sábado, maio 16, 2009

relato.

querido

não tenho muito assim pra te dizer nem pra te contar mas tenho um tantão assim pra te escrever nem que isso valha já por dizer já por contar. É que hoje fez outono assim de grande e talvez um pouco doído. Voce me tinha dito sobre aquilo de tristeza alegre, do triste e bonito, ou uma coisa assim. Pois é, foi assim justamente hoje. E bote lá um pouquinho de música, bote lá a sinceridade exageradamente sincera e vais ver o que eu estou a te escrever.
Tenho andado com alguns portugueses, gentes finíssimas, que as vezes me fazem escrever e falar assim, da forma em que eles falam.
Eu, que sou um legítimo menino do Rio, nascido e criado nas ruas de Maria da Graça, sim, sendo eu brasileiro do Rio esse papo de frio o dia inteiro com sol não me convence muito não. Ainda mais aquele negocinho de folha caindo no chão, e vento vento cortando. Tudo parece filme irreal, tudo parece momento congelado. Pois enquanto assistia a um espetáculo de música dei pra pensar nisso. Como tudo isso se pode fazer escrita e música.
Dei pra lembrar de ti por mais que não possa por mais que não queira. Mas lembrei e lembrei assim naturalmente e inocentemente. Sabe por quê? As vezes tenho receio de dizer é como se perdesse a graça de tudo isso. Mas só porque de onde eu escrevo agora vem uma bossinha eu me atreverei a te contar a frase que uma amiga das Franças me escreveu um dia. Dizia ela, "rever toute la vie" que quer dizer na nossa língua sonhar toda a vida. (a música que escuto é água de beber...) pois então, ela me disse essa frase e pouco sabia ela o peso que tal frase teria para os meus futuros momentos e para esse presente de hoje.
Mas tava assim de triste o dia e a melancolia me percorria o corpo, melancolia daquelas que de tão grande dão espaço para uma certa alegria meio rala meio desanimada. É nesses momentos que eu fico assim com vontade de fotografar tudo pelos olhos e com a caneta que não tinha na mão.
Dei pra te discorrer aqui adoidado. Já tenho o meu discurso assim bem desenvolvido e contar para uma amiga ou um amigo num ambiente de mais intimidade para mim é bastante sadio, me deixa assim de feliz, me faz sentir um pouco eu. Mas te roço tanto com a língua que tenho medo assim de te folclorizar e de te transformar num mito daqueles. Por isso te ligo, te ligo e procuro assim te perguntar e te conversar todas as mais lindas banalidades.
É o outono chegou. E eu, que te escrevo de terras argentas, não tenho muito pra te dizer. A maioria das árvores já perderam as folhas... Isso foi um espetáculo lá para abril, que foi lindo pra cacete. Quis tirar foto mas não podia.
Tenho ouvido vários discos.
Conhecido pouca gente.
E tenho lido as mais descompromissadas literaturas. A última que eu li dizia de uma garotinha pulando assim com o seu casaquinho de inverno a pracinha do lado da minha casa. Era tanta leveza que quase dei pra chorar.
Tive um sonho, muito lindo. O sonho tinha como cenário a língua portuguesa e as palavras eram imagens assim de grandes.
Pobre da escrita, essa que torna tudo onírico e embaçado.
Agora ouço o Jair cantando aquela música de lata d'água na cabeça, lá vai Maria. Ai... essa minha dor que nem de verdade nem pessoana nem de henrique é.

A gente se fala.
Saudades grandes.
Beijos.

sexta-feira, maio 08, 2009

Pertinho da Santa Cecília

Escrever!?!?! Eu não. Meu negócio é sair fazendo negação pra depois sair catando o que sobrou.
Meu negócio é sair fazendo idealização pra depois ir esquecendo quem eu sou.

Eu sou uma mulher sincera. E razão me é jóia rara que tenho assim as pampas.

E, como fina dama que sou, saio desfilando assim no sapatinho minha fineza, armando armadilhas para os olhares desprevenidos lá pertinho da Santa Cecília.

Lá pertinho da Santa Cecília chegando já embaixo daquelas grandes palmeiras perto da Igreja que perdeu a torre eu me humanizo, me escondo e me travisto num olharzinho de um rapaz que intercala uma boa conversa com mijadas sorrateiras e inconvenientes.

É assim que eu reavivo as chamas e faço das cinzas a minha memória de você acariciando a branquinha que tinhas na mesa, assim tão você, apaixonadamente você, seu olhar me tragando e eu explodindo de desejo e de amor

De amor, sim! Mais que universal, aquele que me faz costurar essa cidade e amar cada paralelepìpedo dela.
E também matizar a minha fala um pouco monótona e o meu esnobismo inconsequente.

Perdoai texto ele não sabe o que faz. E eu quero fazer cosquinha assim na leitura dos teus olhos e R-E-G-O-Z-I-J-A-R-M-E com a sua pupila se mexendo e teu olho piscando como se mirasse a mim, esse é o meu troféu, como se mirasse a mim, assim com a nudez ao lado do teu eterno abajour lilás

Por onde anda aquele abajour?

A gente tem que marcar outro dia pra inaugurar outra Gomorrazinha assim, só não se esqueça de trazer culpa e pecado que assim é muito mais gostoso, imagine só, você sabe que a gente se acaba na autoflagelação e não tem coisa mais deliciosa que isso, quanto maior o prazer mais saborosa a culpa, um aumentando a outra.

Aí está o lance, temos que inventar a culpa, ou melhor, ressuscitá-la, pois o tio barbudo disse que a gente passou pra época da farsa e eu acho que não, eu acho que a culpa que eu ressuscito é sincera, sincera demais e não é farsa alguma.

É o contrário de uma serpente comendo o próprio rabo. Pense nisso. Comer o próprio rabo assim como que ao invés de sumir, o sujeito fosse aparecendo mais e mais.

Olhai a dialética, caro amigo.

Pois hoje eu estou cansado de chorar nas barcas que rumam para aquele triste negro trópico do cais e do lamento choroso barcas s a.

Pois hoje estou assim, olhando o movimento das barcas, num feminino muito mais belo, sem lágrima alguma pra chorar madalenamente não arrependida pelo que fiz.

Já chorei dez baías de Guanabara hoje e nenhuma, nenhuminha delas é de crocodilo.
É de mim, de mim mesma.

E não tenho dito, pois se dito tivesse eu não seria eu aqui se escrevendo
Assim mais ou menos assim.

domingo, maio 03, 2009

de ahí que proviene quizas la idea de una escrita ya escrita hace mucho tiempo
de ahí que proviene quizas los mismos gritos de un castellano muchas veces violentados por otra lengua
que abajo de todo hace gritar otros gritos que por ahí están

En el subte había un hombre que estaba huyendo con el corazon en la mano. Todo se llenaba de una ternura tan grande y de un amor que tenía el tamaño del mundo.

El tipo bajó las escaleras minutos antes, apurado, apuradísimo, huyendo también por tanto amor.

Recuerdos son recueros y nada más. Pero nunca más voy a conjugarlos de esta forma.

Tenés todavía en tu cama lo que un día encontraste?

Yo estoy allá.

En la salida, siempre en la salida, estaré mejillas así de rojas, calientes y todo eso, con unas ganas así de grandes de querer estar a tu lado o al menos saber novedades tuyas.

El Roberto está a mi lado en su como vai voce eu preciso saber da sua vida y yo seguiré mi camino así así de grande esperandote así encontrarte porque te quiero cocinar algo que todavía no conocés.

Nos vemos, che,
besoso!

sábado, maio 02, 2009

fragment

Pudera eu fotografar cada canto, cada praça cada tristeza cada árvore que de pouquinho a pouquinho vai tirando a roupa assim num ritmo cadenciado.

Mas é que dói muito esse primeiro outono que dá vontade de sair correndo correndo correndo até outro lugar ou entao dividir, ou entao a gente abrir na mesa o mapa desse outono e comer junto, eu e voce, fazendo plano e roçando pernas

roçando pernas assim num beira mar que talvez nao existe, sem apartamento, sem qualquer coisa a gente produz o nosso calor, pois eu sou seu namorado pois eu te amo pois eu te quero aqui ao meu lado pois eu sou eu

pois voce me tinha dito que de nada valiam as palavras quando confrontadas com atos e eu sou puro ato pra voce sou uma pressa imensa de ser ao teu lado

minha amiga me falou em suspensao estar em suspenso etc e tal mas o que fazer quando o frio vem forte junto com lágrimas assim?

a gente transforma tudo isso e recria assim mais real que aquela cópia imperfeita daquele metro de coraçao apertado das escadas apressadas de tanto tanto amor e da mensagem que voce tinha me oferecido assim papel humilde eu fiquei muito tocado sabia?

e o matadouro da loucura é algo que inventam os outros.... eles que vao escavando inventando moldes a mil...

eu agora sou um monge e estou aqui de longe a espreita de tudo

a gente se vê.

quinta-feira, abril 30, 2009

Amorzinho, notícia boa!

Amorzinho, notícia boa!

Já te consigo escrever. Sim, já consigo assim sem pudor algum escrever no meu caderno as letrinhas que formam o seu nome. E tá dando certo, olha que tá dando certo. Cada vez que eu te escrevo mais eu consigo a separação e o olvido. É, a senda é árdua. Tem um monte de gente que já falou sobre isso. Muita gente boa escreveu horrores sobre esses asuntos.
É como um paradoxo, tentar o esquecimento lembrando assim a custa de alguns momentos um pouco brabos. Até agora não tenho noção do que se pode prefigurar. Mas é chumbo quente e grosso. Uma figura assim, tão igual ao real que as vezes parece o próprio. Nessas horas mesmo é que tudo parece mais difícil. E que a lembrança dos céus azuis e dos frescores do vento quase deixam tudo a perder. Mas é por poder escrevê-los mesmo que antevejo uma saída pequenininha no fim do tunel. Não gosto da idéia de tudo de novo novo. Ela me machuca pois ainda habita em mim muito de uma espécie de egoísmo. Prefiro tudo velho tão novo. É que é difícil separar essa linha que divide o velho do novo.
Mas o fato é esse. Escandalosamente esse. Já te escrevo no meu caderno. O seu lindo TU tá assim agora esbarrando no meu EU.
Temo agora, ao invés de te escrever, te ler em nenhum olhar, no neutro da folha em branco. E ler, você sabe bem, dá pano para manga até dizer chega.
Beijos imemoriais
teu eu ainda apaixonado

Tu.

segunda-feira, abril 27, 2009

Lamento Argento

Olha a rave que se instalou no meu quarto
Me compra uma garrafa e me venha com calma que amanhã já é setembro
Vamos beber a primavera ainda que faça frio, frio vagabundo, com cara de derrotado e exilado

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Con ojos de fría plata
Miro o Rio de longe

Desde que conheci o sotaque de Andaluzia
Desprego o português da parede

Con ojos de fría plata
Miro o Rio de longe

Pois assim que olvidei teu coração
Guardei comigo a tua canção

Con ojos de fría plata
Miro o Rio de longe
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Roteiro Poético de Película
Diegese importada
Interior de apartamento sincero
Nao mais que quatro andares:

Amor, não te encontro desolado nem ao menos perdido nem ao menos solitário.
Amor, cheguei na tua casa e você não estava.
Vi dois pratos sujos na pia e dois copos.
Guardei minhas lágrimas na tua geladeira caso você precisasse delas.
Também lavei os pratos
Mas antes lembrei do teu corpo quase nu fazendo uma omelete e chorei um pouquinho mais no teu pano de prato.

Amor, aonde quer que você esteja saiba que passei pano na sua casa e cheirei seu sofá onde você dormia às vezes.
Não vi você lá.
E sim fui te encontrar num mesmo velho livro com dedicatória obscura do século passado.
Bebi uma cerveja sua e quase sorri pro seu retrato.
Estranhei ouvir uma canção antiga e chorei sem lágrimas uns momentos abandonados perdidos pela casa
Vomitei teu banheiro todo.
Peço desculpas
E já te aviso de antemão
Que antes de atravessar o teu portão
Fiz questão de te vomitar meu coração.


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Eu zombo do tempo e você também
Desde que me decidi ser lacônico eu reescrevi minha carta
O tempo faz alguma coisa
Tudo em você é fulgás.
E eu sentado esperando meu número ser chamado
Imagino tudo isso em outro mundo
Violinos me chegaram atrasados
Sem rosas e folhas mortas

O frio é meu amigo
E é lá que eu vou estar
Num dezembro relaxado posando de bacana na praia do Leblon
Minha sunga segurando vontade de vida com sal
(Na água gelada contendo a ereção)

Falta pouco pra gente nascer
Falta pouco pra você pegar na minha mão.

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A Gertrude
Hoje eu fui lá para fora
E vi o quanto Janeiro está distante
Me deu vontade de vomitar
De ficar sem camisas
Mas não consegui
O que estou fazendo aqui meu Deus?
(J.C. Julho de 2006)

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Ah, se eu te adivinhasse portenho
Te juro que nada saberia das poesias
Que para mim um dia tu farias

Até porque brilha muito o teu corpo
Acendendo a luz do salão frio e morno
De algum recanto, um rancho da saudade

E eu com a mão no casaco cozinhando levemente os dedos que um dia retocarão a tua doce face.
Como pude ser tão sábio a ponto de regar docemente o outono mais bonitinho que já nasceu e que eu chamei de anti-flor violenta.

Ah, se eu te descobrisse no porto
Esperando-me para uma conversa boa –é que eu tô tão sozinho - te juro que cantaria mesmo sem ritmo um som legal e juntos iríamos encostar a cabeça do sol na margem do rio lindo e sujo e você tantas vezes ator mentiria verdades pequenas me conjugando num tempo pretérito ao pé do ouvido dizendo que o Hotel Marina se acenderá já bem longe num outro mais atlântico e salgado mar.

Ah, se eu te remodelasse o rosto
Semearia nele o mesmo rosto mutante florescendo uma barba relaxada de tantos dias de televisão vadia fantasma embaralhado como a vida de espera, grana, de grana, de grana
Se você não quiser não tem problema, a gente tenta depois pois o sol vai ser o mesmo e se dois amantes se beijaram baixo o mesmo não vai ser a regra que vai fuder com a exceção nessa noite.

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Si tu veux on peut faire ça. Mais si tu ne veux pás c’est mon clichê que j’ai acheté no te olvides s’il vous plaît que je vais dire que la nuit va se fermer en tu sonrisa.
Se a gente lembra só por lembrar (je voulais te chanter cette chanson).
Igual, me pasa o amor que um dia a gente perdeu. La noche va pasar.
(SAUDADE BOA SAUDADE RUIM)
Saudade meu remédio é escrever, saudade meu remédio é me ser
(masturbação existencial)
Я тут. Ты там. Там не тут. Тут не Там. (Baião invocado)
Pega na minha mão. Por favor pega, Моя Рука. Моя Рука.
Ai quem me dera voltar para São Cristóvão. Danser, danser, todos os souvenirs. Souvenirs, souvenirs, souvenirs, caio na lembrança aprisionada
Para beijar você. Si tu as ce mot tu peux dire que ta chanson est:

(Fechar ferida / Estancar sangue / Sepultar longe)
Não se esqueça
Voltarei. Любовь.
Из любви в искусству.
Por amor a você.

L’amour. L’amour, l’amour, l’amour, j’aime myself. Ensalada РОССИА.
Faz, hace tu cariño no violão, hace, hace Dorival Dorival
(Deixo a janela aberta para o ar de Minas entrar na nossa casa sincera)
E eu que só gosto do (L’amour 3X). Assim eu choro.

E desafogo teu beijo num sorriso.

Desprendendo o cirílico do teu sentimento.

Habia dicho que éres mi timpo en tu tiempo.

Tropecei em uma de nossas eternitardes e desatei a fazer tristeza na frente do espelho.
Protesto! Faço valer tudo.
Até as cores que te amarrarão.

(Union de Parejas)
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Película Mendocina feita com ajuda dos brasileiros da Calle Florida:
Diretor, Roteirista e Ator: Matias D. Allegrano de la B.

Variaçao Um -

Acender o cigarro - dito em várias línguas com gramática imperfeita.

O sol fumando a janela travestida em noite de fim de inverno

Exterior doce e cálido de frio tolerável

Já os dias começam a alongar-se e o verao a planejar-se (Que fazer?)

El Poeta Dice La Verdad e aproxima-se da mesa e pega a caneta e começa a escrever uma carta:


Lunes, 31 de Agosto de 19...


Yo no pienso más en saber lo que (interrupçao estrangeira) - da outra margem alguém escreve uma cançao:

Si supieras que aún dentro de mi alma

Conservo aquel cariño

que tuve para ti


Variaçao Dois -


Naquele tempo aqueles dois ainda faziam de conta que o inverno durava até outubro. E diziam que havia um tempo em que seus pais lhes diziam convictos de que tudo está piorando


Mas a verdade é que escondiam brasilidade demais debaixo de seus travesseiros e tiveram que esperar um tempo para alguém escrever que nosso tempo é bom


Passo, sobrepasso, passo, passo, sobrepasso, passo, passo, sobrepasso, assim faziam o xaxado que nao conseguiam traduzir para o castelhano.


E do outro lado da margem ao norte alguém compunha uma cançao:

Los amigos ya no vienen

Ni siquiera a visitarme

Nadie quiere consolarme

En mi aflicción.




(Interrupción Temporaria en Memoria de los olvidados)

sonhos

Sonhei com o leite condensado jorrando assim como na vida real o desejo se faz, sonhei com litros e litros de condensado leite docemente cortando caudalosamente a nossa cozinha

Sonhei que você empesteava a casa com o seu peixe e coentro e o seu disco da Marrom

Sonhei que você descalça assobiava melodias mais belas pra mim

Sonhei que você era a própria galinha preta que a gente matava pra macumba e comia depois chupando ossinho até dizer chega

Sonhei que você tinha dado pra falar bonito e fazer versoso por aí

Poeta sacerdotal, peituda até dizer chega você vinha com cara de sacristã, com cara de padre bicho fêmea pedindo vinho mais vinho

A própria nega maluca batendo na minha porta boladona p. da vida diabinha angelical

Isso tudo eu sonhei
sonhei
sonhei e voce tão longe

Ah, como é amargo o meu penar...

sábado, abril 18, 2009

Brevidade

Sentenças breves e curtas e impactantes

Dada a ausência de acentuaçao lusa, prossigo

O tempo além de estar passando a mao está também me violando
As folhas sao cúmplices no complô final

Eu uso meias grossas de la

Hiper-Sensibilidade eu podia sentir o meu corpo e eu estava nu dentro da minha roupa

A dengue um dia foi erradicada e depois começou a voltar

amanha é dia do Índio. Ô datazinha fascista essa.
Me resta sim, uma recordaçao boa, de xuxa cantando a música do Índio, perdoai-lhe deus, ela nao sabe o que faz
E eu tinha cocar e arco e flecha e muitas penas

Abril é um mês radical.

Segurança! Segurança! Segurança! Onde é que esse mundo vai parar..........

Faz 7 anos que eu nao vejo a cara de deus. brindei e nao olhei no olho
escondi-me
daí entao penei nesse transe nessa vereda que só eu sabia andar

Ainda nao me saturei dos canonicos. Quando me saturar avisarei em pomposa poesia.

Por onde andam os novos baluartes da cultura niteroiense?

Por favor, empurre a janela usando ambas as maos.

quinta-feira, abril 16, 2009

Sim

eu tenho aqui o meu copinho do meu lado para que me ajude a prosseguir nessa viagem


eu lembro que nessa época do ano você não vinha mais no meu apartamento com o seu carro para me levar a praia
e a gente, se não estivesse de mal, iria fazer outros planos, ir pra serra talvez ou então alugar uma boa fita para passarmos a tarde.

eu tenho aqui o meu copinho para me ajudar nos recuerdos, nos recuerdos que aqui em terras mexicanas conjugo no mais lindo do castelhano.

eu lembro também que um dia eu bebi muito e comecei a falar besteira. na realidade eu fiquei mas como eu sou na realidade.
a ponte rio-niterói cada dia fica mais cheia de carro, imagina só lá pelo ano 2000 como vai ficar a coisa

eu lembro também e não vendo para ninguém o meu direito de lembrar eu lembro e vou continuar lembrando mesmo no cinza, mesmo no amarelecer das coisas mesmo no tempo ficando ficando sujo eu continuarei lembrando.

eu tenho aqui o meu copinho de vitamina C para lembrar no colo da rotina

Se a gente consegue beber no bar da ladeira, se a gente consegue provar tudo aquilo e controlar a nossa vontade de ir mijar por aí nos lugares mais ignotos. Se a gente consegue beber no bar da ladeira se a gente consegue sustentar um papo no refinamento mais puro se gente consegue tudo isso, por que não? por que não?

Meu telefone está morto, mortinho mortinho mortinho da silva, o meu celular o meu celular tem um silêncio cadavérico um silêncio assustador.

je suis la dalida en appelant au brésil

A partir de agora, momento, poeira do tempo, do dia 16 de abril do ano da nossa graça de 2009, dois mil e nove, promoverei a poesia fluxo de descarga de consciência, o meu tempo está ficando friozin, friozin, friozin, pois bem a poesia fluxo de descarga não tem reserva alguma em se escrever e escrever o backspace com o dedo mindinho da minha mão direita.

e depois de tantas vezes treinar com minhas mãos o prazer solitário eu as uso para escrever uma prosa tão suja quanto o meu ato cotidiano e rotineiro desde que descobri o maravilhoso do prazer aquele mesmo que descreveu oswaldinho quando era um molequinho apertando as perninhas, e sentindo uma cosquinha no baixo ventre, tinha 4 anos o garotinho, esse mesmo prazer, essa mesma sensação é a que se escreve nesses momentos enquanto ouço a dalida cantando a canção parole parole parole, essa primavera aqui em Glasgow é coisa broxante demais ô terra essa para não ter verão, terra essa esquisita demais para um carioca da ultra ultra gema ultra gema só mesmo a Urca.

Só mesmo a Urca comigo ninguém pode, venha quente que eu tenho forças que eu tenho muitas forças para receber o Deus. Para recebê-Lo, pare de onda e coma logo essa porra dessa barata sem onda sua vaca sem essas viadagens, coma essa barata.

Rio, maio de 2010.

Só sei viver se for assim. Tomando banho de outono tentando andar nos trilhos do bonde em cima dos arcos assim a gente corta caminho pois você disse que conhecia uma galera lá de santa que tinha um clima legal onde a gente podia se juntar e fazer um som legal e eu levava uma roupa maneira e já tava naquela fase de começar a te agarrar, de passar minhas mãos nas tuas costas e mostrar pelos meus olhos o meu desejo que já nem nome tem e sim vontade de vida, mais uma, mais uma cervejinha a gente se consome alí mermo, sem frescura.

O samba.

4 tempos.
No candongueiro, lá em Niterói, sim lá em Nikity.

Vamos caminhando pela estrada a fora pois eu ouvi no jornal eu ouvi a estupidez do papa daquela moral tão bonitinha ela, eu ouvi pela estrada a fora que agora estão fazendo coisas piores.
Era tão bom quando Deus estava vivo, era tudo mais fácil.

Agora tudo se quebrou.

Estou aqui no Ribeirão Preto mirando o seu corpo de longe as voltas com as frigideiras levando assim o seu uniforme sem o seu paletó a barba já querendo nascer e a sua fome do tamanho do mundo.

É assim que eu quero o mundo e o destino.

Paz e Bem

segunda-feira, abril 13, 2009

Fado.

É que eu sou destro.

E faço poesia criando personagens assim. Nada desse papo de autobiográfico etc. e tal. Tudo é um nome. Um personagem é só um nome. Minhas emoções são frases.

É que eu sou destro e me sinto fraco hoje.

Tá tudo tão aguado, tudo tão sem sal que eu não sei mais o que dizer. A tristeza quando vem, vem forte e eu fico fraco demais. Queria um nome, um nome, ao meu lado.

mas tenho que resignar-me a tomar as pílulas do DESAPAIXONEX por mais que as contraindicações escrevam o amor no papel

É que eu sou destro e hoje tá fazendo frio estrangeiro

É que eu sou destro e o agosto no rio tá longe

É que eu sou destro e ver de niterói a floresta da tijuca coberta de neblina é a minha felicidade escondida que uso nesses tempos aguados

é que eu sou destro e sou homem de mil palavras, volto atrás, volto pra frente.

recolho todinhas pra tentar te montar uma poesia bonitinha.

É que eu sou destro e meus escrúpulos são muito bem guardados

viva a lua cheia e a menstruação vontade de vida latente

a bater o teclado com ganas

(Niterói, invernos perdidos de mil novescentos e dois mil e dez)

sábado, abril 11, 2009

autoajuda

to fazendo essa escrita to dando cara para ela de uma maneira muito apressada assim é que tá batendo tao forte tao forte o coraçao que eu nao consigo parar de digitar no teclado do computador. Já sabemos da ausencia dos tils e do circunflexo isso é fato dado e consumido, pois bem o que eu gostaria de dizer é que entendi somente agora depois, depois de muito tempo, a cabeça da gente é muito lerda pra muitas coisas, entendi somente agora um algo tao assustador que foi tao doido e tao forte que me tirou o chao me tirou o tempo me tirou o tudo e me deixou assim a meia quadra frente ao que nao se entende de jeito nenhum. Tudo isso por causa da Bethania cantando aquela música da Ana Carolina pra rua me levar, essa música mesmo, e foi num repente, assim de súbito que foi que foi e foi tanto que nao tinha jeito de ir mais e doeu muito doeu muito entender a letra e se sentir comungado daquilo que a música canta talvez seja sempre assim a música a gente ouve e se sente comungado se identifica e se machuca e fica feliz e poe tudo pra fora mas comigo funcionou diferente pois nao há muitas maneiras para se botar para fora o que eu quero botar o que eu quero botar para fora é mais que uma escrita esquisofrenica é mais que poemas que nao passam do caderninho o que eu quero botar pra fora é a imagem dum verso que nao vai se escrever mas que diz aquilo mesmo que eu ainda nao sei olhar o rio por onde a vida passa e isso me dói saber isso me dói saber eu já nao sei o que faço pois me dói entender a letra com um tempo de atraso enchendo de se, se, se, se, if, if if, si, si si. O perigo está no se, estou me sentindo tao perdido por várias coisas me sinto desorientado, nao sei o que escrever nao sei o que falar nao sei o que dizer. Sei que ser consiste em seguir a linha reta e ir se dependurando nas mais lindas das auto ajudas nas mais lindas de elas, todo mundo tem um moço bonito, um desapaioxonex para passar para estancar a hemorragia, hemorragia que consiste em ir lembrando lembrando lembrando mas o lance do let it bleed nao funciona nao, funciona nao rapaz, o lance mesmo eu nao sei qual é o lance mesmo tem nome de desespero tem vontade de ligar de falar de presentear um como vai voce assim já arrependido já vomitado que já foi. Essa escrita é assim, caudalosa e vai achando direçao vai achando a direçao do rio da vida, das coisas que estao por aí e eu consigo me lembrar da vida, consigo me lembrar do seu nome, consigo me lembrar de muitas coisas, nao é temor nem prosa que dá premio, nem autoajuda que se faz tímida, é vontade louca de simplesmente da outra margem te acenar e ver o seu tchau de longe, assim como se a gente comungasse de longe também de tal música ou nao, pois se nao pouca coisa sobraria no final de tudo e o sem sentido imperaria reinaria assim sem mais nem menos. Tenho eu o medo maior de folcorizar-te na mais enfeitada das escrituras por isso nao te escrevo, por isso nao te leio, pudera eu um dia largar isso tudo letra palavra e ir assim diretamente no olhar e dizer sem palavrinhas nenhuma que tá fazendo frio tá doendo muito e tá ardendo de saudades, ardendo de saudades, como se o fato de eu falar ou expressar eu tenho saudades fosse o mais natural de todos. Eu quis ser atemporal eu quis ser impessoal mas no meu ser todo recoa o meu tempo o meu eu o tudo isso. Lamento súplica, castigo, convenhamos e botemos o que quiser como título desse relato. Tenho eu hoje, nessa tarde qualquer o frio da margarida. Voce sabe o que é o frio da margarida?

sexta-feira, abril 10, 2009

Confissão de uma quase-tijucana.

E como se não bastasse me sinto enjoada telefonando pra você com o coração aos pulos, vontade de vomitar, descer, pegar o metrô para o centro e lá caminhar até aquela avenida e gastar o tempo com ar de mulher atarefada
Fazer planos no fim dos mais lindos invernos
Dar uma de perdida no Largo da Carioca
E sentar meu lindo rabo lá perto daquela igreja que perdeu uma de suas torres
Numa dessas guerras aí

E como se n
ão bastasse a minha vocação pra feira
Dei pra sentir desejo por pernas grossas e raspadas
Cheia de ver
ão pra dar vou me resignar na minha neuroyoga bebendo 4 litros de água pela manhã sublimando o meu desejo em passeios de fim de tarde, assistindo de camarote o fim da minha cidade, contando os dias para que se mure tudo, favela, prédio, pessoa, bicho e o escambau.

N
ão sei não, mas prefiro assim, sozinha sem ninguém olhando
Usando o segredo como consolo
Andando e cagando o meu pudor
Desfilando no Largo do Machado meus seios infalíveis

O tempo vai passar e eu morrerei com muita classe
Como uma tijucana ressentida voltarei a dar pra deus
E n
ão ligarei no dia seguinte.

terça-feira, abril 07, 2009

Balada Gragoatesca

Olhe
Teu vício pegou o ônibus na rodoviária
E desembrulhou minha cidade inocente
Olhe
A nossa praça em obras
O nosso beijo preso na janela do meu comedimento
Olhe
Teu corpo de manhã com cara de noite
O som da noite grudado no teu corpo junto com o cigarro
Olhe
A minha inocência em aquário já prevendo as poesias
Que te declamaria quando da nossa separação

Que farei questão de enfeitar com coisas que tu não conheces

Manhã. Amor de Manhã vai pra frente
Amor de Noite vai pra trás
Manhã
Noite
Manhã
Noite


A Manhã assexuada é a manhã da caretice
Quero que você me faça café com carambolas

Olhe o nosso beijo desencontrado e vacilante ao ar livre
Na Madrugada

Olhe a paixão cozinhada que inventei nas tuas mãos.
Toda ela era música que a gente cantava.

E há a canção que diz que o que devemos querer é a perfeição do nosso pretérito
Ou a imperfeição do nosso futuro
Acenando pra nós
Do Porto da Tristeza.
Com cara de Bunda.

sexta-feira, março 27, 2009

Penúltima Flor del Lácio

Como si yo no tuviera oportunidad alguna para quedarme acá escribiendo para los que acá están.
Es que, ahora decido hacer justicia para los hispanohablantes que todos somos. Sí, siempre tuve la idea de que nosotros los brasileros compartimos algo de una lengua común.
Cuanto a la poesía, que se yo, no pasa nada. Es lo mismo que uno experimenta al leer cualquier verso de unos de esos parnasianos brasileros. Si puede reír como quiera, algo así, pero el entendimiento se hace.

Estos días de otoño tienen la dulzura perdida que siempre quise de cierta manera. El hecho de que los árboles acá tengan la predisposición otoñal me hace cada vez más predispuesto para seguir los comunicados que están por ahí.

Hay ciertas palabras que nos emborrachan, que nos hacen de cierta manera brujos, o cómplices de algo que poco sabemos. Y en eso pongo ciertas canciones. Para mí, las canciones y sus versos son la prueba exacta de que todo eso es cada vez más verdad. No existe Dios sin musicalidad. Y sí un día tendrías que elegir entre Dios y la música, va por el segundo, porque el primero seguro que es falso.

Pero no quiero ponerme a hablar sobre música, ni Dios, ni patria, ni cosas como eso.

Vos elegís la melodía que querés para estas líneas que acá escribo.

Buenos Aires es una ciudad como otras. O sea, tiene su especificidad. Y acá quizás resida el punto principal, o sea, el punto más importante para su entendimiento. Ser brasilero en Buenos Aires es una especie de retórica, es la asunción, el reconocimiento de la distancia, de cómo estamos cercas y lejos al mismo tiempo. Yo, yo trato de ponerme de acuerdo con estas letras y con esta literatura que ya me enamoré de primera. Quiero así, la belleza de un primer encuentro con una lengua, con sus errores y con sus puntos correctos, quiero, como en el sexo experimentar la ausencia de ropa, la ausencia de significado por primera vez. O sea, quiero la especulación infinita que hago de tu cuerpo antes de que te saque la ropa. Una idea de descubierta de vida, de las especificidades de una lengua, de un cuerpo y de un sexo.

Es por esa razón que me pongo a retardar cada vez más el desnudar de esta ciudad. Que me pongo caminando eternamente por su centro sin sacar de una vez todo lo que ella me quiere mostrar.

Vivo de pajas literarias. Me pongo así. Algo como coito interrumpido, soy un lector onanico y intento cada vez chorrear afuera, en los cuadernos, en los textos que se escriben por ahí.

Estoy como Ana Cristina César, mi compatriota, brasilera, que vivió en Río y en Niterói. Me imagino las barcas de la época, y la manera en que mi barrio crecía en los setentosos edificios del lugar. Así como ella, busco en las palabras la sinceridad del cinismo. Pienso que Ana Cristina César en inglés es otra cosa que en español y otra cosa que en el portugués. Y como ella, busco pintar cuadritos pequeños que vendo a los fines de semana.

Y como ella busco la ansiedad del primer otoño de mi vida, con la certeza de que sí, las hojas van confirmar la profecía de que cada otoño de cada año reserva para mí una vida concentrada, una pasión que parte, que viene del no man is an island. O algo más cercano a eso.

Si el brasil es un acaso, vos sos el acaso más lindo que existe.

Perdón por mi castellano y su falso puritanismo.

Me gusta mismo escuchar tu respiración extranjera

Antes de que el mundo se vaya

Besos políticos en cada mejilla.

quarta-feira, março 18, 2009

que se yo

Prazer de viver que se yo , que se yo que se yo

Rua dos Andradas, geografia mental, lugar de memória depósito clandestino de memória

Rua dos Andradas, mirá esa que se vai até o Largo tao largo de Francisco sao e salvo de pejorativas faltas.

Me hace falta seu cheiro de mijo de mijo de mijo seu sol seu sol de outubro me ilumina me ilumina

La Habana, La Habana, prima distante e solitária, oye, oye, quero estar ao seu lado quando o capitalismo cair de vez

Trucha Película, película Trucha
Rua da Alfandega, andega, andega, pandega, pandega com circunflexo fica melhor
E também andradas, á, á á, adas adas

Vine una vez solo
Rua Buenos Aires eu te pressinto
Te sinto
Te arrasto e te amo

Arroz, feijao, omelete e salada
Feijao, feijao, feijao
Ao, ao, ao, ao, ao,
Bom, bom bom bom, bem legal

Xuxa eu quero pao
Com muito til

Gostosinho, inho, inho, inho

Tapioca no Largo de Sao Francisco
Peladinha, peladinha, peladinha

Pioca, pioca, pioca
Riroca, roca, oca
Opa!

Taca pedranimim
Na lapa
Na ladeira
Do bar
Descendo a esquina
Enfeitadíssima.
Tacapedranimim
Tacapedranimim
Queeuqueronoitedeveraooutonoestouloucoloucoloucoloucolouco

Que se yo, oye,

Yo soy neguinha.

quinta-feira, março 05, 2009

Querido Diário.

Já consigo ouvir a Dalva de Oliveira com um sorriso nostálgico no rosto nas meias noites pseudo-portenhas. Já consigo fazer da luz do abajour lilás promessa futura de vida na reencarnação do agora, já consigo trazer marionetes para a luz do dia e convencer todo mundo da importância do verão.

Vamos ver Maria Bethânia no meu dvd no meu apartamento. Tem uma parte que você vai gostar e vai se lamentar não ter ido aquele show antológico. A gente sai por aí esfregando a nossa boêmia na nossa cara e lavando o nosso rosto todos os dias, portenhamente pós-moderno, convencendo-nos do humano demasiado humano das nossas vidas, convencendo-nos de que estamos rodeados da barbárie de toda a forma e de que somos a gotinha vanguarda da razão principal do Ocidente.

E depois a gente finge que não vê e lamenta a nossa sorte, lamenta a nossa vida, as nossas letras, a nossa arte, num humor meio Facundo a gente sai por aí divagando num castelhano cosmopolita ao extremo a importância das outras nações advogando para o mundo um papel aterrador e opressor.

Eu não queria dizer isso mas serei forçado a confessar que a Argentina é o país mais apto para o pós-modernismo. Sem juízos e considerações contra ao Isso do pós-modernismo lhes adianto que Borges já tinha deixado de ser moderno lá pelos cantos de 25. Mas como a moda era ser moderno, mas como a moda era ser aquilo, seguimos aquela cartilha.
Eu, particularmente, acho que o pós do modernismo é um detalhezinho ínfimo, mas um detalhezinho nem por menos importante. Por isso considero tudo isso na minha prosa alfabética.

Fui completamente bombardeado, impressionado, invadido por um transe literário, comparável as revelações do Saulo que virou Paulo, quando terminei de ler a Rayuela do Julio Cortázar. Livro que quis ler porque era bonito e todo mundo falava dele mas que no final me leu de uma maneira jamais vista que eu já fechei a última página advogando para meio mundo como ele era importante como ele era lindo como ele era um anti-livro. Adoro falar anti-livro sem saber realmente o que vem a ser um anti-livro.

Mudando de conversa, estou reformando o meu português, estudando-o em laboratório, quero moldar a minha forma de falar, com procelas, arrolos, e tudo isso, jogando muito agrotóxico na minha última flor do Lácio, mudando a sua cor, cortando seus espinhos, polindo tudo muito bonitinho. Volveré y seré millones, é isso mesmo o que está gravado no túmulo da Evita naquele cemitério da Recoleta. Impressionante como que no verão aquele lugar se assemelha ao São João Batista. Isso disse um amigo meu e eu a contragosto tive que acatar. Todo aquele romantismo estrangeiro do meu hábito flâneur por aquele cemitério foi por água a baixo com a chegada de dezembro e o seu calor retinto tanto que eu abandonei aquele lugar e deixei para o outono.

Eu não tenho ideia do que se está passando neste momento nos subúrbios de Helsinque.

Pela primeira vez ouvi com atenção a canção Menino do Rio do Caetano. E é linda mesmo. Nem pontinha de saudade do Rio. E sim uma pré-saudade de uma certeza que a minha cidade está uma panela de pressão. E esses tempos, tão inestáveis, tão caretas, tão obscuros, não sei qual tempero, qual sabor vão dar as cabeças da Maré à Cinelândia.

Preciso saber mais sobre a geração Payssandu.
Preciso saber qual é o funk da moda.

"O João, a Maria, construção usada mais frequentemente na região sul e também na cidade do Rio de Janeiro, em oposição a João, Maria, típico da região Norte e Nordeste e, por estranho que possa parecer, de Niterói, apenas do outro lado da ponte, dentro do próprio falar fluminense."
Ao ler isso fiquei surpreendido. Era a primeira vez que vi esse mistério escrito, tratado por outrem em um livro. Fiquei extasiado e fiquei com vontade de saber o porquê. Niterói é um grande enigma para mim também. Niterói é um tema vasto. Confesso que odeio o nacionalismo niteroiense. Pois ele existe. Não o orgulho bairrista adolescente que chega a ser bonitinho quando em forma de piada. Mas sim um bairrismo que chega a ser um nacionalismo. Uma espécie de MV-Niterói, cheio de baluartes da cultura niteroiense. Eu tenho os nomes. Tenho todos aqui comigo e posso dar também um foco de irradiação que há tempos está em decadência. A ponte mudou muita coisa. Tinha que fazer um estudo de história oral sobre isso. Mas isso não tem importância alguma. Cito nomes, livrarias, pontos de encontros, revistas literárias e a afamada academia niteroiense de letras. A qual fui negado e rebaixado e expulso. Na pólis Niteroiense, naquela sujeira positivista adornada por fezes e urinas do nosso povo, vemos a câmara dos vereadores, a biblioteca tantas vezes abandonada e enrabada pelos mais distintos setores. É só ir lá ver os retratos e surpreender-se com tudo aquilo. Fiquei sabendo que ela está fechada para reformas.

O que será do nacinoalismo niteroiense em tempos de século XXI e em tempos de crise?

Perguntas, meu filho, perguntas....

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Alcione


Aqui no Centro de Estudos Brasileiros há um acervo fonográfico imenso e de muito boa qualidade. Escolhi para esta segunda-feira de carnaval escutar Alcione cantando a linda canção “sufoco”. Difícil descrever o impacto de tão linda interpretação. Os instrumentos acompanham cada verso, cada súplica, cada queixa da letra da canção.
Paro para pensar na figura de Alcione e como ela atingiu outras proporçoes para mim em terras portenhas. Acompanhando a sua carreira desde o maravilhoso disco de 1977 até os dias atuais, vemos a imposição de uma grande voz da música popular.
Mais interessante ainda é notar as nuances da voz da Alcione. De uma doçura cândida dos 70 até um tom mais grave e ar poderoso característico da Marrom nos dias atuais.

Pensamos no envelhecer, na grandiozidade dos anos que se impõe a cada um. E mais fascinante ainda é procurar a ternura e a beleza de menina em tão grave voz.
A canção “telegrama” de Alcione é paradigmática para mim devido ao seu sucesso e a sua recepção positiva pelas mais variadas camadas da sociedade.

É por essas e por outras que eu considero Alcione como uma das grandes figuras da Música Popular Brasileira.

Também reservo para ela o lugar de Diva-mor da nossa música. Pelo conjunto da obra, sua voz, suas unhas, suas roupas e sua brasilidade incessante.




quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Chronicargenta - Saudades do Bairro de Fátima.

Assim, consumindo-me aos poucos nessa tua tal voracidade eu vou.

Assim, mais ou menos assim, subsidiado por alguns cds gravados da famosa Sylvinha eu fui fazendo promessa e pouco a pouco escalando a gravidade e o tom formal desse verao. Fui fazendo, fui adiantando tudo, varrendo chao, conversando de conversa em conversa de bar em bar desenhando na minha mente o que eu queria mesmo. E o que eu queria mesmo era ter todos os barzinhos ao meu lado, numa mandiga gostosa.

Vivo de regar idealizaçoes no parapeito do meu apartamento. Todo dia acordo lá pelas oito da manha e de baixo do sol já compreensivo de final de fevereiro me espreguiço dizendo bom dia dia. Bom dia linda cidade prometes que vais me tratar bem? E vou saindo assim meio mulher pela rua com um sorriso ostentado, um sorriso sustentado por melodias, um sorriso meio explodindo.

As árvores, como explicá-las, sem sê-las? Como explicá-las?

(Mas chega de saudade, chega de saudade, chegada da saudade)


Maria saiu de casa mais cedo aquele dia. As ruas de Santa Teresa no mês de novembro já amanhecem pegando fogo. Maria completou 45 anos de vida.


Estou terminando meu estágio de certa forma. A partir de agora o mergulho é real. Mas para ser franco e sincero eu temo um pouco o estágio e todo o aprendizado e a organicidade da parada. É que quando eu parti eu tinha escrito a letra de uma música inteirinha na folha, fui escrevendo assim com uma fúria tao compreensiva e no final desenhava cantando cada verso daquela cançao do Belchior.

Mas amor, se eu tivesse agora a faculdade máxima de estar ao teu lado compartilharia contigo a seguinte sentença:

Maria sente falta de uma pessoa.
ADJETIVO ETERNO “PESSOA”.

É que pintou uma pessoa assim de repente assim como quem nao quer nada.

Maria escorregou nos azulejos do Selarom. E falou praquele argentino já carioca que ele tem que tomar cuidado com aquelas tintas.

(Ah, o ser carioca, acordas cedo e na manha de fim de primavera já respiras a urina acumulada das ruas e vais, vais caminhando pela tua Lapa idealizada. No Largo de Sao Francisco a gente sente no fundo o que eu quero dizer. Lá pertinho do Real Gabinete Portugues de leitura o Camoes caolho franze o cenho para tanto mijo tanto mijo tanto mijo. Mijo sagrado.)

CARNAVAL: CHUVA, SUOR, CERVEJA E URINA.

- A gente tem uma boa parte desse século para a gente viver. E enquanto houver sol eu te provarei da verdade daquilo tudo. Acho que meus braços estao abertos para voce, acho que o jeito é ir tocando, ir tocando bem lá pela frente eu vou te fazer uma cançao e peço ao menos que venha ao meu lado para escutá-la pois vai ser muto bonita.

As vezes bate uma onda, um treco estranho, um clique qualquer que eu tenho vontade de sair fazendo a hermenêutica do frio do meu estômago e do meu nervosismo depois de tanto banho de água fria.

Mas aquilo é lindo demais. Lindo, lindo, como voce pode achar que nao é lindo.

Ouça Smokey Robinson and the Miracles cantando a cançao Ooo Baby Baby e voce me entenderá. E voce me entenderá.

Por favor. Assim eu quero que voce faça. As manhas daqui tem me lembrado de uma maneira incrível as manhas do outono do Rio. E isso nao é bom. Já avisei ao Carlos que o outono aqui começa na hora certa, nao tem aquele atraso que até pode tornar as coisas mais gostosas que o Rio tem.

Mas eu estou tao saudosista. Um dia desses topei com o segundo cd da Gal de 1969. Joao me disse que ele é uma pérola bem trabalhada. E a badalaçao em cima dele ainda está por vir. Mas é que... é que tudo aquilo me bateu de uma maneira tao violenta que já na quinta faixa eu tentava uma desculpa para um stop.

(A felicidade, a felicidade, a felicidade)

Minha amiga queria conhecer a capital do meu país e eu disse que sim, claro, por suposto, por que nao, ela ia gostar daquilo tudo e eu contei para ela da vez em que estive por lá faz já bastante tempo mas chovia muito chovia tanto no caminho que a Capital se mostrou novinha em folha para mim e toda a irrealidade dos meus catorze anos se desvelou naquela poesia daquele lugar que eu nao entendi nada nadinha. Em meu deslumbramento ficaram aqueles condomínios de classe média e aquelas áreas de recreaçao gigantesca.

Assim, mais ou menos dessa forma.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Deixa Sangrar

Um dia desses por que não saímos?


As canções de amor continuam tocando e eu vou arrumando o nosso jardim
Vou regando todas as plantinhas que você gosta

É mentira.


Venho confessar a minha alma nestas torpes linhas
Altiva e nova, aspirando a juventude
O pêndulo da razão não me beija mais

Eu sou originário de um Rio de Janeiro idílico
Onde o lirismo é uma farsa gostosa
E as pedras do Arpoador uma linda quimera

As estrelas não me tocam num vago temor
A noite é Rainha e a música também
No traçado de tal boemia invertida observo

Amores que conjugo num pretério inacabado
Paixões violentas como um fio desencapado



Gosto de você de noite, tão sozinha, dançando para mim o reflexo do seu corpo
Gosto de você inventando o luar e cobrindo com ele o seu lindo corpo.
Gosto de seu corpo livre. Das marcas de sol que abraçam a sombra e a extensão de seus seios.

Gosto de você de dia, decidida, inventando cantos por onde passa
Gosto de seu jeito quase lésbico a me conduzir como uma pobre dama ao teu encontro

Tua feminilidade me tranqüiliza. Teu ser mulher me regozija.



Veste a noite, veste
Que a tal fumaça do cigarro já te despiu
Veste o som, veste
Dançando pra mim a sua nudez

Gosto de você assim
Tão muda
E tão nua

Gosto de você de noite
Tão tímida
Tão atrevida


El enamoramiento es demasiado breve como para hacerle perder tiempo com prohibiciones.

Porque son imposibles, porque nos alejan de la rutina.

Huidizo. Huidizo.

En el discurso platónico el amor es uno de los estados de la locura, una especie de enfermedad que, cuando nos acaece, nos hace sentir que tenemos alas y que juntos podemos volar.


Sob o céu de estrelas mornas desabotôo tua camisa na Real Grandeza de uma constelação de garrafas vazias
Teu corpo de verão é um acontecimento e embriagado te visto com meus versos inacabados
Te desnudo em cada palavra e te devoro pelo olhar cheio de muitíssimas intenções.
(sentes as tensões?)
A chave do meu apartamento é o portal que levo no bolso
Subir as escadas contigo é arrombar mil vezes a porta do paraíso

Sob o céu das estrelas me basto

Sob o céu das estrelas curo minha dor de cotovelo.

Sem desvelo

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Requiem

Nem que eu caminhasse até o Leblon

Eu me convenceria de que os inocentes de lá são aqueles que morrem as pampas. Morrem as pampas, as ruas do Rio são a minha testemunha, o fim do mundo a gente deixa pra mais tarde, mas deixa mesmo. Uma vez, eu caminhei sozinho do Leblon até a Barra e peregrinei ao extremo, não quero entendimento, quero violação total do teu pudor para comigo em noite sorrateira carioca.

Honey, 1996 vezes te disse que o tempo cheirava a podre, mas de uma podridão tão grande e tão nítida que eu queria era ficar no seu corpo, não me deixe aqui que o outro lado é escuro e frio e nem um pouco iluminado. Até o ano 2000 a gente se casa e faz a festa e se muda definitivamente pra além daquela serra, Arraial do Cabo, Guarapari, Cabo Frio, ou então subimos, subimos, subimos muito, haja barras e outras coisas a mais e pernambucamos pra cima o nosso trajeto para nos refugiarmos, por que não?, na Ilha do Marajó? Onde você ia posar para mim todo dia, com a nudez literária da tua caneta, e a gente viveria mesmo de amor, faríamos o amor da Ilha e viveria de peixe e de outras coisas a mais.

Eu sou mesmo assim, tarado, velho, superficial, otário, todo melado. E te adianto que não adianta mexer ali, tocar naquele ninho de vespa. O que a gente tem que fazer mesmo é borrar da lousa qualquer coisa escrita e começar lavando os pratos do nosso carinho.

Pois então vá, vá com a oração que te merece. Mas se é pra fazer forte a oração vá chamando, vá chamando, vá chamando que assim que se dá.
Estou cheio de abraços não concretizados. Abraços partidos.

Abraço-te no fundo da minha alma.

Mas o melhor era a comprovação da existência. Existindo-me me sinto mais a vontade para te dizer isso.
Para realizar considerações acerca dos dezembros que tantas vezes repeti.


Martes e eu não estou bem. Com muitas ganas de tudo. De ser o mundo, de refazer o mundo. Na tempestade lá fora o aqui é muito tempo no desvario da tempestade. Estarei louca? Não posso curtir o meu estado meu próprio si. É uma pena o esquecimento e que tudo eu posso chamar de plágio.
É por isso que eu vou despregar os bens quereres que você plantou uma vez.
Hace poco tiempo eu cevei o mate perfeito.

Cevar o mate perfeito.

O tempo não encaixa na minha vida. Namoro os livros a distancia. Vejo plasmado neles o meu querer. Sou irremediavelmente mulher. Não me supero. Humano em dobro. Todo ser humano originalmente é mulher. E eu que nunca provarei do sabor de ser homem já o adivinho dentro de tudo.
E eu ainda refazendo o tempo, voltando ao encontro, dançando as danças nunca dançadas. Eu queria ser o meu espelho refletindo a mim mesma. Passo a encarar os objetos. A verdadeira poesia eu fiz neste almoço e comi com muito tempero.

Mexi com gosto a voz da Nara no meu quarto. Aumentei o volume da cozinha e preparei o chimarrão perfeito. Preparei cevando, algo assim, com muito escrúpulo. Quando o sol se põe já é quase dez da noite e eu olho pra mesa cheio de folha e livro e vejo que meus braços existem.
Voltarei a tocar violão. Já o pressinto, já o vejo, já vou dedilhar os acordes que aprendi. São acordes pequenos e humildes mas quem disse que um dia não poderei serestar por aí.
Ser e estar henrique, ser e estar eu, ser e estar eles.

A tragédia silenciosa se abate na minha cidade. No meu mundo.
O resto é coragem. O resto a gente tira. A gente tira e divide por nove. A alegria me contou meu amigo é que vem de brinde.

Depressa! Depressa! Até quando a palavra democracia vai ser levantada por eles?

É só olhar o Rio de Janeiro. E teremos a prova viva, carnavalizada da teoria marxista. Marxista nao. Marxiana. Fica mais chic.



Vem, depressa, vem depressa, pois o Deus está vindo antes, eu quero tudo antes do Deus, eu quero tudo antes dele, eu quero ele, ele mesmo, ele mesmo purinho na sua verdade, para um dia perguntar tudo, se botaste no mundo tanta gente.
Tanta gente. Semana que vem é a minha vez de não ser mais. Eu estou indo embora e não te garanto que volto.

A vida após a morte é uma mentira.

Eu vou ficar aqui fazendo poesia de mentira, cevando mates imperfeitos, carioca da clara niteroiense ressentida, tocando de leve a pele desta cidade, sonhando com Salvador.

Euzinho mesmo fiz o que tava escritinho. Alizinho tava escritinho que um rapazinho ia chegar devagarzinho pelos livrinhos e ia dizer alguma coisinha sobre estar sozinhozinho. Era Guimarães! Era ele, chegando, devastando as bibliotecas ideais, dos planos das idéias, e haja Cecília Meireles pregada na parede, renovação católica.

Eu nunca entendi aquela galera que se converteu ao catolicismo. Coisa esquisita.

O catolicismo que eu conheço não rima com poesia nem com modernismo. Fiquei com a cuca fervendo tentando entender aquela gente. Prefiro alucinógenos e prefiro leituras racio e irracionais.

Semana passada sonhei que estava no Rio. Estava fazendo o que todo mundo faz. Andando na rua. E chovia muito, chovia horrores e depois fazia um sol lindo demais que a tudo secava. Tive tempo de olhar o caju, o cemitério, e passar pela praça quinze, tão alheio ao centro da minha metrópole. Terra estrangeira. Eu não sou em ti. Antes de tudo, me cresci na Gamboa.

Quanto a sua nova casa eu adorei. Uma garrafa só de whisky renderia muitos sofás e com o volume na medida certa teríamos Miles Davis e você recitaria com aquele brilho nos olhos todos os poemas daquela poeta que você me mostrou com um assombro lindo. Relaxo, na medida do possível, fantasio tudo, e já preparo a chave perfeita que abrirá tua porta e te afogará num abraço.

Dou espaço para a sua angústia argentina que já se impacienta em pleno dezembro, sonhando nada mais nada menos que antes de março quando o verão chegar ao fim.
A argentinizaçao do mundo está se completando de uma maneira linda. Assim louvaremos mais a vida e é preciso dar banho de crise em todo mundo.
Ogum é de lei e ta aprendendo espanhol, tirando qualquer nasalização pós-pré-africana.

Vem pra cá que a gente vai ser feliz na medida improvável da minha loucura.

Vai minha tristeza e diz a ele que o ser nao equivale ao estar como te explicar
Diz-lhe numa prece que o regresso é o sofrimento dividido pela realidade.
Sem ele a saudade é melancolia, é nostalgia, é algo do blues, sem açucar preto e branco.

Pois a baía de Guanabara ainda tem peixinhos nadando. E dentro dos meus braços os abraços brotarao assim no teu corpo.


To aflito demais. Já gastei tudo pelo telefone e cortei no meio meu choro. Madonna disse que é muito fácil dizer aquelas três palavrinhas quando se está longe. E é verdade, nunca a usei tanto. Calarei a sua boca em ótimo estilo.

A Maysa cantou a música do The Doors. Você acredita? Fiquei pasmo e não pude ainda escutar o disco que comprei.

Te deixo um beijinho saudável, risinho descontrolado, vontade de comida profunda.

A arte ou El Arte?

Hoje um abraço se partiu de verdade. E eu não pude fazer nada. Sou um homem inautêntico ao extremo. Depois que a gente morre a gente morre.

Era tão fácil quando Deus existia.

Mas assim é melhor.
Desesperadamente, alguém que te queria muito.

Henrique.

Sou verdade. Isso eu te garanto.
Descanse em paz, já já nos alcançamos.

Tudo passa sobre a terra.

sábado, fevereiro 14, 2009

Missiva

Cláudia

Aquela vez em Copacabana que você bateu com seu carro e me disse que a zona sul era o seu quintal eu fiquei pensando no seu apartamento e em seus livros. Eu sabia que um solinho de piano que fosse e uma bebidinha qualquer nos deixariam prontos para narrarmos a vida e eu no teu colo! E eu no teu colo Cláudia iria ao banheiro e sentiria a chuva sarrando nossas costas enquanto você se aventurava picando uma cebola forasteira para um tira gosto que inauguraria mais um dos nossos domingos outubrinos e seus chavões de anunciação de verão você iria me confessar estar apaixonada por um cara que vendia biscoitos e já tinha lido um trecho da Eneida e gostava sempre de recitar uma parte. Lá, naquele mesmo bar, aquele sujeito tentaria aparecer com cheiro de barba feita e com um pacote daqueles biscoitinhos amanteigados pra você. Lembro que você comeu por dois dias seus biscoitinhos e deu pra ele uma edição bilíngüe da Eneida. Eu sabia que você não gostava daquele livro, mas vibrava por dentro com seu falso entusiasmo e com o seu decote cor azul da cor do mar que deixava escapulir seus peitos que ainda me lembravam peitos colegiais. Aquela vez em Copacabana você me disse que o lance com o cara dos biscoitos era uma experimentação, uma forma de verificação da promessa de vida que você dizia vir junto com seu nascimento. Você cheirou a poesia que a Florbela tinha escrito e num feriado prolongado ninguém atendia na casa do vendedor de biscoitos e você qual vândala ofendida saiu para pegar o ônibus até Olaria na casa dele de chinelos, shorts e pintas a mil que preenchiam seu corpo branco. Tamanha foi a sua dor ao ver o vendedor de biscoito amante da Eneida com outro par de olhos castanhos vestindo camisola roxa sorrindo um sorriso mesquinho de fêmea dominadora. Não sei o que seria de você se eu não estivesse lá pra pegar contigo o ônibus de volta e espremer o sentimento amoroso com suas lágrimas até a Princesa Isabel onde você prometeu reclusão e me deu um estoque de biscoitinhos amanteigados que durou por um bom tempo. Cláudia, o amor é a piada séria que você um dia me contou. E eu não consigo virar ao contrário a sua declaração, tornar a seriedade uma piada, eu não consigo provar a verdade que diz vestir o amor com roupa bonita. Eu precisava ir embora, ir embora , eu precisava sair Cláudia, eu precisava partir com o amor escrito debaixo do braço. Hoje Cláudia, hoje o hoje é uma mentira e eu sei que esse tempo todo eu estive ao teu lado. E não sou eu quem tem seus livros debaixo do braço sobrevoando a imensidão verde da terra. Eu sou seu companheiro e sou você nas horas vagas e aos domingos um terço das minhas lágrimas são tuas, e eu as choro religiosamente. Nesses domingos, naquelas horas desesperadoras de alguma hora da tarde eu sinto o berro surdo do teu silencio e nessas horas eu fico com uma baita vontade de te escrever, mas não consigo escrever nada, nada que comece com um olá Cláudia, tudo bem com você? Escrevo cartas que eu sei que não vou mandar e já a noite alguém me convida para uma conversa e eu esqueço de tudo. Minto o esquecimento. Não enjôo você não menina, acredite. Todos sentimos com pesar a sua decisão. Mas reservamos um espacinho com muitos foguetes e balões para um arraiá que se acenderá com o seu sorriso.

Fique bem. Mesmo que isso não seja possível.

Um beijo.

José.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Mas se alguém vier com cuíca aqui por esses ares portenhos eu te seguro, te garantizo, que nao responderei por minha persona já tao calejada pelos ares argentinos. Agora, ahorita mesmo eu quero assumir a dinamica de mi portunhol, tao organico, tao forte, irrompendo, na fossilingua das duas linguas tao próximas, tao distantes.
Mas como eu ia dizendo a Argentina é um pedaço do ocidente, é uma gotinha, algo que caiu demais e por aí foi. La Santa locura de los Argentos para mí é uma mentira, é uma fraude. A Argentina argentiníssimamente é um começo de um fim categórico. E eu nao quero aqueles malabares, aquela coisa louca de equilíbrios para enfiaram goela abaixo o tal do gaúcho o Martim Fierro, ou Martin Ferro, sei lá de ficarem enfiando aquele cara goela abaixo numa literatura que querem chamar de latinoamericana. Até porque a Paris sulamericana anda amanhecendo cada vez mais cagada de coco de cachorro e o sotaque vai crescendo pouco a pouco. O sangue dos Araucanos, dos Mapuches, dos Guaranis de todos os outros que aqui viviam assim reflete nesse malabarismo.
Já nao aguento mais, nao me venham falar em Deus na Argentina, pois se ele existir por essas bandas, da forma clássica, ocidental, e sei mais o que, ele para mim será mais um dos invasores, refugiados, e nao importa nada a minha escrita em portgues ou as minhas explicaçoes sobre esse destendimento ou sobre o conflito. Somos de uma identidade quebrada e tudo o mais. Eu acho realmente que se a gente tivesse falando Guarani a gente poderia estar experimentando mais coisas.
O metrô, por exemplo, o metrô é uma prova de que a humanidade avança. Tem progressos apesar de tudo. Nao aquele sujeira de estágios, progresso, ou o papo de religiao, povo escolhido. Digo o progresso da própria humanidade. O subti é uma explicaçao metafísica do caráter humano da gente.
Aí a gente gosta de ficar meio que apertando, tirando pra fora das nossas espinhas esses papos que refletem o bonitinho mas ordinário, o safado, o tudo que pode vir junto quando a gente se compra.
Aí eu programei duas vezes, duas ou mais, uma garrafa somente de uma bebidinha e um sonzinho assim, pode ser qualquer um e um discursozinho e um olharzinho e a gente fica sábado e domingo inteiro no apartamento maldizendo a nossa sorte, acompanhando o tempo o fingindo tudo o que a gente nao quer pensar.
O pior da lucidez é quando ela nos assalta de repente. Eu odeio a lucidez eu nao quero a lucidez eu quero que ela vá para o inferno, eu quero é pegar santo, pegar espírito santo, pegar pomba gira, cigana, seja qual o nome para o estado de extase, embriaguez que corre como uma seta de Santa Teresa ao Buda ao Bêbado na esquina.

Hoje é dia de celebrar. Me voy a tomar mi traguito, Maria Cristina me quiere gobiernar y yo, já puto da vida fiquei assim mandando aquilo tudo pros inferno e os cambaú, vai pros cambaú que eu vou atrás só vou terminar de tirar do fogo o nosso macarrao.

E voce vai continuar aí com seu cofrinho exibindo tamanho culo para os olhos alheios, para o desconcerto do meu corpo talvez vontade de vida que penso levar em mim...

Baixo Ventre. Sempre para o Baixo Ventre.

O meu chacra é o meu baixo ventre.

Dito e feito: já tenho planos. A próxima década vai ter sotaque bahiano, massa real, 2010. Las calles de Salvador me esperam e já se arrumam, se aprumam.
Ah, como é bom ser marinheiro. Da próxima vez te escreverei do Benim, assim, africanamente, chorarei o fim do nosso amor pensando que a África vem depois da América e que o meu fim é ir rodando.

A gente se fala.
Um beijo.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Estética Alcionica

Alcione cantando composição “valeu demais” no final dos anos 90 mas você não está aqui e mesmo esse teve um êxito enorme na época embalando os mais tenros e doces corações dessa pátria suada e antiga maravilhosa e inesquecível.

Alguém de São Pedro d’Aldeia completa:

Além de bonita ela tem um vozeirão.

A Marrom – Verdadeira diva da brasilidade, oriunda do nosso Glorioso Maranhão para o resto desse nosso Brasilzão.

( Ninguém segura a Alcione )

Estética Alciônica:

“Ah que saudade de você
Estou a te esperar
A dor ainda está no meu peito”


Mãos da diva. Unhas de diva. Corpo de diva. Postura de diva.

Saudades que me veio lá do Maranhão.

Neguinho percebe que ELA é o Brasil quando dele se está fora
Neguinho chora PITANGA e paga PAU praquilo que sempre renegou.
Neguinho é foda.

Brazilian Bar – Nos arredores de Chacarita – Coxinhas e Guaraná antártica.
Conversa pseudo-despreocupada ao som da Alcione rendendo homenagens ao Tambor de Criola.

O artista em seu auge.

FAZ UMA LOUCURA POR MIM

- Nadar pela baía de Guanabara para avisar ao Rei que os franceses chegaram e estão armados.

sábado, janeiro 17, 2009

Che, I Love You

Descontarei do seu solteirismo as tardes mal dormidas desta cidade.
Tripudiarei sim da intenção tantas vezes maculada de redenção.

Louvor ao desapaixonar-se.
Sem mea culpa
E poesia intensa

Adotar no eu te amo a postura revolucionária que nos espera.

Tamborim, cuíca, pandeiro e surdo:
Nos próximos seis meses serei um erudito do amor
Beneditino escrivão
Só de masturbação

Para a cidade irei e nos retalhos costurarei retalhos brandos cobrindo o asfalto da minha tendência.

O Rio de Janeiro não me quer.
Saudade mofada pelas chuvas.

Aquecimento poético em tempos globais.

Buenos Aires – Afogada por brasileiros.
Na saia rasgada das minhas gordas ancas:

Um lindo dia vai brilhar
No Rio de lá
A Prata aqui levarei no pulso
E subirei até a sua casa amor

Assim bem ator
Assim bem amor

Eu te amo
Amo o teu jeito católico de ser.
Agora e sempre.

Já foi.

domingo, dezembro 21, 2008

P. A. B.

Prelúdio das Alciônicas brasilianas.
Así que bueno, embalado pelo canto alheio, pelo não dizer que tantas vezes me disse ao pé do ouvido que é preciso cantar mais que nunca eu decido-me por esta missiva indireta que se valhe de pseudo-metáforas e indiretas que vagueam pelo tortuoso caminho do sem sentido.
Começo dizendo que estive no seu bairro. Estive quem sabe em frente a sua casa e arrastar-me por aquelas ruas me enchia de uma dor que na hora só fazia doer. Não fazia nada, nem musiquinha cantarolada, nem joguinho de mãos.
Sabe, o que eu idelizei daquele geografia, o que eu discorri em mesas estrangeiras de tudo aquilo e assim tão cru aquilo tudo vomitado de primeira na minha frente feito poesia concreta e cínica na noite carioca de chuva que parecia não me querer. Era um intruso. Um verdadeiro intruso me sentia desbravando tudo aquilo, aquela mesma praça, aquelas mesmas ruas que um dia acompanharam um eu perdido, desorientado por aí, fugindo de tanto amor, talvez tanto excesso, talvez o cheiro que ainda persiste, talvez a canção que ainda cantava. Fiz caminhar. Para desorientar tamanha emoção saí sem direção por aquele lugar desconhecido quando me deparei com uma singela igreja que de singela virou carrancuda e me cobrou decência, algo assim.
Aí, meu irmão, eu já não tinha nada mais que fazer, nada mais pra dizer que ir embora daquele lugar, anunciando isso, dando certificado de estrangeiro pra deus e o mundo, dizendo que as canções boemias são coisas de retardados que presos ficam em tempos e intensidades nunca dantes adentradas.
Así que bueno, os tempos portenhos anunciam pequena inflexão, para o verão, para as árvores egoístas e o sol parado feito gema de ovo sem vento, apodrecendo a velharia, a renovação do sol não tropical que chega chegando no buracão da camada de ozônio queimando minha pele rejeitada pelo sol carioca. Assim, tomando sol na laje pretensiosamente buscarei inspirações para cevar mates perfeitos. Com livros, cafés, cheiros, cigarros e ervas adivinharei, montarei um joguinho qualquer e lembrarei de quando o sol me pegava de jeito e me fazia sair suando por aí, já ansiando um outono de início do ano.
Maio é ponto chave. Te juro.
Así que bueno, também preciso dizer-te sobre o acontecimento maior de matar a vontade de samba na ladeira, assim sambando meio torto provocando o declive, purgando a mesma ladeira que de muitas branquinhas turvou a vista e nos jogou num ônibus qualquer quando eu te confessaria tudo e começaria pintando a irrealidade do ano.
Irrealidade que de tão real machuva e coça a mão nessa madrugada. Meu tempo é meu, nesse início do século eu te dedilhei timidamente no meu violãozinho desafinado e depois aproveitei para te escrever assim. Levianamente.
Lembrei de uma frase que dizia intenso porém fugaz, fugaz porém intenso. Não sei qual porém é mais forte e nem a ordem em que tenho que falar-las.
Não sei também da passagem do livro de um tal J. Rulfo, um mexicano que tinha algo incrível que eu tive que ler 5 vezes pra entender, pior que texto difícil da faculdade eu ficava estacado naquela parte e naquelas palavrinhas que me despiam e falavam por mim.

sábado, dezembro 13, 2008

Ao som de Sylvia Telles, "Carícia", 1957
Che, te escuto e te conto que estou só na base da Sylvia Telles desde que cheguei. Te confesso que fiquei muito tempo somente adivinhando de longe a musicalidade daquela que posteriormente veio a me conquistar.
É que, é que na minha ignorância confundi superficialidade com fugacidade. O quão santa e o quão pura foi a minha ignorância no eterno namoro entre esses dois conceitos que pouco sabia e pouco conhecia.
E acho que com isso eu ficava arredio, ficava de longe observando contando o horário dos tempos, cumprindo meu papel obediente de longe brincando de rotina. Sabia que essa fórmula teria o seu fim e que qualquer desvio seria o suficiente para rasgar a minha roupa e entrar no eixo sem eixo. Isso sim era ser o fugas.
Mas tinha o Carlos Lyra cantando aquela música que a Bethânia gravou no cd “que falta você me faz” e que eu ouvi em terras distantes cantada por uma brasileira num festival de música de seu país. E como ela cantava. Das interpretações escutadas a do Carlos Lyra e da tal moça que eu esqueci o nome me conquistaram. Entrei no universo da letra, escapei-me e comecei a pressentir a tal fugacidade. Tenho um certo desconforto ao escrever este adjetivo. Na realidade eu nem sei se ele é escrito assim. Antônio Cícero fez a letra da música que a Marina canta. E eu que achei que seria superficialidade, descobri as distintas matizes entre esta e a fugacidade, entre o fugidio. Fiquei com vontade de ler o que a Cecília Meireles falava sobre momento fugidio.

Pensei em pagar o preço do existir. Em criação. Até porque tinha e tenho a certeza absoluta que a vida se resume a uma só.
A minha cidade está ficando meio sinistra. Parece magoada. Parece diferente. O intruso não sou eu. Eu que nada fiz cheguei somente de longe e vislumbrei tudo isso. Mas como dizer que eu a amo? Que eu posso responder o tempo nublado com um sorriso daqueles?

Foi assim: saindo da Lapa, daquele sobrado que fica pertinho, pertinho mesmo daquela igreja, da sala Cecília Meireles. Nunca achei que lá poderia entrar. Mas entrei e conversei com um grupo de amigos que lá estavam. Eles me falaram da Eliseth Cardoso. E me emprestaram alguns discos e disseram mais ou menos assim algo de sim, tem que escutar do início ao fim para ver o sentido orgânico daquilo tudo. Ali, ali mesmo pertinho tinha o museu da imagem e do som e Antônia muitas vezes me confessou que já experimentou transar no máximo volume as suas canções preferidas e dizer que a ela lhe interessava a queda do municipal e num orgasmo crescente gostava de se fazer presente aos visitantes que naquele museu iam. Foi interessante, interessante demais que eu mesmo tive vontade. Acho a exposição dessa maneira algo tão lindo que fiquei tentando adivinhar quando ela faria isso de novo.
Achei tão lindo, até porque deixava a mostra um LP, um dos meus preferidos daquela cantora que na minha opinião ela estava na sua melhor forma. Era uma homenagem a um grande compositor. Me fogem os nomes. Tinha algo a ver com uma receita de Vatapá.
O teu apartamento está me saindo pelos ares. Está se descompondo e não adianta o meu esforço em tentar mantê-lo.
Amanhã entra o ano.
A yoga não está adiantando. Eu tenho vontade de comer o mundo.
Volto já.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Saudosismo 2008

Mas volver assim tão temprano, assim tão de repente tem as suas surpresas. Reinvadi meu quarto e ativei uma espécie de mundo, de engrenagens que pareciam silenciosas numa ferrugem nada mais que aparente. O tempo passou e deu tempo deu ir pra janela. E agora dessa janela observo, toco e cheiro os cadernos, livros e presenças que abandonei quando daqui parti.
Mas já não condiz. O tempo do verão já não condiz com o inverno que deixei. Com o outono que esperei.
Como o estômago cheio de brasilidade reabri o Me Segura do Waly e me deparei com a seguinte frase que me estava e me cala consentindo as certezas mais vãs:


“esta carta por exemplo é um texto de amor. Furo meus olhos para alcançar alguma medida de eternidade. medida de eternidade. (...).”


Corro atrás de elementos ficcionais! Ficcionais! Talvez sim, uma menina quase mulher redescobrindo seu violão e se refazendo com as notas há muito tempo não tocadas.
Tudo transcorreu sem pressa. Na madrugada um homem bonito e educado me ajudou a subir. Fiquei embarassado com tanta impessoalidade que mordi a língua e disse ai.
Deixei Ana Cristina lá. Há tempos que venho repetindo mas a bichinha é danada, grudou na minha poética como carrapato do mato.

Não sei o que me dá. Antibiótico mata a flora intestinal. Interessante e triste. Matar pra renascer. Aquela escrita era estilhaçada e eu ensaboei com um castelhano á la Rayuela.

Ângela Maria está no piloto automático.

A ver o tempo passar, navios que vão e voltam. Nunca cantei tanto Vapor Barato como nas últimas semanas. Buenos Aires é o cenário perfeito para a gravação a ferro e fogo dos movimentos dos barcos.

Assim, quando o verão já ta quase batendo a porta bebo muita água que saio a fazer xixi noite a dentro.

Estranho ler tais versos. Acho que não consigo atingir mais essa intensidade. Nunca vou esquecer essa frase. Acho que não consigo atingir mais essa intensidade. Acho que nunca mais conseguirei atingir essa intensidade. Acho que não consigo mais atingir essa intensidade. Que eu sei, uma miríade de eufemismos, lindos e todos belos para dizer processo de pouso, terra chamando. Nunca vou esquecer essa frase dita por outrem que me doeu intensamente. Essa ou aquela intensidade. Meio que a maré baixou. E deixou no destapado todo aquele mundo que quando criança eu descobria. Acompanhar o caminhar dos caranguejos e correr a outra margem. Meio que a maré baixou. E no livro de memórias ela é fundo de mar, intensa e profunda. O coração é frágil, a vida é frágil. Tudo acaba num segundo que a gente fica com medo de viver. Tudo passa sobre a terra.
Mas muito fácil.

O negócio é escrever, meu amor. Eu, por exemplo, quando tenho lucidez, assim faço depois que voltei de Salvador escutando loucamente Leny Andrade, quem disse que a bossa era daquela forma e tinha nascido na zona sul? Assim que a frase em inglês era algo de there’s a price to pay, qualquer coisa assim, que dizia do preço que a gente tinha que pagar. A Bahia é um estado gigante e no Espírito Santo eu fiquei em suspensão.

Niterói. Beijo na rapaziada. Abraço nos irmão.

Quero te ver.

Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça,

Hein?

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Antologia "Depois da tempestade" I

Quero o tempo para te escrever o "ainda te quero"

Quero o adivinhar dos teus beijos na ausência forçada

Quero maturar meu sentimento por ti em sala escura e fechada

Quero te cantar e te escrever até gastar minha caneta

Quero fazer do sal de minhas lágrimas o jantar que te cozinharei

Quero zombar dos verões apressados que se esquivarão do nosso encontro

Quero todos os papéis rasgados das poesias mal escritas

Quero todos os amantes resignados a tua silenciosa presença

Quero mais que tudo o que nunca pude desejar

Quero fazer de cera o teu chorar e derreter tuas mãos que pousam na mesa.

Quero fazer dos nossos corpos orgia intensa e profana

E quem sabe queimar o pavio que me prende a ti sempre deixando no teu corpo a marca do que um dia senti pois se um dia eu te amo eu te amo sempre e até o fim dos dias teu olhar e teu corpo me serão uma presença domesticada ou selvagem, difusa ou clara, mas sempre intensa, sempre intensa, cronicamente preso no corpo e no coração como tatuagem que as vezes dói e enquanto escrevo essas linhas dói dói muito dói pra caralho dói tanto que eu queria não sentir mais nada dói tanto que eu faria tudo pra voltar pro início quando te abri o zíper da tua boca e de lá tirei a tua língua vermelha que fiz minha companheira.
Só eu, só eu desvendei os meandros do teu eu interior
Só eu, assim como todo mundo
Te vi de fora.

quarta-feira, dezembro 03, 2008



Vem, depressa, vem depressa, pois o Deus está vindo antes, eu quero tudo antes do Deus, eu quero tudo antes dele, eu quero ele, ele mesmo, ele mesmo purinho na sua verdade, para um dia perguntar tudo, se botaste no mundo tanta gente.
Tanta gente. Semana que vem é a minha vez de não ser mais. Eu estou indo embora e não te garanto que volto.

A vida após a morte é uma mentira.

Eu vou ficar aqui fazendo poesia de mentira, cevando mates imperfeitos, carioca da clara niteroiense ressentida, tocando de leve a pele desta cidade, sonhando com Salvador.

Euzinho mesmo fiz o que tava escritinho. Alizinho tava escritinho que um rapazinho ia chegar devagarzinho pelos livrinhos e ia dizer alguma coisinha sobre estar sozinhozinho. Era Guimarães! Era ele, chegando, devastando as bibliotecas ideais, dos planos das idéias, e haja Cecília Meireles pregada na parede, renovação católica.

Eu nunca entendi aquela galera que se converteu ao catolicismo. Coisa esquisita.

O catolicismo que eu conheço não rima com poesia nem com modernismo. Fiquei com a cuca fervendo tentando entender aquela gente. Prefiro alucinógenos e prefiro leituras racio e irracionais.

Semana passada sonhei que estava no Rio. Estava fazendo o que todo mundo faz. Andando na rua. E chovia muito, chovia horrores e depois fazia um sol lindo demais que a tudo secava. Tive tempo de olhar o caju, o cemitério, e passar pela praça quinze, tão alheio ao centro da minha metrópole. Terra estrangeira. Eu não sou em ti. Antes de tudo, me cresci na Gamboa.

Quanto a sua nova casa eu adorei. Uma garrafa só de whisky renderia muitos sofás e com o volume na medida certa teríamos Miles Davis e você recitaria com aquele brilho nos olhos todos os poemas daquela poeta que você me mostrou com um assombro lindo. Relaxo, na medida do possível, fantasio tudo, e já preparo a chave perfeita que abrirá tua porta e te afogará num abraço.

Dou espaço para a sua angústia argentina que já se impacienta em pleno dezembro, sonhando nada mais nada menos que antes de março quando o verão chegar ao fim.
A argentinizaçao do mundo está se completando de uma maneira linda. Assim louvaremos mais a vida e é preciso dar banho de crise em todo mundo.
Ogum é de lei e ta aprendendo espanhol, tirando qualquer nasalização pós-pré-africana.

Vem pra cá que a gente vai ser feliz na medida improvável da minha loucura.

Vai minha tristeza e diz a ele que o ser nao equivale ao estar como te explicar
Diz-lhe numa prece que o regresso é o sofrimento dividido pela realidade.
Sem ele a saudade é melancolia, é nostalgia, é algo do blues, sem açucar preto e branco.

Pois a baía de Guanabara ainda tem peixinhos nadando. E dentro dos meus braços os abraços brotarao assim no teu corpo.


To aflito demais. Já gastei tudo pelo telefone e cortei no meio meu choro. Madonna disse que é muito fácil dizer aquelas três palavrinhas quando se está longe. E é verdade, nunca a usei tanto. Calarei a sua boca em ótimo estilo.

A Maysa cantou a música do The Doors. Você acredita? Fiquei pasmo e não pude ainda escutar o disco que comprei.

Te deixo um beijinho saudável, risinho descontrolado, vontade de comida profunda.

A arte ou El Arte?

Hoje um abraço se partiu de verdade. E eu não pude fazer nada. Sou um homem inautêntico ao extremo. Depois que a gente morre a gente morre.

Era tão fácil quando Deus existia.

Mas assim é melhor.
Desesperadamente, alguém que te queria muito.

Henrique.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Amigo

Amigo

Descobri o que voce um dia procurou significar quando escreveu aquilo sobre os raspadores de assoalho. Aquele quadro antigo que voce cismava em dizer que te trazia a atmosfera perfeita de um tempo que voce nao viveu mas compreendia muito bem. Te asseguro que a Rua da Carioca tem uma importancia muito grande nisso tudo. Seus sobrados estao morrendo. Isto é fato. Mas ainda estamos em 2008. Nao podes dizer que já ou ainda faz muito tempo. Podes dizer que o tempo é o tempo de seguir caminhando distribuindo sorrisos pelas ruas.

Memórias poucas e memórias muitas do Capibaribe.

Sim, foi preciso o estranhamento da minha parte de tal linguagem e tal leitura para que eu realmente compreendesse tudo o que aquele verbo contém.

Eu quero passar na tua rua
Cruzar a tua ponte
Che, una pregunta
Como hago para te invitar a salir?
Sem dar pinta de Maricón
E disfarçar o meu acento
Ao grau zero de qualquer decencia estrangeira?

Decíme
Decíme pois quero fazer jogo de seduçao contigo
E eu sei que voce quer também

Soy una persona insegura, indecisa, sin rumbo en la vida. No sé que hacer conmigo misma

Temo la soledad conmigo misma
Acaptas mim pobre compañía?

Yo escribo como si fuera para salvar la vida de alguien. Probablemente mi propia vida. Vivir es una especie de locura que la muerte hace.

Mi alma tiene el peso de la luz
Tiene el peso de la musica

Aguante la máscara negra que un día salió por las calles
Tengo en mí muchas cosas
Hoy soy.

O peso do mundo é o grau zero de qualquer coisa já que eu nao entendo.

Pois entao, tal epifania precisou estar dentro de mim. Nao me adiantava ser cospido, praticamente vomitado no Largo da Carioca, assim de forma tao crua, assim tao de repente, sem qualquer alívio, sem qualquer precauçao. Seu apartamento estava longe, perdido e encontrado na cidade amada. E eu subi e desci as escadas adivinhando cada nota, cada verso dos seus livros que voce ainda nao leu. Adivinhei e cheguei com pretensao anti-católica, anti-intelectual, anti-iluminista para com todo o seu corpo. Te fui ensinando a rítimica deixando os despojos materiais mesquinhos pelo corredor até o seu quarto onde sim eu conheci a sua poesia.

Na sessao de empréstimo pego poesias de Rimbaud - indireta flexível - tomas uma cerveja? Voce gosta também? Posso te mostrar mais, por enquanto nao me encaixo naquele verso. Sou um homem vivo e porém aflito.
Hay que leer en francés no en castellano. Por supuesto, mas as minhas indiretas sao por demais diretas. Quero sua boca e ponto final.

Que carajo hacés?
Una preguntinha básica que te hago.
Nunca la vida fue tan actual como hoy. Tiempo para mí significa la disgregación de la materia.

COMIENZO POR DECIRTE QUE NO TENGO NADA EN CONTRA DE MANIPULAR, ASÍ COMO NO TENGO NADA EN CONTRA DE SER MANIPULADO. SER INSTRUMENTO DE LA VOLUNTAD DE TERCEROS ES CONDICIÓN DE LA EXISTENCIA, NADIE ESCAPA A ESO, Y CREO QUE LAS COSAS, CUANDO SE DAN DE ESE MODO, SE DAN COMO NO PODRÍAN DEJAR DE DARSE ( LA FALTA DE RECATO NO ES MÍA, ES DE LA VIDA)

En menos de 6 meses los mosquitos completan su eternidad.

Nao me veia apregoar consideraçoes acerca do plágio, da colagem, da alegoria, da fragmentaçao ou do caralho a quatro. Me quedo com, de e para de quatro al carajo con que me invitas.

Já antes vos asseguro que há uns vinte e tanto por cento de Lispector retraduzida por um hispanohablante qualquer. Também uns 3, ou 4, ou 5 por cento de um certo Raduan Nassar atravessado por estruturas distantes e longínquas que lhe roçaram o ventre com a língua de Cervantes e por último uns micro miseros um de quase nada por cento daquele poeta que nao digo mas que sinto e admiro e me morro nos matos grossos.

Ainda vou completar meu doutorado em formigas e reescrever o solo da minha estancia querida chamada província de Maria Paula na cidade de Sao Gonçalo as beiras de Niterói, abandonada a própria sorte de uma baía triste e suja e de uma classe política mesquinha, oportunista e religiosa. Sem paradoxos.

Eu, me sou cada vez mais na ausencia de tudo.
Venho a mim o nosso reino.

Nao vai ter juízo final.

O Messias já veio e já voltou um milhao de vezes.


Dos Brasis, esfarelados nos Buenos Aires da minha pseudo-candura

Eu mesmo.

segunda-feira, novembro 17, 2008



Enfim o mar
Com fado e muito e vento e maresia e cheiro de sal


Nao direi nem escreverei misterioso mar direi sim mar mim mesmo cheiro linguagem imensidao música

terça-feira, novembro 04, 2008

Até que você me mostrou cadernos em branco e me deu uma caneta. Mais valeu o seu bocejo seguido do meu e uma meditação a respeito duma macarronada. Ao som da sua música preferida.

(Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões
E as palavras)


Mais valeu o seu bocejo seguido do meu
(Você tem dois anos para decorar o traçado daquelas veias)

Me passava na cabeça todo o mundo

Não adiantou varrer a primavera para debaixo do tapete.
Seu sorriso chegou chegando e não me deu tempo de fazer nada

Eu, eu não vou me trancar, não vou ficar decupando tudo aquilo que você me vomita.

Os críticos não tinham bons olhos para você.

Condicionei tudo e todos a sentenças breves
Espaços de silêncios me constrangem

(Meu grande amor, me reconheça)

E eu falava qualquer coisa, dava conta, dou conta, rasgo roupa, esfolo a pele mas chego lá.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Amor, baixou a Ângela Ro Ro no meu quarto de uma forma tão louca que foi difícil romper a aurora do dia. Tranquei-me com medo de tudo e de todos e me quedei com a sua voz ouvindo e escutando canções e pensando – ela está viva! Ela está viva! Não há alegria maior em pensar que a Ângela está viva e eu também.
Nessa noite angelaroroniana recontei muitas coisas e desescrevi muitas verdades enquanto o sono não me assaltava e ritmo nenhum me trazia a cadência do eterno silencio, da petit mort, ou de algo parecido. A mesma velha garrafa vazia dos treze pesos trazia-me a estima de uma vida sonhada ao extremo.
A Rua do Riachuelo é sempre um milagre, havia escrito uma vez Gonzáles em seu glorioso tempo boêmio quando a Lapa realmente vivia seu momento mais decadente. Fátima, Fátima, me dê teu asilo por uma noite, escrevera ele em outra novela que nunca ousara publicar.
Me lembrei do Gonzáles e da Ângela pois tinha lido o Sofrimentos do Jovem Werther e tinha pensado num lapso de segundo uma espécie de suicídio ao contrário que consistiria em pequenas petites mortes, algo meio francês pra lá de chique, psicológico, literário, coisa fina. Nada mais velho ou mais novo que masturbação fora de moda, massagem de ego, descentralização do sujeito ou coisa parecida.
A hora mais doce e mais cálida da noite é aquela em que se perde qualquer noção imbecil de temporalidade ou da pequenez do dia seguinte. O existir não passava de uma primeira violência já dizia o pequeno rapazinho na catequese do bairro, onde titia do papai do céu se incomodava com aquelas perguntas. Não só não fiz a crisma como pedi formulário para o cancelamento do batismo que me calcinou a pele, me sujou da vergonha de um cristianismo triste e pesado que desabou na América trazendo coisa ruim, gente morta e muito sangue.
Memórias e fragmentos como estes se faziam alegres. E tinha que ver você como o sol nascia e se desnacia, como verões se faziam, noites de primaveras apressadas, manhãs orvalhadas e úmidas de junhos anteriores ao aquecimento global vinham para minha mente estalando azulidade, estalando verdade, coisa estranha, força esquisita.
E como não pensar na sesta? Como não pensá-la escrevendo o desenho de sua imagem e de seu calor das duas da tarde onde a pior hora se impunha para o solitário da casa, aquele que não tinha o sono e que via o tempo congelado no mato de fora e a melodia de vida meio natureza morta enquanto todos dormiam e o tempo quase parava, se arrastava lento e cínico. Só lhe restava compartilhar suas experiências com as formigas, com as plantas e com a descoberta do mundo do jardim ou do corpo ou das primeiras leituras fortuitas e pornográficas. Harold Hobbins lhe caía bem, literatura fácil, com capítulos pornográficos e indecentes. Minha parca cultura clássica se encontrou com Satíricon e com muitos outros que chegaram para a fazer a festa enquanto o calor derretia as horas.
Repeat All, o rádio dizia, obrigando a pobre Ângela a repetir o seu disco, cansada, desminliguida, quase tímida e sem voz.
Buenos Aires na primavera é um arraso. Lera Antônio numa tarde de maio um fragmento perdido desses de gaveta em uma tarde de fim de século. Havia muita coisa de interessante acontecendo em muito pouco tempo enquanto lá fora o frio já não convencia ninguém de nada. Tremera o pobre rapazinho ao sentir as verdades daqueles versos dúbios, ignorantes e deslumbrados. Era tanta falsa intensidade que um verdadeiro terremoto lhe assaltava enquanto prosseguia com os olhos a devastação do texto apressado escrito a mão num tempo já antigo.
Saiba que o dinheiro que eu ganho é pra desmentir qualquer lógica e que nada disso vale nada enquanto ninguém veio. Sacrifico o meu cordeiro, ejaculo pra fora, mas por favor, me venha com a dor em gotas leves e suaves que enquanto há tempo há salvação. As folhas das árvores estão verdes, mas tão verdes que eu não me agüento em si e tenho vontade de beija-las. Por hora não faço nada. Aguardo a tua resposta e teu abrigo no leito do teu silêncio. Buenos Aires, dois mil e alguma coisa que eu não sei e não me atreveria a dizer, assim estava assinado.
Não me atreveria a dizer pois veja bem você a mentira que me caiu bem! A mentira me caiu tão perfeitamente bem que saí por aí desfilando verborragia implícita, descascando a casca do castelhano, cozinhando em boa maria um francês cheio de efemérides. A vida era tão mas tão passageira que lhe chegava a ser estranha, indiferente.
Sim, te juro, a minha vontade é renunciar a cada palavra e beijar o mundo. Desnudar-me por inteiro, tirar o casaco primordial e te contar besteiras ao pé do ouvido. Para isso começarei com doses anti-homeopáticas de tédios emocionantes misturados ao contrário do meu bom senso.
Te juro, a história começava mais ou menos assim:

domingo, outubro 05, 2008

Nossa Senhora do Buen Ayre

Se voce vier com lágrimas
Eu venho com o dobro
Mas te adianto saudade
E choro contido
E beijo partido
E bossinha

Mas se voce vier com lágrimas
Che que onda
Eu venho com baldes e faço valer a cançao

Sem abraço na intençao

Que se yo
Tangozinho insípido desce cortando a garganta
Desce sangrando seu sambinha

Nossa Senhora do Buen Ayre
O que passa é que o tempo passa
Dá-me sorrisos pela rua
O quanto antes

Amém