“mi corazón es un eterno taller de escritura” – José Carlo, Boedo.
terça-feira, junho 02, 2009
Lonely People (Poesia Prosaica)
Por onde passa o quase que desordenadamente destrói qualquer convenção, qualquer ponto de partida?
Experiência, vida
E as letras, as letras nos invadem
As confusões que me confundem
Os limites da leitura
Enquanto você lê sentadinha essa linda poesia
Lembrando-se assim dos docinhos proustianos
Das oficinas literárias em Copacabana que ías quando eras velhinha
Das madalenas nem tão sempre arrependidas
Que comías escondidas nas tardes de sábado
Por onde passa?
Isso que já está por aí?
Agora eu vou falar. Agora sim eu vou desnudar o destino, deixar o fado assim nu e cru para os meus olhos. Esse é o primeiro et pour la premiére fois en Europe la plus agréssive (…) chanteuse bresilienne (…)
Li em voz alta aqueles quartos vazios
(Me sentia nu por dentro e gravava lindas poesias para mandar a um gajo que me trouxe a beleza aos olhos)
Em meu peito se encheu
Se encheu encheu
Se encheu de muito eu
Que sinceramente
Não deu
E eu fui lembrando da minha infância perdido naquele terreiro onde a festa ía até o sol raiar e eu ia até me acabando prefigurando para mim um destino assim tão cru
Meu fado, meu fado, meu fado
Estou enchendo todos os cadernos de cinco pesos que tenho a mão
Antes do fim do mundo
Uma cacofonia de letrinhas e palavras
Provando todas as combinações de letras e palavras
Os alexandrinos ficaram na outra estação
Parnasiano é o meu coração
Quero cultivar o verso pobre
E nem por isso limpinho
E nem por isso verso
E nem por isso impeço
O avesso
Da beleza
Na minha mesa
Com garfo e faca
E a culpa pendurada na porta.
Meu amor, confesso-te que fiz o download do primeiro disco da Ângela Rô Rô, aquele de 1979, sim, aquele mesmo. E fui ouvindo no metrô e fui me derretendo e tive vontade assim de explodir e de fazer alguma coisa, mas eu fiquei contendo a minha ereção, disfarçando a minha vontade de vida, cantarolando baixinho olhando o meu reflexo até ganhar as ruas peladas de fim de outono cantando e cantando e cantando sem nenhum cais do porto nem ao menos os horizontes do planalto central.
A filosofia, meu amor, alguém disse que é o playground do Satã
Uh.
Quem disse isso?
Caro x., enquanto a gente trepava num dia desses eu dei pra ficar contemplativo, cara de nada mesmo, e, driblando o sono ou coisa parecida, olhei pela sua janela e vi um céu tão azul mas tão azul que quis congelar o momento. (...) o seu trabalho debaixo do (...) que a gente tava também sendo abençoado por algo muito forte e intenso.
O jantar está no fogão.
Ah, mas quando tudo é tão doce e o frio me machuca o rosto me acariciando a face como uma linda prostituta, ah, o frio, o frio batendo sim, deixando meus olhos lacrimejados pedindo mais esse abraço de amor, esse abraço de tão delicioso sofrimento (...) minha cabeça no meio da rua na parede mais bela
Eu sou essa cidade já, filho dessas ruas
Justamente por nunca por ti ser
Justamente tenho que ver
Na costanera no domingo de sol sou todo amor todinho amor
Forçando o meu sotaque pra você me amar demais
Sugerindo a minha nudez debaixo do sol de novembro
Esboço da minha primeira modinha:
Você das Ingraterra veio breve
Mexer aqui com a minha calma
Corromper-me toda a alma
Desse pobre cristão que te escreve
E fez me sentir assim tão bem
Reconstruindo Sodoma
Num lindo mutirão a dois
Tão sexy e tão hot
Esfarelando Lot
Tão lindo e tão terno
Ganharemos passagem para o inferno
Primeira classe
Mil estrelas
Que caírão assim no chão
Enquanto te canto Orestes
Ao retirar as tuas vestes
No templo da devassidão
Hey man, you are right
sábado, maio 23, 2009
Movimento Das Barcas
escolhi sim
inaugurar aqui a barca
e desenhar a despedida do meu
amor
na canção da minha volta
assim na barca
esperando um outro lado
sem terceiras margens
pra sentar e te escrever postais
uma vez eu batizei julhos
de olhares mareados
ao te ver assim pela última vez
com o coração na mão
ao te ver assim
os fragmentos da minha última
fala
pouco disseram
e eu fui assim
fui assim na música enquanto corria a barca
enquanto corria a lágrima
eu ia te chamar
e ainda vou.
(Niterói - Buenos Aires, 2008/2009)
sábado, maio 16, 2009
relato.
não tenho muito assim pra te dizer nem pra te contar mas tenho um tantão assim pra te escrever nem que isso valha já por dizer já por contar. É que hoje fez outono assim de grande e talvez um pouco doído. Voce me tinha dito sobre aquilo de tristeza alegre, do triste e bonito, ou uma coisa assim. Pois é, foi assim justamente hoje. E bote lá um pouquinho de música, bote lá a sinceridade exageradamente sincera e vais ver o que eu estou a te escrever.
Tenho andado com alguns portugueses, gentes finíssimas, que as vezes me fazem escrever e falar assim, da forma em que eles falam.
Eu, que sou um legítimo menino do Rio, nascido e criado nas ruas de Maria da Graça, sim, sendo eu brasileiro do Rio esse papo de frio o dia inteiro com sol não me convence muito não. Ainda mais aquele negocinho de folha caindo no chão, e vento vento cortando. Tudo parece filme irreal, tudo parece momento congelado. Pois enquanto assistia a um espetáculo de música dei pra pensar nisso. Como tudo isso se pode fazer escrita e música.
Dei pra lembrar de ti por mais que não possa por mais que não queira. Mas lembrei e lembrei assim naturalmente e inocentemente. Sabe por quê? As vezes tenho receio de dizer é como se perdesse a graça de tudo isso. Mas só porque de onde eu escrevo agora vem uma bossinha eu me atreverei a te contar a frase que uma amiga das Franças me escreveu um dia. Dizia ela, "rever toute la vie" que quer dizer na nossa língua sonhar toda a vida. (a música que escuto é água de beber...) pois então, ela me disse essa frase e pouco sabia ela o peso que tal frase teria para os meus futuros momentos e para esse presente de hoje.
Mas tava assim de triste o dia e a melancolia me percorria o corpo, melancolia daquelas que de tão grande dão espaço para uma certa alegria meio rala meio desanimada. É nesses momentos que eu fico assim com vontade de fotografar tudo pelos olhos e com a caneta que não tinha na mão.
Dei pra te discorrer aqui adoidado. Já tenho o meu discurso assim bem desenvolvido e contar para uma amiga ou um amigo num ambiente de mais intimidade para mim é bastante sadio, me deixa assim de feliz, me faz sentir um pouco eu. Mas te roço tanto com a língua que tenho medo assim de te folclorizar e de te transformar num mito daqueles. Por isso te ligo, te ligo e procuro assim te perguntar e te conversar todas as mais lindas banalidades.
É o outono chegou. E eu, que te escrevo de terras argentas, não tenho muito pra te dizer. A maioria das árvores já perderam as folhas... Isso foi um espetáculo lá para abril, que foi lindo pra cacete. Quis tirar foto mas não podia.
Tenho ouvido vários discos.
Conhecido pouca gente.
E tenho lido as mais descompromissadas literaturas. A última que eu li dizia de uma garotinha pulando assim com o seu casaquinho de inverno a pracinha do lado da minha casa. Era tanta leveza que quase dei pra chorar.
Tive um sonho, muito lindo. O sonho tinha como cenário a língua portuguesa e as palavras eram imagens assim de grandes.
Pobre da escrita, essa que torna tudo onírico e embaçado.
Agora ouço o Jair cantando aquela música de lata d'água na cabeça, lá vai Maria. Ai... essa minha dor que nem de verdade nem pessoana nem de henrique é.
A gente se fala.
Saudades grandes.
Beijos.
sexta-feira, maio 08, 2009
Pertinho da Santa Cecília
Meu negócio é sair fazendo idealização pra depois ir esquecendo quem eu sou.
Eu sou uma mulher sincera. E razão me é jóia rara que tenho assim as pampas.
E, como fina dama que sou, saio desfilando assim no sapatinho minha fineza, armando armadilhas para os olhares desprevenidos lá pertinho da Santa Cecília.
Lá pertinho da Santa Cecília chegando já embaixo daquelas grandes palmeiras perto da Igreja que perdeu a torre eu me humanizo, me escondo e me travisto num olharzinho de um rapaz que intercala uma boa conversa com mijadas sorrateiras e inconvenientes.
É assim que eu reavivo as chamas e faço das cinzas a minha memória de você acariciando a branquinha que tinhas na mesa, assim tão você, apaixonadamente você, seu olhar me tragando e eu explodindo de desejo e de amor
De amor, sim! Mais que universal, aquele que me faz costurar essa cidade e amar cada paralelepìpedo dela.
E também matizar a minha fala um pouco monótona e o meu esnobismo inconsequente.
Perdoai texto ele não sabe o que faz. E eu quero fazer cosquinha assim na leitura dos teus olhos e R-E-G-O-Z-I-J-A-R-M-E com a sua pupila se mexendo e teu olho piscando como se mirasse a mim, esse é o meu troféu, como se mirasse a mim, assim com a nudez ao lado do teu eterno abajour lilás
Por onde anda aquele abajour?
A gente tem que marcar outro dia pra inaugurar outra Gomorrazinha assim, só não se esqueça de trazer culpa e pecado que assim é muito mais gostoso, imagine só, você sabe que a gente se acaba na autoflagelação e não tem coisa mais deliciosa que isso, quanto maior o prazer mais saborosa a culpa, um aumentando a outra.
Aí está o lance, temos que inventar a culpa, ou melhor, ressuscitá-la, pois o tio barbudo disse que a gente passou pra época da farsa e eu acho que não, eu acho que a culpa que eu ressuscito é sincera, sincera demais e não é farsa alguma.
É o contrário de uma serpente comendo o próprio rabo. Pense nisso. Comer o próprio rabo assim como que ao invés de sumir, o sujeito fosse aparecendo mais e mais.
Olhai a dialética, caro amigo.
Pois hoje eu estou cansado de chorar nas barcas que rumam para aquele triste negro trópico do cais e do lamento choroso barcas s a.
Pois hoje estou assim, olhando o movimento das barcas, num feminino muito mais belo, sem lágrima alguma pra chorar madalenamente não arrependida pelo que fiz.
Já chorei dez baías de Guanabara hoje e nenhuma, nenhuminha delas é de crocodilo.
É de mim, de mim mesma.
E não tenho dito, pois se dito tivesse eu não seria eu aqui se escrevendo
Assim mais ou menos assim.
domingo, maio 03, 2009
de ahí que proviene quizas los mismos gritos de un castellano muchas veces violentados por otra lengua
que abajo de todo hace gritar otros gritos que por ahí están
En el subte había un hombre que estaba huyendo con el corazon en la mano. Todo se llenaba de una ternura tan grande y de un amor que tenía el tamaño del mundo.
El tipo bajó las escaleras minutos antes, apurado, apuradísimo, huyendo también por tanto amor.
Recuerdos son recueros y nada más. Pero nunca más voy a conjugarlos de esta forma.
Tenés todavía en tu cama lo que un día encontraste?
Yo estoy allá.
En la salida, siempre en la salida, estaré mejillas así de rojas, calientes y todo eso, con unas ganas así de grandes de querer estar a tu lado o al menos saber novedades tuyas.
El Roberto está a mi lado en su como vai voce eu preciso saber da sua vida y yo seguiré mi camino así así de grande esperandote así encontrarte porque te quiero cocinar algo que todavía no conocés.
Nos vemos, che,
besoso!
sábado, maio 02, 2009
fragment
Mas é que dói muito esse primeiro outono que dá vontade de sair correndo correndo correndo até outro lugar ou entao dividir, ou entao a gente abrir na mesa o mapa desse outono e comer junto, eu e voce, fazendo plano e roçando pernas
roçando pernas assim num beira mar que talvez nao existe, sem apartamento, sem qualquer coisa a gente produz o nosso calor, pois eu sou seu namorado pois eu te amo pois eu te quero aqui ao meu lado pois eu sou eu
pois voce me tinha dito que de nada valiam as palavras quando confrontadas com atos e eu sou puro ato pra voce sou uma pressa imensa de ser ao teu lado
minha amiga me falou em suspensao estar em suspenso etc e tal mas o que fazer quando o frio vem forte junto com lágrimas assim?
a gente transforma tudo isso e recria assim mais real que aquela cópia imperfeita daquele metro de coraçao apertado das escadas apressadas de tanto tanto amor e da mensagem que voce tinha me oferecido assim papel humilde eu fiquei muito tocado sabia?
e o matadouro da loucura é algo que inventam os outros.... eles que vao escavando inventando moldes a mil...
eu agora sou um monge e estou aqui de longe a espreita de tudo
a gente se vê.
quinta-feira, abril 30, 2009
Amorzinho, notícia boa!
Já te consigo escrever. Sim, já consigo assim sem pudor algum escrever no meu caderno as letrinhas que formam o seu nome. E tá dando certo, olha que tá dando certo. Cada vez que eu te escrevo mais eu consigo a separação e o olvido. É, a senda é árdua. Tem um monte de gente que já falou sobre isso. Muita gente boa escreveu horrores sobre esses asuntos.
É como um paradoxo, tentar o esquecimento lembrando assim a custa de alguns momentos um pouco brabos. Até agora não tenho noção do que se pode prefigurar. Mas é chumbo quente e grosso. Uma figura assim, tão igual ao real que as vezes parece o próprio. Nessas horas mesmo é que tudo parece mais difícil. E que a lembrança dos céus azuis e dos frescores do vento quase deixam tudo a perder. Mas é por poder escrevê-los mesmo que antevejo uma saída pequenininha no fim do tunel. Não gosto da idéia de tudo de novo novo. Ela me machuca pois ainda habita em mim muito de uma espécie de egoísmo. Prefiro tudo velho tão novo. É que é difícil separar essa linha que divide o velho do novo.
Mas o fato é esse. Escandalosamente esse. Já te escrevo no meu caderno. O seu lindo TU tá assim agora esbarrando no meu EU.
Temo agora, ao invés de te escrever, te ler em nenhum olhar, no neutro da folha em branco. E ler, você sabe bem, dá pano para manga até dizer chega.
Beijos imemoriais
teu eu ainda apaixonado
Tu.
segunda-feira, abril 27, 2009
Lamento Argento
Me compra uma garrafa e me venha com calma que amanhã já é setembro
Vamos beber a primavera ainda que faça frio, frio vagabundo, com cara de derrotado e exilado
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Miro o Rio de longe
Desde que conheci o sotaque de Andaluzia
Desprego o português da parede
Con ojos de fría plata
Miro o Rio de longe
Pois assim que olvidei teu coração
Guardei comigo a tua canção
Con ojos de fría plata
Miro o Rio de longe
Amor, cheguei na tua casa e você não estava.
Vi dois pratos sujos na pia e dois copos.
Guardei minhas lágrimas na tua geladeira caso você precisasse delas.
Também lavei os pratos
Mas antes lembrei do teu corpo quase nu fazendo uma omelete e chorei um pouquinho mais no teu pano de prato.
Amor, aonde quer que você esteja saiba que passei pano na sua casa e cheirei seu sofá onde você dormia às vezes.
Não vi você lá.
E sim fui te encontrar num mesmo velho livro com dedicatória obscura do século passado.
Bebi uma cerveja sua e quase sorri pro seu retrato.
Estranhei ouvir uma canção antiga e chorei sem lágrimas uns momentos abandonados perdidos pela casa
Vomitei teu banheiro todo.
Peço desculpas
E já te aviso de antemão
Que antes de atravessar o teu portão
Fiz questão de te vomitar meu coração.
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Eu zombo do tempo e você também
Desde que me decidi ser lacônico eu reescrevi minha carta
O tempo faz alguma coisa
Tudo em você é fulgás.
E eu sentado esperando meu número ser chamado
Imagino tudo isso em outro mundo
Violinos me chegaram atrasados
Sem rosas e folhas mortas
O frio é meu amigo
E é lá que eu vou estar
Num dezembro relaxado posando de bacana na praia do Leblon
Minha sunga segurando vontade de vida com sal
(Na água gelada contendo a ereção)
Falta pouco pra gente nascer
Falta pouco pra você pegar na minha mão.
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Te juro que nada saberia das poesias
Que para mim um dia tu farias
Até porque brilha muito o teu corpo
Acendendo a luz do salão frio e morno
De algum recanto, um rancho da saudade
E eu com a mão no casaco cozinhando levemente os dedos que um dia retocarão a tua doce face.
Como pude ser tão sábio a ponto de regar docemente o outono mais bonitinho que já nasceu e que eu chamei de anti-flor violenta.
Ah, se eu te descobrisse no porto
Esperando-me para uma conversa boa –é que eu tô tão sozinho - te juro que cantaria mesmo sem ritmo um som legal e juntos iríamos encostar a cabeça do sol na margem do rio lindo e sujo e você tantas vezes ator mentiria verdades pequenas me conjugando num tempo pretérito ao pé do ouvido dizendo que o Hotel Marina se acenderá já bem longe num outro mais atlântico e salgado mar.
Ah, se eu te remodelasse o rosto
Semearia nele o mesmo rosto mutante florescendo uma barba relaxada de tantos dias de televisão vadia fantasma embaralhado como a vida de espera, grana, de grana, de grana
Se você não quiser não tem problema, a gente tenta depois pois o sol vai ser o mesmo e se dois amantes se beijaram baixo o mesmo não vai ser a regra que vai fuder com a exceção nessa noite.
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Se a gente lembra só por lembrar (je voulais te chanter cette chanson).
Igual, me pasa o amor que um dia a gente perdeu. La noche va pasar.
(SAUDADE BOA SAUDADE RUIM)
Saudade meu remédio é escrever, saudade meu remédio é me ser
(masturbação existencial)
Я тут. Ты там. Там не тут. Тут не Там. (Baião invocado)
Pega na minha mão. Por favor pega, Моя Рука. Моя Рука.
Ai quem me dera voltar para São Cristóvão. Danser, danser, todos os souvenirs. Souvenirs, souvenirs, souvenirs, caio na lembrança aprisionada
Para beijar você. Si tu as ce mot tu peux dire que ta chanson est:
(Fechar ferida / Estancar sangue / Sepultar longe)
Não se esqueça
Voltarei. Любовь.
Из любви в искусству.
Por amor a você.
L’amour. L’amour, l’amour, l’amour, j’aime myself. Ensalada РОССИА.
Faz, hace tu cariño no violão, hace, hace Dorival Dorival
(Deixo a janela aberta para o ar de Minas entrar na nossa casa sincera)
E eu que só gosto do (L’amour 3X). Assim eu choro.
E desafogo teu beijo num sorriso.
Desprendendo o cirílico do teu sentimento.
Habia dicho que éres mi timpo en tu tiempo.
Tropecei em uma de nossas eternitardes e desatei a fazer tristeza na frente do espelho.
Protesto! Faço valer tudo.
Até as cores que te amarrarão.
(Union de Parejas)
Variaçao Um -
Acender o cigarro - dito em várias línguas com gramática imperfeita.
O sol fumando a janela travestida em noite de fim de inverno
Exterior doce e cálido de frio tolerável
Já os dias começam a alongar-se e o verao a planejar-se (Que fazer?)
El Poeta Dice La Verdad e aproxima-se da mesa e pega a caneta e começa a escrever uma carta:
Lunes, 31 de Agosto de 19...
Yo no pienso más en saber lo que (interrupçao estrangeira) - da outra margem alguém escreve uma cançao:
Si supieras que aún dentro de mi alma
Conservo aquel cariño
que tuve para ti
Variaçao Dois -
Naquele tempo aqueles dois ainda faziam de conta que o inverno durava até outubro. E diziam que havia um tempo em que seus pais lhes diziam convictos de que tudo está piorando
Mas a verdade é que escondiam brasilidade demais debaixo de seus travesseiros e tiveram que esperar um tempo para alguém escrever que nosso tempo é bom
Passo, sobrepasso, passo, passo, sobrepasso, passo, passo, sobrepasso, assim faziam o xaxado que nao conseguiam traduzir para o castelhano.
E do outro lado da margem ao norte alguém compunha uma cançao:
Los amigos ya no vienen
Ni siquiera a visitarme
Nadie quiere consolarme
En mi aflicción.
sonhos
Sonhei que você empesteava a casa com o seu peixe e coentro e o seu disco da Marrom
Sonhei que você descalça assobiava melodias mais belas pra mim
Sonhei que você era a própria galinha preta que a gente matava pra macumba e comia depois chupando ossinho até dizer chega
Sonhei que você tinha dado pra falar bonito e fazer versoso por aí
Poeta sacerdotal, peituda até dizer chega você vinha com cara de sacristã, com cara de padre bicho fêmea pedindo vinho mais vinho
A própria nega maluca batendo na minha porta boladona p. da vida diabinha angelical
Isso tudo eu sonhei
sonhei
sonhei e voce tão longe
Ah, como é amargo o meu penar...
sábado, abril 18, 2009
Brevidade
Dada a ausência de acentuaçao lusa, prossigo
O tempo além de estar passando a mao está também me violando
As folhas sao cúmplices no complô final
Eu uso meias grossas de la
Hiper-Sensibilidade eu podia sentir o meu corpo e eu estava nu dentro da minha roupa
A dengue um dia foi erradicada e depois começou a voltar
amanha é dia do Índio. Ô datazinha fascista essa.
Me resta sim, uma recordaçao boa, de xuxa cantando a música do Índio, perdoai-lhe deus, ela nao sabe o que faz
E eu tinha cocar e arco e flecha e muitas penas
Abril é um mês radical.
Segurança! Segurança! Segurança! Onde é que esse mundo vai parar..........
Faz 7 anos que eu nao vejo a cara de deus. brindei e nao olhei no olho
escondi-me
daí entao penei nesse transe nessa vereda que só eu sabia andar
Ainda nao me saturei dos canonicos. Quando me saturar avisarei em pomposa poesia.
Por onde andam os novos baluartes da cultura niteroiense?
Por favor, empurre a janela usando ambas as maos.
quinta-feira, abril 16, 2009
Sim
eu lembro que nessa época do ano você não vinha mais no meu apartamento com o seu carro para me levar a praia
e a gente, se não estivesse de mal, iria fazer outros planos, ir pra serra talvez ou então alugar uma boa fita para passarmos a tarde.
eu tenho aqui o meu copinho para me ajudar nos recuerdos, nos recuerdos que aqui em terras mexicanas conjugo no mais lindo do castelhano.
eu lembro também que um dia eu bebi muito e comecei a falar besteira. na realidade eu fiquei mas como eu sou na realidade.
a ponte rio-niterói cada dia fica mais cheia de carro, imagina só lá pelo ano 2000 como vai ficar a coisa
eu lembro também e não vendo para ninguém o meu direito de lembrar eu lembro e vou continuar lembrando mesmo no cinza, mesmo no amarelecer das coisas mesmo no tempo ficando ficando sujo eu continuarei lembrando.
eu tenho aqui o meu copinho de vitamina C para lembrar no colo da rotina
Se a gente consegue beber no bar da ladeira, se a gente consegue provar tudo aquilo e controlar a nossa vontade de ir mijar por aí nos lugares mais ignotos. Se a gente consegue beber no bar da ladeira se a gente consegue sustentar um papo no refinamento mais puro se gente consegue tudo isso, por que não? por que não?
Meu telefone está morto, mortinho mortinho mortinho da silva, o meu celular o meu celular tem um silêncio cadavérico um silêncio assustador.
je suis la dalida en appelant au brésil
A partir de agora, momento, poeira do tempo, do dia 16 de abril do ano da nossa graça de 2009, dois mil e nove, promoverei a poesia fluxo de descarga de consciência, o meu tempo está ficando friozin, friozin, friozin, pois bem a poesia fluxo de descarga não tem reserva alguma em se escrever e escrever o backspace com o dedo mindinho da minha mão direita.
e depois de tantas vezes treinar com minhas mãos o prazer solitário eu as uso para escrever uma prosa tão suja quanto o meu ato cotidiano e rotineiro desde que descobri o maravilhoso do prazer aquele mesmo que descreveu oswaldinho quando era um molequinho apertando as perninhas, e sentindo uma cosquinha no baixo ventre, tinha 4 anos o garotinho, esse mesmo prazer, essa mesma sensação é a que se escreve nesses momentos enquanto ouço a dalida cantando a canção parole parole parole, essa primavera aqui em Glasgow é coisa broxante demais ô terra essa para não ter verão, terra essa esquisita demais para um carioca da ultra ultra gema ultra gema só mesmo a Urca.
Só mesmo a Urca comigo ninguém pode, venha quente que eu tenho forças que eu tenho muitas forças para receber o Deus. Para recebê-Lo, pare de onda e coma logo essa porra dessa barata sem onda sua vaca sem essas viadagens, coma essa barata.
Rio, maio de 2010.
Só sei viver se for assim. Tomando banho de outono tentando andar nos trilhos do bonde em cima dos arcos assim a gente corta caminho pois você disse que conhecia uma galera lá de santa que tinha um clima legal onde a gente podia se juntar e fazer um som legal e eu levava uma roupa maneira e já tava naquela fase de começar a te agarrar, de passar minhas mãos nas tuas costas e mostrar pelos meus olhos o meu desejo que já nem nome tem e sim vontade de vida, mais uma, mais uma cervejinha a gente se consome alí mermo, sem frescura.
O samba.
4 tempos.
No candongueiro, lá em Niterói, sim lá em Nikity.
Vamos caminhando pela estrada a fora pois eu ouvi no jornal eu ouvi a estupidez do papa daquela moral tão bonitinha ela, eu ouvi pela estrada a fora que agora estão fazendo coisas piores.
Era tão bom quando Deus estava vivo, era tudo mais fácil.
Agora tudo se quebrou.
Estou aqui no Ribeirão Preto mirando o seu corpo de longe as voltas com as frigideiras levando assim o seu uniforme sem o seu paletó a barba já querendo nascer e a sua fome do tamanho do mundo.
É assim que eu quero o mundo e o destino.
Paz e Bem
segunda-feira, abril 13, 2009
Fado.
É que eu sou destro.
E faço poesia criando personagens assim. Nada desse papo de autobiográfico etc. e tal. Tudo é um nome. Um personagem é só um nome. Minhas emoções são frases.
É que eu sou destro e me sinto fraco hoje.
Tá tudo tão aguado, tudo tão sem sal que eu não sei mais o que dizer. A tristeza quando vem, vem forte e eu fico fraco demais. Queria um nome, um nome, ao meu lado.
mas tenho que resignar-me a tomar as pílulas do DESAPAIXONEX por mais que as contraindicações escrevam o amor no papel
É que eu sou destro e hoje tá fazendo frio estrangeiro
É que eu sou destro e o agosto no rio tá longe
É que eu sou destro e ver de niterói a floresta da tijuca coberta de neblina é a minha felicidade escondida que uso nesses tempos aguados
é que eu sou destro e sou homem de mil palavras, volto atrás, volto pra frente.
recolho todinhas pra tentar te montar uma poesia bonitinha.
É que eu sou destro e meus escrúpulos são muito bem guardados
viva a lua cheia e a menstruação vontade de vida latente
a bater o teclado com ganas
(Niterói, invernos perdidos de mil novescentos e dois mil e dez)
sábado, abril 11, 2009
autoajuda
sexta-feira, abril 10, 2009
Confissão de uma quase-tijucana.
Fazer planos no fim dos mais lindos invernos
Dar uma de perdida no Largo da Carioca
E sentar meu lindo rabo lá perto daquela igreja que perdeu uma de suas torres
Numa dessas guerras aí
E como se não bastasse a minha vocação pra feira
Dei pra sentir desejo por pernas grossas e raspadas
Cheia de verão pra dar vou me resignar na minha neuroyoga bebendo 4 litros de água pela manhã sublimando o meu desejo em passeios de fim de tarde, assistindo de camarote o fim da minha cidade, contando os dias para que se mure tudo, favela, prédio, pessoa, bicho e o escambau.
Não sei não, mas prefiro assim, sozinha sem ninguém olhando
Usando o segredo como consolo
Andando e cagando o meu pudor
Desfilando no Largo do Machado meus seios infalíveis
O tempo vai passar e eu morrerei com muita classe
Como uma tijucana ressentida voltarei a dar pra deus
E não ligarei no dia seguinte.
terça-feira, abril 07, 2009
Balada Gragoatesca
Teu vício pegou o ônibus na rodoviária
E desembrulhou minha cidade inocente
Olhe
A nossa praça em obras
O nosso beijo preso na janela do meu comedimento
Olhe
Teu corpo de manhã com cara de noite
O som da noite grudado no teu corpo junto com o cigarro
Olhe
A minha inocência em aquário já prevendo as poesias
Que te declamaria quando da nossa separação
Que farei questão de enfeitar com coisas que tu não conheces
Manhã. Amor de Manhã vai pra frente
Amor de Noite vai pra trás
A Manhã assexuada é a manhã da caretice
Quero que você me faça café com carambolas
Olhe o nosso beijo desencontrado e vacilante ao ar livre
Olhe a paixão cozinhada que inventei nas tuas mãos.
Toda ela era música que a gente cantava.
E há a canção que diz que o que devemos querer é a perfeição do nosso pretérito
sexta-feira, março 27, 2009
Penúltima Flor del Lácio
Es que, ahora decido hacer justicia para los hispanohablantes que todos somos. Sí, siempre tuve la idea de que nosotros los brasileros compartimos algo de una lengua común.
Cuanto a la poesía, que se yo, no pasa nada. Es lo mismo que uno experimenta al leer cualquier verso de unos de esos parnasianos brasileros. Si puede reír como quiera, algo así, pero el entendimiento se hace.
Estos días de otoño tienen la dulzura perdida que siempre quise de cierta manera. El hecho de que los árboles acá tengan la predisposición otoñal me hace cada vez más predispuesto para seguir los comunicados que están por ahí.
Hay ciertas palabras que nos emborrachan, que nos hacen de cierta manera brujos, o cómplices de algo que poco sabemos. Y en eso pongo ciertas canciones. Para mí, las canciones y sus versos son la prueba exacta de que todo eso es cada vez más verdad. No existe Dios sin musicalidad. Y sí un día tendrías que elegir entre Dios y la música, va por el segundo, porque el primero seguro que es falso.
Pero no quiero ponerme a hablar sobre música, ni Dios, ni patria, ni cosas como eso.
Vos elegís la melodía que querés para estas líneas que acá escribo.
Buenos Aires es una ciudad como otras. O sea, tiene su especificidad. Y acá quizás resida el punto principal, o sea, el punto más importante para su entendimiento. Ser brasilero en Buenos Aires es una especie de retórica, es la asunción, el reconocimiento de la distancia, de cómo estamos cercas y lejos al mismo tiempo. Yo, yo trato de ponerme de acuerdo con estas letras y con esta literatura que ya me enamoré de primera. Quiero así, la belleza de un primer encuentro con una lengua, con sus errores y con sus puntos correctos, quiero, como en el sexo experimentar la ausencia de ropa, la ausencia de significado por primera vez. O sea, quiero la especulación infinita que hago de tu cuerpo antes de que te saque la ropa. Una idea de descubierta de vida, de las especificidades de una lengua, de un cuerpo y de un sexo.
Es por esa razón que me pongo a retardar cada vez más el desnudar de esta ciudad. Que me pongo caminando eternamente por su centro sin sacar de una vez todo lo que ella me quiere mostrar.
Vivo de pajas literarias. Me pongo así. Algo como coito interrumpido, soy un lector onanico y intento cada vez chorrear afuera, en los cuadernos, en los textos que se escriben por ahí.
Estoy como Ana Cristina César, mi compatriota, brasilera, que vivió en Río y en Niterói. Me imagino las barcas de la época, y la manera en que mi barrio crecía en los setentosos edificios del lugar. Así como ella, busco en las palabras la sinceridad del cinismo. Pienso que Ana Cristina César en inglés es otra cosa que en español y otra cosa que en el portugués. Y como ella, busco pintar cuadritos pequeños que vendo a los fines de semana.
Y como ella busco la ansiedad del primer otoño de mi vida, con la certeza de que sí, las hojas van confirmar la profecía de que cada otoño de cada año reserva para mí una vida concentrada, una pasión que parte, que viene del no man is an island. O algo más cercano a eso.
Si el brasil es un acaso, vos sos el acaso más lindo que existe.
Perdón por mi castellano y su falso puritanismo.
Me gusta mismo escuchar tu respiración extranjera
Antes de que el mundo se vaya
Besos políticos en cada mejilla.
quarta-feira, março 18, 2009
que se yo
Rua dos Andradas, geografia mental, lugar de memória depósito clandestino de memória
Rua dos Andradas, mirá esa que se vai até o Largo tao largo de Francisco sao e salvo de pejorativas faltas.
Me hace falta seu cheiro de mijo de mijo de mijo seu sol seu sol de outubro me ilumina me ilumina
La Habana, La Habana, prima distante e solitária, oye, oye, quero estar ao seu lado quando o capitalismo cair de vez
Trucha Película, película Trucha
Rua da Alfandega, andega, andega, pandega, pandega com circunflexo fica melhor
E também andradas, á, á á, adas adas
Vine una vez solo
Rua Buenos Aires eu te pressinto
Te sinto
Te arrasto e te amo
Arroz, feijao, omelete e salada
Feijao, feijao, feijao
Ao, ao, ao, ao, ao,
Bom, bom bom bom, bem legal
Xuxa eu quero pao
Com muito til
Gostosinho, inho, inho, inho
Tapioca no Largo de Sao Francisco
Peladinha, peladinha, peladinha
Pioca, pioca, pioca
Riroca, roca, oca
Opa!
Taca pedranimim
Na lapa
Na ladeira
Do bar
Descendo a esquina
Enfeitadíssima.
Tacapedranimim
Tacapedranimim
Queeuqueronoitedeveraooutonoestouloucoloucoloucoloucolouco
Que se yo, oye,
Yo soy neguinha.
quinta-feira, março 05, 2009
Querido Diário.
Vamos ver Maria Bethânia no meu dvd no meu apartamento. Tem uma parte que você vai gostar e vai se lamentar não ter ido aquele show antológico. A gente sai por aí esfregando a nossa boêmia na nossa cara e lavando o nosso rosto todos os dias, portenhamente pós-moderno, convencendo-nos do humano demasiado humano das nossas vidas, convencendo-nos de que estamos rodeados da barbárie de toda a forma e de que somos a gotinha vanguarda da razão principal do Ocidente.
E depois a gente finge que não vê e lamenta a nossa sorte, lamenta a nossa vida, as nossas letras, a nossa arte, num humor meio Facundo a gente sai por aí divagando num castelhano cosmopolita ao extremo a importância das outras nações advogando para o mundo um papel aterrador e opressor.
Eu não queria dizer isso mas serei forçado a confessar que a Argentina é o país mais apto para o pós-modernismo. Sem juízos e considerações contra ao Isso do pós-modernismo lhes adianto que Borges já tinha deixado de ser moderno lá pelos cantos de 25. Mas como a moda era ser moderno, mas como a moda era ser aquilo, seguimos aquela cartilha.
Eu, particularmente, acho que o pós do modernismo é um detalhezinho ínfimo, mas um detalhezinho nem por menos importante. Por isso considero tudo isso na minha prosa alfabética.
Fui completamente bombardeado, impressionado, invadido por um transe literário, comparável as revelações do Saulo que virou Paulo, quando terminei de ler a Rayuela do Julio Cortázar. Livro que quis ler porque era bonito e todo mundo falava dele mas que no final me leu de uma maneira jamais vista que eu já fechei a última página advogando para meio mundo como ele era importante como ele era lindo como ele era um anti-livro. Adoro falar anti-livro sem saber realmente o que vem a ser um anti-livro.
Mudando de conversa, estou reformando o meu português, estudando-o em laboratório, quero moldar a minha forma de falar, com procelas, arrolos, e tudo isso, jogando muito agrotóxico na minha última flor do Lácio, mudando a sua cor, cortando seus espinhos, polindo tudo muito bonitinho. Volveré y seré millones, é isso mesmo o que está gravado no túmulo da Evita naquele cemitério da Recoleta. Impressionante como que no verão aquele lugar se assemelha ao São João Batista. Isso disse um amigo meu e eu a contragosto tive que acatar. Todo aquele romantismo estrangeiro do meu hábito flâneur por aquele cemitério foi por água a baixo com a chegada de dezembro e o seu calor retinto tanto que eu abandonei aquele lugar e deixei para o outono.
Eu não tenho ideia do que se está passando neste momento nos subúrbios de Helsinque.
Pela primeira vez ouvi com atenção a canção Menino do Rio do Caetano. E é linda mesmo. Nem pontinha de saudade do Rio. E sim uma pré-saudade de uma certeza que a minha cidade está uma panela de pressão. E esses tempos, tão inestáveis, tão caretas, tão obscuros, não sei qual tempero, qual sabor vão dar as cabeças da Maré à Cinelândia.
Preciso saber mais sobre a geração Payssandu.
Preciso saber qual é o funk da moda.
"O João, a Maria, construção usada mais frequentemente na região sul e também na cidade do Rio de Janeiro, em oposição a João, Maria, típico da região Norte e Nordeste e, por estranho que possa parecer, de Niterói, apenas do outro lado da ponte, dentro do próprio falar fluminense."
Ao ler isso fiquei surpreendido. Era a primeira vez que vi esse mistério escrito, tratado por outrem em um livro. Fiquei extasiado e fiquei com vontade de saber o porquê. Niterói é um grande enigma para mim também. Niterói é um tema vasto. Confesso que odeio o nacionalismo niteroiense. Pois ele existe. Não o orgulho bairrista adolescente que chega a ser bonitinho quando em forma de piada. Mas sim um bairrismo que chega a ser um nacionalismo. Uma espécie de MV-Niterói, cheio de baluartes da cultura niteroiense. Eu tenho os nomes. Tenho todos aqui comigo e posso dar também um foco de irradiação que há tempos está em decadência. A ponte mudou muita coisa. Tinha que fazer um estudo de história oral sobre isso. Mas isso não tem importância alguma. Cito nomes, livrarias, pontos de encontros, revistas literárias e a afamada academia niteroiense de letras. A qual fui negado e rebaixado e expulso. Na pólis Niteroiense, naquela sujeira positivista adornada por fezes e urinas do nosso povo, vemos a câmara dos vereadores, a biblioteca tantas vezes abandonada e enrabada pelos mais distintos setores. É só ir lá ver os retratos e surpreender-se com tudo aquilo. Fiquei sabendo que ela está fechada para reformas.
O que será do nacinoalismo niteroiense em tempos de século XXI e em tempos de crise?
Perguntas, meu filho, perguntas....
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Alcione
Paro para pensar na figura de Alcione e como ela atingiu outras proporçoes para mim em terras portenhas. Acompanhando a sua carreira desde o maravilhoso disco de 1977 até os dias atuais, vemos a imposição de uma grande voz da música popular.
Mais interessante ainda é notar as nuances da voz da Alcione. De uma doçura cândida dos 70 até um tom mais grave e ar poderoso característico da Marrom nos dias atuais.
Pensamos no envelhecer, na grandiozidade dos anos que se impõe a cada um. E mais fascinante ainda é procurar a ternura e a beleza de menina em tão grave voz.
A canção “telegrama” de Alcione é paradigmática para mim devido ao seu sucesso e a sua recepção positiva pelas mais variadas camadas da sociedade.
É por essas e por outras que eu considero Alcione como uma das grandes figuras da Música Popular Brasileira.
Também reservo para ela o lugar de Diva-mor da nossa música. Pelo conjunto da obra, sua voz, suas unhas, suas roupas e sua brasilidade incessante.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Chronicargenta - Saudades do Bairro de Fátima.
Assim, mais ou menos assim, subsidiado por alguns cds gravados da famosa Sylvinha eu fui fazendo promessa e pouco a pouco escalando a gravidade e o tom formal desse verao. Fui fazendo, fui adiantando tudo, varrendo chao, conversando de conversa em conversa de bar em bar desenhando na minha mente o que eu queria mesmo. E o que eu queria mesmo era ter todos os barzinhos ao meu lado, numa mandiga gostosa.
Vivo de regar idealizaçoes no parapeito do meu apartamento. Todo dia acordo lá pelas oito da manha e de baixo do sol já compreensivo de final de fevereiro me espreguiço dizendo bom dia dia. Bom dia linda cidade prometes que vais me tratar bem? E vou saindo assim meio mulher pela rua com um sorriso ostentado, um sorriso sustentado por melodias, um sorriso meio explodindo.
As árvores, como explicá-las, sem sê-las? Como explicá-las?
(Mas chega de saudade, chega de saudade, chegada da saudade)
Maria saiu de casa mais cedo aquele dia. As ruas de Santa Teresa no mês de novembro já amanhecem pegando fogo. Maria completou 45 anos de vida.
Estou terminando meu estágio de certa forma. A partir de agora o mergulho é real. Mas para ser franco e sincero eu temo um pouco o estágio e todo o aprendizado e a organicidade da parada. É que quando eu parti eu tinha escrito a letra de uma música inteirinha na folha, fui escrevendo assim com uma fúria tao compreensiva e no final desenhava cantando cada verso daquela cançao do Belchior.
Mas amor, se eu tivesse agora a faculdade máxima de estar ao teu lado compartilharia contigo a seguinte sentença:
Maria sente falta de uma pessoa.
ADJETIVO ETERNO “PESSOA”.
É que pintou uma pessoa assim de repente assim como quem nao quer nada.
Maria escorregou nos azulejos do Selarom. E falou praquele argentino já carioca que ele tem que tomar cuidado com aquelas tintas.
(Ah, o ser carioca, acordas cedo e na manha de fim de primavera já respiras a urina acumulada das ruas e vais, vais caminhando pela tua Lapa idealizada. No Largo de Sao Francisco a gente sente no fundo o que eu quero dizer. Lá pertinho do Real Gabinete Portugues de leitura o Camoes caolho franze o cenho para tanto mijo tanto mijo tanto mijo. Mijo sagrado.)
CARNAVAL: CHUVA, SUOR, CERVEJA E URINA.
- A gente tem uma boa parte desse século para a gente viver. E enquanto houver sol eu te provarei da verdade daquilo tudo. Acho que meus braços estao abertos para voce, acho que o jeito é ir tocando, ir tocando bem lá pela frente eu vou te fazer uma cançao e peço ao menos que venha ao meu lado para escutá-la pois vai ser muto bonita.
As vezes bate uma onda, um treco estranho, um clique qualquer que eu tenho vontade de sair fazendo a hermenêutica do frio do meu estômago e do meu nervosismo depois de tanto banho de água fria.
Mas aquilo é lindo demais. Lindo, lindo, como voce pode achar que nao é lindo.
Ouça Smokey Robinson and the Miracles cantando a cançao Ooo Baby Baby e voce me entenderá. E voce me entenderá.
Por favor. Assim eu quero que voce faça. As manhas daqui tem me lembrado de uma maneira incrível as manhas do outono do Rio. E isso nao é bom. Já avisei ao Carlos que o outono aqui começa na hora certa, nao tem aquele atraso que até pode tornar as coisas mais gostosas que o Rio tem.
Mas eu estou tao saudosista. Um dia desses topei com o segundo cd da Gal de 1969. Joao me disse que ele é uma pérola bem trabalhada. E a badalaçao em cima dele ainda está por vir. Mas é que... é que tudo aquilo me bateu de uma maneira tao violenta que já na quinta faixa eu tentava uma desculpa para um stop.
(A felicidade, a felicidade, a felicidade)
Minha amiga queria conhecer a capital do meu país e eu disse que sim, claro, por suposto, por que nao, ela ia gostar daquilo tudo e eu contei para ela da vez em que estive por lá faz já bastante tempo mas chovia muito chovia tanto no caminho que a Capital se mostrou novinha em folha para mim e toda a irrealidade dos meus catorze anos se desvelou naquela poesia daquele lugar que eu nao entendi nada nadinha. Em meu deslumbramento ficaram aqueles condomínios de classe média e aquelas áreas de recreaçao gigantesca.
Assim, mais ou menos dessa forma.