequenininhas, galinhos finos tronco grosso com limo já. O flamboyant encarnado vermelho vivo, explodindo assim num dezembro só de céu azulado e você debaixo daquele vermelho doido dele olhando pra mim sorrindo sorriso cheio de sacanagem mancomunado com o Flamboyant cúmplice de nossas perversões e tinha que ter miquinhos, sim miquinhos berrando nas manhãs assoviando abrindo boquinhas com filhotinhos nas costas comendo banana que a gente ia botar pra eles banana pretinha banana velhinha que a gente sempre esquecia de comer banana bananinha amassadinha
segunda-feira, novembro 29, 2010
Meu querido
terça-feira, novembro 16, 2010
A prostituta babilônica
terça-feira, novembro 09, 2010
Escutemos ao que Angola tem a nos dizer.
Escutava a canção Angola cantada pela Mart'nália enquanto caminhava pela Gavião Peixoto em Niterói. De repente fui acometido por um profundo sentimento de pertença à algo maior que superava qualquer definição de brasileiro, angolano, moçambicano, português. Não quero incorrer naquele papo de que somos todos irmãos numa linda harmonia pois a história nos mostra que as coisas não funcionam assim. Mas sim quero enfatizar essa ideia de pertença. É o mar, o mar que nos une. E que sim, tenho uma ligação com Angola e seu povo, com Luanda, com a sua história. E um compromisso (que poderia dizer político mas é mais que isso) em divulgar em muitos espaços a maravilha das letras de um Luandino, de um Pepetela, Ondjaki, e todos esses escritores desse país. Angola tem muito a nos ensinar. Aos nossos escritores brasileiros. Não há nada mais repugnante como o que conhecemos aqui como Academia Brasileira de Letras. Aquela pompa, aquelas fantasias exageradas e deselegantes, aquele papo de imortal, tudo isso é morto, é contra a criação, exemplifica claramente o elitismo de nossos intelectuais. E vislumbrar um escritor como Pepetela nos faz perceber o quanto os retratos dos imortais na Academia Brasileira de Letras escondem muitos e muitos outros verdadeiros imortais que não precisam de todos esses rituais barrocos e cafonas em nosso país para existirem. Todos os velhos da Academia Brasileira de Letras estão derretendo, suas letras definhando. Enquanto ao ler coisas da união dos escritores angolanos vejo as palavras grávidas, vejo a força de uma vivência que tem muito mas muito a nos ensinar. VIVA A LITERATURA ANGOLANA! VIVA ANGOLA!
quarta-feira, outubro 20, 2010
6 de Agosto en Río
Os versos foram abolidos todos e todinhos e vivemos agora o refluxo daquela vaga conservadora daqueles tempos.
Se tudo é uma farsa farei do Rio o meu cenário inicial, recomeçando o meu holocausto imolando todas as minhas agruras que insisto em conjugar na primeira pessoa atrevida que chegou aqui e deu pra falar eu
Aqui, onde o vento faz a curva, aqui nesse largo tão estrangeiro e tão familiar imolarei o meu cordeiro calmamente sem vontade alguma de me prender a escrita automática ou a deixar fluir a hipocrisia e a passividade do meu motor
Tu que viste todas aquelas letras
Tu mermão que te atreveu a ler o teclado e a desorganizar todas as letrinhas
Tu que brincaste levianamente com Ginsberg agora se dá conta agora se dá conta de que todos os pretos velhos mentiam quando diziam a liberdade que serás também que serás tão bela que serás tão linda
Tu que zombaste da frase es corto pero feliz tu que zombaste da frase final que pronunciaste em teu francês miojônico Aime moi moins, mais aime moi plus longtemps, enrolando a língua beijinho, beijinho tchau, tchau
E agora que fará você sem as suas lindas mais lindas calles canções que te encantam que te cantam que te fazem que te levam assim sem cessar o teu pasaje a tua passagem São Sebastião eternamente flechado na Avellaneda em tarde de fim de maio triste e desolado se eu soubesse não teria sido dessa forma seguir, cruzar a Rio de Janeiro todinha, pois amor, pois amor em Boedo enterrei meu coração e o ofertei a princesa final que da janela chorava as suas lágrimas para mim
E eu as recolhia pouco a pouco sonhando em voltar a gostar de ler com o mesmo tesão de sempre a Clarice Lispector que sentava inquisitoriamente no divã e te observava e te fitava de longe
Deus, se há chance, se há oportunidade, você vai deixar eu tirar o demônio do meu corpo já que estou assim tão distante da Corrientes 4000, Corrientes 4000,
Ouça sentenças breves, Icaraí is changing, the times they are changing but Icaraí ta indo rápido demais, deixa eu correr e tomar o bonde da história que ta difícil e eu não quero mais soprar o meu amor a conta gotas nem a minha vista falida e mal educada cantando-te as mais lindas canções daquela que se chama Mariana
Sonhar toda a vida ou viver todo o sonho sonhar toda a vida ou viver todo o sono pois encostei aqui na 2 de dezembro staring a multidão que passa aflita nessa hora mais delicada do dia, nessa hora que todo mundo tem amor próprio e que os casais mais se amam, nessa hora que não é nem tarde nem noite nessa hora em que a gente tem uma casa nessa hora em que a culpa de existir é uma mera palavrinha nessa hora em que a gente sente mais seja a dor seja a alegria seja a vontade de estar em casa repousando eternamente nos sons de minha samambaia.
Meu amor vou deixar a casa aberta, já escuto os teus passos procurando a chave e nem penses em entrar assim, em abrir a porta do meu coração antes do Miles Davis engasgar no som da minha decência, você torce para que tudo meu dê certo, amor até que ponto a gente se acostuma até que ponto a gente tem vontade de nós mesmos, até que ponto amor, até que ponto meus olhos não são falsos, até que ponto há tanto amor amor, até que ponto o Jardim Botânico está lejos com suas frutas podres, até que ponto o tempo está mudando amor
Poderia inclusive experimentar religião nesse horário e ir assim rastejando até a Igreja de São Sebastião e dividir espaço com elezinho lá todo flechadinho, tadinho, exibindo o seu corpinho assim na praia, com tanto amor com tanta vida
Com tanto amor, com tanta vida loco, Che boludo que me escribís com esse sorriso assim tão lindo assim tão ternamente tão falsamente infantil faz de novo faz, faz de novo para eu te fotografar na cozinha pela última e derradeira vez I am memorizing this room, assim as suas pernas assim as suas mãos tão destras cozinhando assim a tua superioridade eu me prostro diante de ti, eu me prostro diante de ti e vou rastejando até bem depois da ponte voltando assim com a decência entalada na garganta voltando assim até Salvador, até bem depois daquela serra, daquela avenida.
Os dias de tal prosa folgada estão contados, caro amigo, eu vou trabalhar com a questão – jargão de historiador da uff, eu vou trabalhar com a questão dos conceitos, com a idéia de blablablalidade com a idéia de que eu to com uma vontade louca de resetar tudinho e começar assim de novo nos teus olhos o trabalho que o Criador deixou de lado.
Mas de pronto testarei a sua paciência
Leed aquele livro daquela que tem C. no nome.
Sem repetir. Que você acha?
sexta-feira, outubro 08, 2010
Fading
Gostava mesmo era das tardes em que você se fantasiava de rainha sem reino, chorando as mágoas pelo apartamento, cinismo inconsolável distribuía gargalhadas depois que me assustavam. E eu ao teu lado, na pequenez do meu chá que sorvia cabisbaixo sentia que uma distância estranha, sem nome ainda, crescia entre nós. Era pressentimento desses de pesar na barriga, pesar assim fundo chegando a me fazer sentir de alguma maneira mais apaixonado como qualquer enamorado se enamora por um ser que se esvai. O fading imbatível ressaltava as suas cores, os seus traços e os seus gestos mais secretos que da distância melhor se percebia.
Eu acho que eu tomava chá demais na minha indiferença, nos sábados insípidos em que oferecia ao meu amor o meu ser tão apático e incompreendido. Recuperava assim espécies de chamas antigas, temores de apaixonamentos esquecidos no fundo do baú de músicas esquecidas que afloravam de maneira violenta já logo de manhã. Como se ao tornarmos estranhos um para o outro nos permitiamos o leve e doce apaixonamento.
Ingenuidade minha pensar que tudo aquilo era um mero paradoxo, uma contradição ou algo parecido. Comemorava então os avanços de nossas separações, os primeiros beijos no rosto, os cômodos separados, amigos, planos e gostos. Nos admirávamos assim de longe e melhor nos entendíamos. O dia então que de casa saí foi considerado grande avanço, fase séria de uma relação, suposta estabilidade sonhada. Por quase duas décadas nossa relação esteve assim indo de vento e popa no desconhecido, até que a crise começou num fim de semana no mar, o vento nos seus cabelos encontro casual em baixo de uma amendoeira, sorriso envergonhado num copo de cerveja cumplicidade resgatadas em canções comuns de um antigamente muito antigo como quem olha pela primeira vez o sol a se pôr e diz assim baixinho um segundo eu te amo mais jovem e mais bobo eu me resignei e dei por finda nossa relação, oh a dor que me consumia o peito, oh a dor, não sei como me recuperarei disso, desde então os meus dias tem sido assim de suspiros chorados e cada dia mais envergonhados, de sonhar com o segundo amor, de pegar na sua mão como adolescente de primeira hora, pobre menino preso em tuas armadilhas.
